Grêmio coloca dinheiro na conta para motivar pro Gre-Nal e apresenta balanço financeiro importante | OneFootball

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JB Filho Repórter

·26 de agosto de 2026

Grêmio coloca dinheiro na conta para motivar pro Gre-Nal e apresenta balanço financeiro importante

Imagem do artigo:Grêmio coloca dinheiro na conta para motivar pro Gre-Nal e apresenta balanço financeiro importante
  • O Grêmio adotou uma estratégia diferente para tentar motivar o elenco antes dos Gre-Nais decisivos pela Copa do Brasil. A direção antecipou valores que normalmente seriam pagos apenas no começo de setembro e já colocou o dinheiro na conta dos jogadores nesta semana. A informação foi divulgada por Rodrigo Oliveira, da Rádio Gaúcha, e mostra que o clube está tentando usar todos os recursos possíveis para preparar o grupo para uma sequência que pode mudar completamente a temporada.
  • Na prática, o Grêmio antecipou uma parte importante dos vencimentos dos atletas. Como normalmente existe uma divisão entre salário em carteira e direitos de imagem, com datas diferentes de pagamento ao longo do mês, o clube decidiu não esperar os prazos tradicionais. O dinheiro que entraria apenas nos primeiros dias de setembro já foi repassado. E a leitura interna é bastante simples: com dois Gre-Nais pela Copa do Brasil pela frente, qualquer estímulo é válido.
  • É uma mudança interessante até porque o Grêmio começou a temporada convivendo com atrasos em salários e direitos de imagem. Agora, às vésperas dos clássicos, consegue antecipar pagamentos. Parte dessa melhora de fluxo de caixa passa pelas receitas recentes, principalmente pela venda de Viery para a Fiorentina. O negócio foi fechado por 15 milhões de euros fixos, além de até 2 milhões de euros em bônus, e uma parte relevante desse valor já entrou no caixa gremista.
  • Então existe dinheiro disponível para fazer esse tipo de movimento. E faz sentido. É óbvio que os jogadores já têm direito a receber esses valores, mas antecipar o pagamento neste momento passa uma mensagem de confiança e também elimina qualquer tipo de ruído financeiro antes de duas partidas enormes. Além disso, ninguém deve se surpreender se aparecer também alguma premiação especial em caso de classificação. Gre-Nal decisivo normalmente vem acompanhado desse tipo de estratégia.
  • Só que, paralelamente, o Grêmio continua vivendo uma situação financeira delicada. O clube recebeu uma restrição dentro das novas regras de controle financeiro da CBF por conta de aproximadamente R$ 16 milhões em dívidas com outros clubes. Entre os credores aparecem Cuiabá, Cascavel e outras equipes, e a consequência é que qualquer nova contratação precisa passar por análise.
  • Essa restrição não significa exatamente um transfer ban. O Grêmio pode contratar, mas precisa respeitar algumas condições. A folha salarial não pode aumentar e o clube também não pode gastar em contratações mais do que arrecadou com vendas. Se vendeu R$ 100 milhões, por exemplo, não pode gastar R$ 120 milhões em novas aquisições.
  • A direção tratou de minimizar o impacto imediato porque não pretende fazer novas contratações nesta janela. Além disso, argumenta que o clube já está justamente no processo contrário: reduzindo a folha. O Grêmio também lembra que realizou aproximadamente R$ 167 milhões em vendas ao longo do ano, valor superior ao que investiu em reforços. Por isso, internamente, existe a convicção de que essa restrição não muda de maneira importante o planejamento atual.
  • Os números apresentados no Conselho Deliberativo ajudam a explicar por que existe tanta preocupação. No segundo trimestre, o Grêmio apresentou um prejuízo na casa dos R$ 33 milhões. É muito dinheiro, claro, mas ainda representa uma redução importante em relação aos primeiros três meses do ano, quando o déficit chegou perto dos R$ 124 milhões. Somando os dois períodos, o prejuízo contábil do primeiro semestre passa dos R$ 150 milhões.
  • Só que existe uma explicação importante para esses números. Nos primeiros meses, o Grêmio fez uma limpeza pesada no elenco e registrou contabilmente uma série de rescisões e compromissos futuros. Muitos desses valores aparecem imediatamente nas demonstrações financeiras, mesmo que o dinheiro não saia todo de uma vez do caixa. O caso de Willian é um bom exemplo: o clube registra a obrigação, mas vai pagar a rescisão em 20 parcelas. Então existe uma diferença grande entre o prejuízo contábil e o desembolso imediato.
  • Isso não significa que a situação seja boa. A dívida continua existindo e terá de ser paga. O que a direção tenta mostrar é que houve um impacto muito grande no começo da gestão justamente porque resolveu antecipar contabilmente a reorganização do elenco, enquanto os pagamentos foram alongados. A partir daí, alguns indicadores começaram a melhorar.
  • A receita ligada ao futebol aumentou quase 55%, muito impulsionada pela venda de Viery. Ao mesmo tempo, o custo do departamento de futebol caiu perto de 30% e a folha salarial já teve redução próxima dos 18%. O objetivo é sair de algo na casa dos R$ 25 milhões mensais para perto dos R$ 18 milhões.
  • É essa a lógica que a direção vende internamente: fazer mais com menos. Reduzir salários, retirar contratos pesados, aumentar receitas com vendas e ganhar tempo para reorganizar o fluxo de caixa. O próprio presidente já afirmou que imagina precisar de aproximadamente 18 meses para fazer uma reestruturação financeira mais consistente.
  • Então o cenário do Grêmio é curioso. Ao mesmo tempo em que aparece com restrições por dívidas, prejuízo milionário e necessidade de cortar custos, consegue antecipar pagamentos do elenco antes do Gre-Nal. Uma coisa não necessariamente contradiz a outra. O dinheiro da venda de jogadores melhorou o caixa no curto prazo, enquanto as dívidas e rescisões continuam pesando no balanço.
  • E, pensando exclusivamente no futebol, a estratégia é bastante clara. O Grêmio sabe o tamanho dos próximos jogos e está eliminando qualquer desculpa externa. Salário antecipado, elenco praticamente fechado e direção bancando Luís Castro. Agora a resposta precisa aparecer dentro de campo.
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