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·16 de agosto de 2026
Jádson Viera assume Independiente e figura em lista seleta de técnicos brasileiros na Argentina

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A contratação de Jádson Viera pelo Independiente resgata uma presença que se tornou rara no futebol argentino. Nascido no Brasil e naturalizado uruguaio, o ex-zagueiro de 45 anos foi escolhido para substituir Gustavo Quinteros e terá pela frente o desafio de comandar um dos clubes mais tradicionais da América do Sul. O vínculo foi firmado por um ano, mas com uma cláusula que permite a rescisão ao fim de 2026, período em que o clube passará por eleições.
O último profissional nascido no Brasil a comandar uma equipe da primeira divisão argentina havia sido Dino Sani, no Boca Juniors, em 1984. Desde então, foram mais de quatro décadas sem um brasileiro ocupar o banco de reservas em um clube na elite argentina.
Viera, porém, não chega ao país como um completo desconhecido. Como jogador, defendeu o Lanús entre 2006 e 2008 e fez parte do elenco que conquistou o primeiro título argentino da história do clube, em 2007.
Também vestiu a camisa do Vasco e construiu boa parte de sua trajetória profissional no futebol uruguaio. Depois de iniciar a carreira como treinador, comandou o Boston River e o Nacional, pelo qual conquistou o Campeonato Uruguaio em 2025.
Agora, Viera retorna à Argentina em uma função completamente diferente. E a escolha do Independiente cria uma conexão especial com um dos capítulos mais marcantes da história dos técnicos brasileiros no país.
Quando o assunto é treinador brasileiro na Argentina, o primeiro nome da lista é Osvaldo Brandão. O técnico chegou ao Independiente em 1967 e construiu uma relação tão forte com o clube que ganhou dos argentinos o apelido de “El Maestro”.
No mesmo ano de sua chegada, Brandão conduziu o Independiente ao título do Campeonato Nacional, encerrando a competição com 87% de aproveitamento e uma campanha que permanece entre as mais marcantes da história do clube.
''Oswaldo é um dos grandes ídolos da nossa história e um dos melhores técnicos que passaram por Avellaneda, seguro'', afirmou Antonio Lasarte, historiador que então cuidava do memorial do Independiente.
O brasileiro chegou a receber propostas para permanecer na Argentina, inclusive do Boca Juniors, mas optou por retornar ao Brasil para assumir outra função na Seleção Brasileira. A passagem foi tão marcante que Brandão deixou portas abertas para outro brasileiro. E foi justamente aí que surgiu o segundo capítulo dessa história.
Indicado por Brandão, o lendário Elba de Pádua Lima, o Tim, assumiu o San Lorenzo em 1968. A aposta deu resultado imediatamente.
Sob o comando do brasileiro, o clube conquistou o Campeonato Metropolitano de 1968 de maneira invicta. O feito ganhou dimensão ainda maior porque o título foi obtido sem nenhuma derrota, algo extremamente raro no futebol argentino.
Além do vasto conhecimento tático e dos atalhos no campo, Tim foi conhecido em sua passagem pelo Ciclón pela excelente gestão de grupo e relação de confiança que construiu com o elenco azulgrana à época.
"Sua grande façanha foi ter entendido seus jogadores e respeitado suas manias. A condução de elenco foi exemplar. Os atletas mantinham até as suas vidas noturnas. Muitos deles eram viciados em jogatinas e turfe. Mas na hora de entrar em campo, retribuíam a confiança do técnico e rendiam", contou o então goleiro Buttice, em entrevista à revista El Grafico.
Assim, Brandão e Tim estabeleceram uma marca que permanece até hoje: são os únicos técnicos brasileiros a conquistar o Campeonato Argentino.
A presença brasileira nos bancos argentinos não se resume a Brandão e Tim. Outros nomes de enorme peso no futebol brasileiro também passaram pelo país. Vicente Feola, técnico campeão mundial com o Brasil em 1958, comandou o Boca Juniors durante um curto período em 1961.
Décadas depois, Dino Sani, também campeão mundial em 1958, foi o último treinador brasileiro a dirigir o clube de Buenos Aires, em 1984, quando os xeneizes viviam uma de suas piores crises econômicas da história.
No River Plate, o brasileiro Didi, bicampeão mundial como jogador, comandou a equipe entre 1970 e 1972. O intervalo até a chegada de Viera, portanto, é ainda maior no caso do gigante de Núñez.
Uma lista, de fato, seleta e curta, mas que seguirá marcada pelo legado construído por Osvaldo Brandão e Tim...referências de peso para o trabalho que será iniciado por Jádson Viera no Rei de Copas.
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