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·09 de março de 2026

Guerra no Oriente Médio põe à prova aliança entre Trump e Infantino

Imagem do artigo:Guerra no Oriente Médio põe à prova aliança entre Trump e Infantino

A intervenção conjunta dos Estados Unidos e de Israel no Irã representa um sério desafio à solidez da parceria entre Donald Trump e Gianni Infantino, a menos de três meses do início da Copa do Mundo de 2026, embora o conflito não deva alterar profundamente a aliança estratégica dos dois líderes.

O presidente dos EUA e o dirigente da Fifa têm cuidadosamente encenado sua cumplicidade desde a primeira eleição do bilionário americano em novembro de 2016.


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O retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, apenas reforçou essa proximidade, de olho na crucial Copa do Mundo, organizada em conjunto por EUA, México e Canadá, que será disputada de 11 de junho a 19 de julho.

Relação polêmica

Convidado para a cerimônia de posse de Trump e convocado regularmente ao Salão Oval, Infantino cultivou habilmente sua “amizade” com o republicano, acompanhando-o em diversas visitas oficiais ao Catar e à Arábia Saudita, antes de conceder-lhe o primeiro Prêmio da Paz da Fifa no dia 5 de dezembro, em Washington, quando foi realizado o sorteio dos grupos do Mundial.

Um ato que gerou controvérsia, visto que Trump se gabou na época de ter impedido oito guerras ao redor do planeta.

A presença de Infantino no Conselho de Paz lançado pelo presidente americano no final de fevereiro, usando um boné vermelho com a sigla “USA”, também gerou discussões. Naquela ocasião, a Fifa apoiou um fundo para a reconstrução de Gaza.

“Fui eu que consegui a Copa do Mundo com o Gianni. O Gianni é um bom homem. Gostamos do Gianni? Sim, acho que sim. Ele é um cara legal”, declarou Trump novamente na semana passada.

Nenhum risco

A guerra no Irã, portanto, vem quebrar essa narrativa, especialmente porque o conflito se espalhou para partes do Oriente Médio, incluindo outros três países que se classificaram para a Copa do Mundo (Catar, Arábia Saudita e Jordânia).

“O que importa para o Infantino é a sua própria geopolítica, guiada pelo ganho econômico. Qualquer coisa que contrarie os direitos humanos ou o respeito ao direito internacional não afeta em nada sua estratégia”, afirma Raphaël Le Magoariec, doutor em Ciência Política, especialista em assuntos do Golfo e esportes.

“O problema é que toda a narrativa construída em torno de seu relacionamento com Trump, para inflar seu ego, contradiz completamente a dinâmica atual”, acrescenta Le Magoariec.

“Passamos dos limites do ridículo”, disse uma pessoa próxima aos órgãos de futebol, apontando para o pragmatismo sem escrúpulos de Infantino, cujo objetivo é, acima de tudo, realizar uma Copa do Mundo fora do comum.

A competição passou de 32 para 48 seleções e promete ser a mais lucrativa da história, com a Fifa prevendo uma receita de US$ 11 bilhões (R$ 58 bilhões na cotação atual) para o ciclo de 2023-2027.

“Tudo o que os futuros votantes [países-membros da Fifa] querem é dinheiro. E se a Copa do Mundo for um sucesso comercial, eles terão”, acrescentou a mesma fonte.

A um ano do fim de seu mandato, Infantino não está correndo um risco excessivo ao aparecer ao lado de Donald Trump e se alinhar às políticas implementadas pelo presidente americano.

A expansão do conflito para aliados dos EUA, como o Catar e a Arábia Saudita, que se tornaram atores-chave no esporte mundial nos últimos anos, levanta questões de longo prazo, forçando o dirigente ítalo-suíço a agir com cautela na preparação para a Copa do Mundo de 2034 no reino saudita.

Um boicote sem consequências

“A guerra iniciada por Donald Trump desconsiderou completamente os interesses dos países árabes da região envolvidos em uma política de influência. Eles estão vivendo um pesadelo, pois o projeto que vêm desenvolvendo há duas décadas está ameaçado”, destaca Le Magoariec.

No entanto, é difícil imaginar qualquer mudança nas alianças como resultado do conflito em curso no Oriente Médio, considerando que o Irã não tem influência no cenário internacional, já que o esporte local é altamente politizado e controlado pela Guarda Revolucionária, o exército ideológico do regime.

Nesse contexto, ninguém está disposto a ajudar a República Islâmica, e nem mesmo um boicote à seleção iraniana seria capaz de alterar o atual equilíbrio de poder.

“Todos se beneficiariam se o Irã não participasse da Copa do Mundo. Para a Fifa, é melhor preservar seu relacionamento com Donald Trump, mesmo que isso signifique sacrificar o Irã”, resume Le Magoariec.

A ausência do Irã, “do ponto de vista comercial, econômico e político, teria muito pouca importância”, argumenta Simon Chadwick, especialista em geopolítica do esporte na escola de negócios EM Lyon.

“Por outro lado, eliminar um adversário ofereceria a Donald Trump e a seu governo o terreno ideal para projetar a imagem e os valores que desejam”, acrescenta Chadwick.

*Com conteúdo da AFP

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