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·28 de março de 2026

HOJE SIM, HOJE SIM, HOJE NÃO: Conselho do São Paulo volta a rejeitar balanço de 2025 após trapalhada

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Depois do papelão de ter a primeira votação cancelada por problemas técnicos, o Conselho Deliberativo do São Paulo voltou a rejeitar o balanço financeiro de 2025 apresentado pelo presidente Harry Massis Júnior.

O placar desta vez foi de 210 a 24, com três abstenções. Ou seja, o placar foi ainda mais adverso para o mandatário tricolor, já que na quinta-feira (26) o saldo foi de 194 votos contrários a 34 favoráveis, com cinco abstenções.


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É a primeira vez na história que o Conselho são-paulino rejeita as contas apresentadas por um presidente.

Claro que os números ainda são referentes à gestão do antecessor Julio Casares, mas Massis encabeçou um movimento junto de sua base aliada pra aprovação dos dados, temendo um abalo ainda maior na credibilidade do clube após a série de escândalos de corrupção.

E Casares acabou se tornando o ponto central para a perda de apoio do atual mandatário na questão, já que motivou a rejeição foi a falta de explicação para R$ 7 milhões registrados como “fundo promocional da presidência”, inconsistência destacada na análise independente conduzida pela RSM e reforçada internamente por relatório do Conselho Fiscal.

No ambiente político do clube, a leitura foi direta: havia elementos suficientes para barrar o balanço.

A votação anterior foi cancelada após o sistema eletrônico utilizado na votação havia sido configurado de forma incorreta, registrando o pleito como secreto, quando o estatuto exige voto aberto para esse tipo de deliberação.

Na prática, os comprovantes foram emitidos sem identificação individual dos votos, inviabilizando a rastreabilidade exigida pelo próprio Conselho.

A falha foi reconhecida pela Tafner Solutions, empresa responsável pela plataforma. “Registramos nosso sincero pedido de desculpas pelo ocorrido”, afirmou a empresa, que atribuiu o problema a um erro de parametrização e disse tratar o caso “com a máxima responsabilidade”.

A empresa também garantiu que “o caso está sendo objeto da revisão nos processos atuais e dos procedimentos operacionais, com o objetivo de reforçar os controles aplicáveis para que jamais se repita situações dessa natureza”.

O episódio levou o presidente do Conselho, Olten Ayres de Abreu Júnior, a determinar a reabertura da votação, com novo prazo até as 22 horas desta sexta-feira (27).

“Diante da gravidade do ocorrido, e em respeito aos princípios do estatuto social e ou regimento interno, que deve reger os atos deste Conselho, determino a reabertura do processo de votação, a fim de que os votos sejam regularmente colhidos com a devida identificação nominal”, escreveu o cartola.

O Salve o Tricolor Paulista, grupo de conselheiros de oposição, formalizou posição de que o resultado original deve ser preservado, sustentando que a falha operacional não altera a totalização dos votos já proclamada: “Dessa forma, a eventual realização de nova coleta de votos terá finalidade meramente instrumental, restrita exclusivamente à identificação nominal dos votantes, não podendo, sob nenhuma circunstância, alterar ou substituir o resultado já proclamado, o qual permanece íntegro e intangível.”

A tendência é de manutenção da rejeição, ainda que o novo placar possa variar. A gestão atual, do presidente Harry Massis Júnior, defende que esse resultado terá impacto na imagem do clube no mercado, especialmente num momento em que negociações por patrocínios e empréstimos estão na pauta.

Em 6 de abril, haverá nova votação de operações de crédito, embora ambas já tenham sido realizadas: uma feita em dezembro, de R$ 30 milhões com o Banco Tricury, a juros de CDI + 0,75% ao mês; e outra feita no mês passado, de R$ 5 milhões de reais com o Banco Rendimento, a juros de CDI + 0,6% ao mês.

OS NÚMEROS DO BALANÇO

O São Paulo apresentou ao Conselho Deliberativo um balanço de 2025 que, à primeira vista, chama atenção pelos números absolutos: receita recorde de R$ 1,085 bilhão (alta de 47%) e retorno ao superávit, de R$ 56,9 milhões, após seu maior déficit da história, em 2024.

Há, de fato, melhora relevante em indicadores operacionais, como o EBITDA positivo de R$ 246,1 milhões, e a redução da dívida líquida para R$ 858,2 milhões, cerca de R$ 110 milhões a menos que no ano anterior.

Também há avanço na exploração do Morumbi, cuja receita cresceu 61,8%, sinalizando evolução na gestão do patrimônio.

Mas o retrato está longe de ser tão simples, e é justamente aí que se sustenta a resistência interna à aprovação das contas. O principal ponto de atenção está na composição dessa receita recorde. Do total de R$ 835,9 milhões gerados pelo futebol (77% do bolo), R$ 283,8 milhões vieram de negociações de atletas, quase o dobro do previsto inicialmente.

Trata-se, por definição, de uma receita não-recorrente e altamente volátil. Sem esse desempenho fora da curva no mercado, o resultado final não seria positivo, e o clube permaneceria no vermelho.

Do outro lado da equação, as despesas também cresceram de forma significativa. O total realizado em 2025 foi de R$ 902,8 milhões, um aumento de quase R$ 174 milhões, que corresponde a 23,8% a mais.

Embora esse percentual de crescimento seja menor que o da receita, o dado central é outro: o futebol profissional estourou o orçamento em R$ 156,6 milhões, puxados principalmente por folha salarial, encargos e amortizações de contratos. Ou seja, a principal área do clube seguiu operando acima dos limites estabelecidos, dependendo de receitas extraordinárias para fechar a conta.

A margem de contribuição total foi positiva e acima do previsto, o que ajuda a explicar o superávit, mas não elimina a preocupação estrutural. Há melhora operacional e sinais de avanço na gestão, especialmente fora das quatro linhas, mas o modelo ainda se mostra dependente de vendas de jogadores em patamar elevado para se sustentar.

Em resumo, o balanço combina progresso real com fragilidades importantes justamente nos principais números, tanto em termos de montante como de importância.

Os números permitem leitura otimista, mas também justificam cautela, especialmente quando o resultado final depende tanto de variáveis difíceis de repetir ano após ano, algo que o atual presidente Harry Massis Júnior já disse estar tentando mudar.

Apesar do resultado considerado satisfatório, a tendência é que o Conselho reprove os números. À luz de novos fatos tornados públicos, como o sumiço de aproximadamente R$ 7 milhões dos cofres do clube, supostamente destinados a Casares e que cujos gastos não foram justificados, a pressão aumentou para a rejeição do balanço, inclusive por parte de desafetos do atual mandatário, como o presidente do órgão, Olten Ayres de Abreu.

A decisão do Conselho Deliberativo não certifica a correção dos números, até porque a grande maioria dos conselheiros não tem experiência para isso. Esse papel pertence ao Conselho Fiscal, que já deu sua avaliação: “Não obstante os relatórios apresentados não evidenciem irregularidades contábeis formais, subsistem preocupações relevantes quanto à execução orçamentária das despesas, que se verificou em desconformidade com os limites e parâmetros estabelecidos no orçamento aprovado.”

Nesse contexto, há quem veja, inclusive, potencial efeito positivo de uma rejeição nas circunstâncias atuais, como sinalização de um maior rigor interno. A leitura é de que o mercado poderia interpretar o movimento como indicativo de controle e cobrança, e não necessariamente como fragilidade adicional.

Também não há risco imediato de perda de benefícios fiscais, hipótese que só se configuraria em caso de reconhecimento formal de gestão temerária.

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