Grêmio fez história na Arena e passou por cima do Inter no Gre-Nal
O Grêmio está na semifinal da Copa do Brasil depois de uma noite histórica na Arena. Diante do maior público do estádio, o Tricolor venceu o Inter por 3 a 0, dominou o rival muito além daquilo que o placar já mostra e garantiu uma classificação absolutamente merecida. Foi uma daquelas partidas que entram para a história do Grenal, com Carlos Vinícius decisivo, Luís Castro vencendo a disputa estratégica e uma Arena completamente enlouquecida do começo ao fim.
Não existe muito espaço para contestação sobre quem mereceu passar. O Grêmio foi melhor, mais organizado, mais estratégico e principalmente mais eficiente. Teve menos posse de bola durante alguns períodos? Teve. Só que controlar uma partida não significa necessariamente ficar com a bola. O Tricolor entregou a posse ao Inter, fechou os espaços e sabia exatamente o que fazer quando recuperava. Foi praticamente a repetição de uma fórmula que Luís Castro já havia utilizado com sucesso no primeiro Grenal da final do Gauchão.
Desta vez, Castro não colocou Noriega constantemente entre os zagueiros. Montou uma estrutura muito mais próxima de um 4-1-4-1 e aceitou que o Inter tivesse a bola. O Colorado circulava, tentava avançar, enquanto o Grêmio esperava o momento certo para acelerar. E aí está uma diferença enorme em relação às últimas atuações: desta vez o time gremista sabia o que fazer quando tinha a posse.
O primeiro gol surgiu em uma bola parada. Depois de uma jogada pela linha de fundo e do escanteio conquistado, a cobrança gerou disputa dentro da área. Carlos Vinícius conseguiu se desvencilhar da marcação de Matheus Bahia e apareceu na frente do goleiro para colocar o Grêmio em vantagem. É exatamente a importância de ter um centroavante. O camisa 9 não vinha atravessando seu melhor momento desde a retomada da temporada, mas escolheu o maior jogo possível para reaparecer.
E ele não parou por aí. O segundo gol foi talvez uma das melhores construções coletivas do Grêmio sob o comando de Luís Castro. O time trocou passes rápidos, encontrou espaços com naturalidade, Amuzu apareceu para o cruzamento e Carlos Vinícius teve tranquilidade para tirar do goleiro e fazer 2 a 0. Ali o centroavante praticamente colocou a classificação no bolso.
Carlos Vinícius fez sua melhor partida do ano. Marcou duas vezes, quase chegou ao terceiro e foi disparado o jogador mais decisivo da noite. É o tipo de atuação que coloca o nome de um jogador na história do clássico. Ele já tinha muitos gols com a camisa do Grêmio, mas agora também tem um Grenal para chamar de seu. Num confronto deste tamanho, apareceu quando o time mais precisava.
Amuzu também ressurgiu. Depois de uma sequência muito abaixo do que se esperava, entregou uma atuação completamente diferente justamente na decisão. Participou do segundo gol, atacou espaços e deu ao Grêmio uma profundidade que vinha faltando. Kannemann foi outro gigante. Teve pequenas dificuldades quando precisou iniciar jogadas, algo que nunca foi sua principal característica, mas naquilo em que é especialista fez uma partida enorme. No combate, nas divididas e na leitura defensiva, foi dominante. A Arena reconheceu isso com uma das maiores ovacionadas da noite quando ele deixou o campo para a entrada de Gustavo Martins.
Weverton também merece estar entre os destaques. Quando o Grêmio já vencia por 2 a 0 e o Inter tentou crescer, o goleiro apareceu com intervenções importantes. Fez defesas que impediram o rival de marcar justamente no momento em que um 2 a 1 poderia mudar completamente a temperatura do jogo. E aí ficou evidente uma diferença decisiva entre as equipes: o Grêmio teve um goleiro capaz de resolver quando foi exigido e um centroavante capaz de transformar oportunidades em gols.
Krovinović também mostrou por que pode se tornar uma peça central deste time. Atuando como meia pelo lado esquerdo, mas entrando constantemente por dentro, participou muito da construção e ainda marcou o terceiro gol. Foi uma jogada que resumiu a superioridade gremista. O Grêmio entrou na defesa do Inter trocando passes e encontrou Krovinović para transformar a classificação em goleada.
O croata tem características para ser o organizador deste meio-campo. Não é aquele camisa 10 brasileiro clássico, parado atrás dos atacantes esperando a bola. É mais próximo do terceiro homem de meio-campo europeu, que circula, participa da construção e chega ao ataque. Ainda está ganhando ritmo, mas já mostra qualidade suficiente para crescer bastante dentro da equipe.
Noriega voltou a fazer uma partida segura como primeiro volante, Wallace mostrou novamente muita qualidade na defesa e Diego Caito entrou com personalidade. Villasanti talvez tenha ficado um pouco abaixo dos demais, mas coletivamente o Grêmio teve uma quantidade enorme de jogadores funcionando ao mesmo tempo. E quando isso acontece, também é necessário colocar o treinador entre os responsáveis.
Luís Castro foi muito criticado durante a temporada, inclusive com justiça em várias oportunidades. O Grêmio teve partidas em que parecia não possuir movimentos ofensivos claros e momentos em que as escolhas do treinador foram difíceis de entender. Só que contra o Inter ele acertou. E acertou muito.
A estratégia foi perfeita para o adversário que tinha pela frente. Castro percebeu que o Inter de Paulo Pezzolano prefere jogar reativo, mas decidiu entregar a bola justamente para obrigar o rival a fazer aquilo que menos sabe: propor. O Grêmio esperou, controlou os espaços e foi letal quando atacou. Pezzolano aceitou o cenário e não conseguiu encontrar uma resposta.
O terceiro gol acabou sendo a confirmação definitiva de tudo isso. O Grêmio já tinha vantagem confortável, mas continuou organizado, trocou passes com enorme tranquilidade e praticamente entrou na defesa colorada até Krovinović marcar. A partir dali, a Arena virou festa. A torcida provocou o rival, a direção também entrou no clima e o restante da noite foi de comemoração por uma classificação que dificilmente poderia ter sido mais marcante.
Do lado colorado pode existir a lembrança de que Carlos Vinícius poderia ter recebido um segundo amarelo no primeiro Grenal. É uma discussão possível sobre aquela partida, mas usar isso para explicar o que aconteceu na Arena seria fugir do principal. O Inter foi derrotado com enorme superioridade pelo Grêmio neste segundo confronto. O Tricolor venceu dentro da estratégia, na eficiência, nas individualidades e no futebol.
Agora o adversário será o Atlético-MG na semifinal da Copa do Brasil. Não será uma eliminatória fácil, evidentemente, mas existe possibilidade real de classificação. O Grêmio mostrou numa noite de enorme pressão que consegue competir em partidas grandes e, se repetir esse nível, pode pensar em chegar à decisão.
Mas qualquer discussão sobre novembro pode ficar para depois. Esta noite pertence ao Grenal. Carlos Vinícius colocou seu nome na história, Luís Castro teve uma atuação de treinador decisivo e vários jogadores cresceram quando a dificuldade aumentou. O Grêmio venceu o maior rival por 3 a 0, diante de uma Arena lotada, e está na semifinal da Copa do Brasil.