Esporte News Mundo
·01 de outubro de 2026
Idealizadores da SAFiel tomam decisão sobre negociações com atual diretoria do Corinthians

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·01 de outubro de 2026

As tratativas envolvendo a possível transformação do Corinthians em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) perderam espaço dentro da atual administração do clube. A proposta apresentada pela SAFiel, grupo interessado no projeto, chegou a ser discutida diretamente com dirigentes corintianos, mas não houve evolução suficiente para que o processo avançasse durante a gestão de Osmar Stabile.
Carlos Teixeira, um dos empresários ligados à iniciativa, reconheceu que o cenário atual praticamente encerra a possibilidade de continuidade das conversas enquanto a atual diretoria estiver à frente do Corinthians. Segundo ele, a falta de comunicação nas últimas semanas e a proximidade das eleições contribuíram para afastar as partes.
“Sendo muito franco, o que passa pela nossa cabeça hoje? Primeiro, uma constatação: nesta legislatura, com a atual diretoria do clube, o projeto não avança mais. Para nós, isso já é uma página virada e uma realidade dada”, iniciou em entrevista ao Meu Timão.
A avaliação ocorre após uma série de reuniões e trocas de documentos entre o grupo e representantes do clube. O projeto chegou a entrar em uma etapa mais concreta de discussão, mas a ausência de novos encaminhamentos fez com que a SAFiel passasse a considerar improvável uma mudança de postura antes da eleição corintiana.
REUNIÃO NO PARQUE SÃO JORGE ABRIU CAMINHO PARA AS NEGOCIAÇÕES
O primeiro encontro oficial entre representantes da SAFiel e a diretoria do Corinthians ocorreu no fim de agosto, no Parque São Jorge. A reunião teve duração superior a quatro horas e serviu para que os responsáveis pela proposta apresentassem detalhes do modelo elaborado para o clube.
A proposta não vinculante havia sido encaminhada anteriormente, em junho. Durante o encontro, as partes chegaram a analisar um documento extenso com informações técnicas e financeiras sobre a operação. Segundo Carlos Teixeira, a conversa foi marcada por uma série de questionamentos feitos pelos representantes do Corinthians.
“No dia 26 de agosto, se não me engano, nós passamos quase cinco horas reunidos com o clube. Estavam presentes o presidente Osmar Stabile, o vice-presidente Armando Mendonça, o doutor Romeu Tuma (presidente do Conselho Deliberativo), o doutor Miguel Marques (presidente do Conselho de Orientação) e outros diretores. Foi um encontro extenso e exaustivo. Ao final, recebemos cerca de 200 perguntas do clube, acompanhadas de um pedido expresso do presidente Osmar: que as conversas dali em diante entre o Corinthians e a SAFiel não ocorressem pela imprensa. Ele deixou isso muito claro naquela sala”, afirmou.
Apesar da reunião, o entendimento entre os envolvidos não se sustentou por muito tempo. O relacionamento entre as partes se tornou público novamente depois que a diretoria corintiana apresentou uma condição financeira para a continuidade da negociação.
QUITAÇÃO DA DÍVIDA DA NEO QUÍMICA ARENA VIROU PONTO CENTRAL
Um dos principais obstáculos apareceu quando Osmar Stabile colocou como condição para a assinatura de um eventual contrato vinculante a quitação do financiamento da Neo Química Arena junto à Caixa Econômica Federal.
A exigência acabou transformando a negociação em um desafio público entre a diretoria e o grupo interessado na SAF. A SAFiel, por sua vez, decidiu aceitar a condição apresentada pelo presidente e afirmou estar disposta a seguir adiante caso o clube cumprisse sua parte no acordo.
Segundo Teixeira, porém, houve uma mudança de postura logo depois da reunião realizada no Parque São Jorge.
“No entanto, assim que a reunião terminou, ele concedeu uma entrevista a uma jornalista e nos mandou um recado por meio dela. Na sexta-feira seguinte, na ESPN, ele apontou o dedo para a câmera e nos fez um desafio público: contrariando o próprio pedido de sigilo, nos desafiou a quitar a dívida da Arena e liberar as receitas do clube dadas em garantia; em troca, assinaria a proposta vinculante”, disse Teixeira.
Mesmo diante da exposição pública do assunto, os representantes da SAFiel decidiram responder formalmente ao desafio. O grupo avaliou as condições internamente e optou por comunicar que estava disposto a cumprir aquilo que havia sido colocado pelo presidente.
“Ele nos pegou de surpresa, mas nos reunimos, avaliamos o cenário com muita responsabilidade e, no final do dia, confirmamos que aceitávamos o desafio. Antes de publicar a nota oficial, liguei para ele e disse: ‘Presidente, estamos aceitando a sua proposta. Vamos fazer um post para deixar isso claro a todos, já que o senhor fez um desafio público’, complementou.”
GRUPO AFIRMA QUE NÃO RECEBEU RETORNO DA DIRETORIA
Após a manifestação pública, a SAFiel afirma ter formalizado a aceitação das condições apresentadas pelo Corinthians. O grupo encaminhou uma comunicação oficial ao clube e detalhou os procedimentos que seriam necessários para viabilizar a quitação da dívida.
De acordo com Teixeira, entretanto, a iniciativa não recebeu uma resposta direta da presidência. Diante da ausência de retorno, os responsáveis pela proposta enviaram uma correspondência registrada para formalizar o recebimento da documentação.
“Em seguida, enviamos um e-mail ao clube ratificando a aceitação e detalhando as providências operacionais necessárias para que a quitação pudesse ser concluída. Como não tivemos retorno ao e-mail, enviamos uma correspondência registrada para protocolar o recebimento no clube. Desde então, não houve mais nenhum contato direto conosco”, relatou.
O grupo também questionou a necessidade de realizar o pagamento antes da existência de um contrato que estabelecesse juridicamente as obrigações de cada parte. Para a SAFiel, a exigência colocada posteriormente pela presidência não oferecia segurança suficiente para uma operação financeira dessa dimensão.
“O único retorno do presidente Osmar veio novamente pela imprensa, quando declarou: ‘Eles têm que pagar primeiro a Arena. Depois, nós vamos fazer o contrato.’ Mandei uma mensagem direta para ele: ‘Osmar, essa condição é inaceitável. Não existe qualquer lógica financeira, empresarial ou jurídica em realizar um pagamento desse montante sem antes ter um contrato assinado com o clube.’ Além disso, vale destacar que o presidente não tem autonomia estatutária individual para assinar uma proposta vinculante como prometeu. A impressão clara que ficou é que aquilo foi um gesto puramente político, sem intenção real de construir um acordo”, detalhou.
A afirmação sobre a falta de autonomia individual foi apresentada por Teixeira como parte de sua interpretação sobre os procedimentos necessários dentro do Corinthians. A negociação, segundo os envolvidos, dependeria de diferentes instâncias e etapas formais.
DOCUMENTOS FORAM PROTOCOLADOS, MAS PRESIDENTE NÃO RESPONDEU
Enquanto a comunicação com Osmar Stabile permanecia interrompida, outros integrantes da estrutura política do Corinthians teriam dado andamento aos documentos relacionados à negociação.
A SAFiel afirma que o processo de envio das informações foi formalizado e que houve confirmação de recebimento por parte de representantes dos órgãos internos do clube. O grupo, porém, destaca que não obteve manifestação da presidência.
“Apenas para complementar a cronologia: o post aceitando o desafio foi feito na própria sexta-feira. O e-mail e a carta foram enviados na segunda-feira seguinte, e depois formalizamos a versão protocolada. É preciso ter justiça e registrar que o doutor Romeu Tuma acusou o recebimento e informou que encaminharia a matéria ao Conselho Deliberativo, assim como o doutor Miguel Marques também acusou o recebimento e agradeceu. Contudo, da parte do presidente Osmar Stabile, não obtivemos nenhuma resposta até hoje”, pontuou.
O episódio ampliou a distância entre a SAFiel e a atual administração. Para o grupo, a falta de retorno impediu que uma negociação que já havia avançado em determinados pontos pudesse continuar sendo discutida.
SAFIEL DIZ QUE PROPOSTA PERTENCE AO QUADRO SOCIAL
Mesmo com o impasse durante a atual gestão, os responsáveis pela iniciativa afirmam que o projeto não deve ser tratado como uma proposta vinculada exclusivamente à atual diretoria. A SAFiel sustenta que a decisão sobre o futuro do modelo deveria permanecer nas mãos dos associados do Corinthians.
Eduardo Salusse, coidealizador da proposta, afirmou que a resistência encontrada atualmente não representa necessariamente uma rejeição definitiva ao projeto. Para ele, quem ocupa temporariamente cargos de comando não deveria determinar sozinho o destino de uma possível SAF.
“Não foi o dono do Corinthians que não quis nos receber. Foi alguém que está temporariamente na presidência. O legítimo titular do direito soberano de deliberar é o sócio do clube. Já disse em outras oportunidades que, no dia em que o sócio, reunido em Assembleia Geral, disser: ‘tchau, SAFiel, nós não temos mais interesse’, o nosso papel estará encerrado. Até que isso aconteça, entendo que essa resistência é ilegítima, porque não cabe a quem exerce um mandato transitório – e que, portanto, tem um dever fiduciário com quem o elegeu – fazer esse tipo de filtro autoritário”, comentou.
A SAFiel, portanto, afirma que pretende manter a proposta disponível para uma eventual retomada das discussões no futuro. O grupo considera que uma nova administração poderá avaliar novamente os termos apresentados.
GRUPO PROMETE CONTINUAR TRABALHANDO PELA PROPOSTA
Com a proximidade do processo eleitoral do Corinthians, a tendência apontada pelos integrantes da SAFiel é de que não haja uma mudança significativa no andamento do projeto durante a atual gestão. Ainda assim, os responsáveis pela iniciativa afirmam que não pretendem abandonar a ideia.
Salusse declarou que o grupo continuará mobilizado e buscará manter a discussão sobre uma possível transformação do futebol corintiano. A estratégia, segundo ele, é aguardar os próximos movimentos dentro do clube sem retirar a proposta de pauta.
“Nós seguiremos trabalhando em prol do Corinthians e de 35 milhões de torcedores que precisam de iniciativas corajosas e de pessoas que não desistem. Até porque a história nos mostra que quem reage à perda de poder espera justamente o cansaço de quem incomoda. Geralmente, essas mobilizações se desfazem com o tempo; aquela massa que grita e protesta no domingo já está no seu trabalho na segunda-feira, e o movimento arrefece. Mas não é isso o que vamos fazer. Nós não vamos desistir”, finalizou.
O QUE PREVIA A PRIMEIRA PROPOSTA APRESENTADA PELA SAFIEL
A iniciativa apresentada ao Corinthians em 2 de junho previa uma operação financeira de grande porte. O plano estimava a possibilidade de levantar R$ 2,5 bilhões, com potencial de alcançar R$ 3 bilhões, dependendo das condições da operação.
A maior parte dos recursos seria direcionada à reorganização financeira do futebol corintiano. Entre os objetivos estavam o pagamento de dívidas, investimentos na estrutura esportiva, melhorias de infraestrutura, criação de mecanismos de governança e fortalecimento das atividades relacionadas ao clube social.
Outro elemento apresentado pela SAFiel era a participação direta do torcedor na estrutura societária. A proposta estabelecia investimentos a partir de R$ 250, além de limites de participação vinculados ao CPF de cada investidor.
Também estava prevista a possibilidade de entrada de investidores externos. Nesse caso, a participação ocorreria por meio de ações sem direito a voto, mecanismo pensado para complementar o capital caso o valor inicialmente projetado não fosse suficiente para concluir a operação.
PROPOSTA PREVIA MECANISMOS DE PROTEÇÃO À IDENTIDADE DO CORINTHIANS
A preservação da identidade do clube também aparecia entre os pontos centrais do modelo apresentado pela SAFiel. A proposta estabelecia mecanismos destinados a impedir que uma eventual mudança de controle alterasse características consideradas fundamentais para o Corinthians.
Caso assumisse o comando do futebol, a SAFiel não teria liberdade para modificar elementos como nome, símbolos, cores e o próprio escudo do clube. O projeto também previa mecanismos de proteção em situações consideradas graves.
Entre os exemplos citados estavam o descumprimento de obrigações essenciais, problemas relevantes de gestão ou eventual descaracterização da identidade institucional. Em cenários desse tipo, o Corinthians poderia recorrer a uma cláusula específica para recuperar o controle da administração do futebol.
A implementação do modelo, contudo, dependeria de uma sequência de procedimentos antes de sua conclusão. Entre eles estavam a aprovação pelas instâncias estatutárias do clube, a realização de uma investigação independente, validações regulatórias e a autorização definitiva dos associados em Assembleia Geral.
CRONOGRAMA PREVIA CONCLUSÃO EM ATÉ UM ANO
Além da proposta financeira e dos mecanismos de governança, a SAFiel havia apresentado um planejamento com as etapas necessárias para colocar a operação em funcionamento.
A entrega inicial da proposta já havia sido realizada. A partir de uma eventual aceitação, começaria uma sequência de procedimentos que poderia se estender por aproximadamente um ano até a instalação completa da nova estrutura.
O cronograma apresentado pelo grupo estabelecia as seguintes etapas:
Com o impasse entre a SAFiel e a atual administração, porém, nenhuma dessas etapas avançou para a fase de execução. O grupo afirma que continuará defendendo o projeto e aguardará uma oportunidade para retomar as discussões, enquanto a atual diretoria do Corinthians se aproxima do fim de seu mandato e do processo eleitoral do clube.







































