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·22 de setembro de 2026

Jakub Kiwior: “O título confirmou que estou no lugar certo.”

Imagem do artigo:Jakub Kiwior: “O título confirmou que estou no lugar certo.”

Jakub Kiwior revisitou a chegada ao FC Porto, a conquista do primeiro campeonato da carreira e a ligação intensa entre a equipa e os adeptos, numa entrevista ao canal polaco de YouTube Kanał Sportowy. O defesa-central destacou ainda a exigência da Liga Portuguesa, a solidez defensiva e a ambição de voltar a celebrar de azul e branco. Sobre a festa do título, não hesitou: “Foi maravilhoso.”

Chegado à Invicta em setembro de 2025, o camisola 4, de 26 anos, fez uma viagem pelos momentos mais marcantes vividos no FC Porto. Entre a adaptação facilitada por Jan Bednarek, o orgulho pelo trabalho defensivo e as imagens de uma cidade inteira em festa, Jakub Kiwior deixou uma certeza: encontrou o lugar que procurava.


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A mudança para o FC Porto foi uma decisão imediata. Kiwior queria jogar com maior regularidade, valorizava a dimensão do Clube e via na cidade um destino mais atraente do que Londres.

“Queria muito vir para o FC Porto. Quando soube que o FC Porto me queria, disse imediatamente que sim, porque sabia que o FC Porto me daria mais tempo de jogo, mais oportunidades para jogar e que é um clube muito grande. A cidade também me agradava mais do que Londres, por isso fiquei muito feliz e queria fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para que o negócio se concretizasse. A partir do momento em que assinei, só pensei em mostrar a minha melhor versão e jogar o mais rápido possível. Não tive de esperar muito, felizmente, e fiquei contente por poder entrar logo em campo. Entendi-me de imediato com o Jan Bednarek, porque nos conhecíamos da seleção, o que facilitou o processo de adaptação.”, explicou. “Não conhecia o resto dos meus colegas, mas conhecê-lo ajudou imenso no início, porque me dava muitos conselhos, não só sobre o clube, mas também em termos táticos. Conseguimos manter a baliza a zero logo no primeiro jogo e tivemos muitos jogos assim, felizmente. No ano passado, chegamos a ser a segunda ou terceira equipa europeia com menos golos sofridos, o que dá muita satisfação e é um motivo de orgulho.”

A vontade de chegar depressa ao relvado encontrou uma ajuda decisiva dentro do balneário. A ligação prévia a Bednarek encurtou a adaptação e lançou as bases de uma parceria que Kiwior associa à consistência defensiva da equipa.

Se a chegada correspondeu às expectativas, a festa do título elevou-as. O primeiro campeonato da carreira do central ficou marcado por uma celebração que tomou conta da cidade e aproximou ainda mais jogadores e adeptos.

“Foi maravilhoso. O pior é que foi o meu primeiro campeonato ganho e vai ser difícil superar aqueles festejos nos próximos. Espero, ainda assim, que haja oportunidades para festejar mais, mas a fasquia ficou muito alta. Foi incrível ver a cidade inteira connosco, não conseguiria pedir melhor. Tínhamos conquistado matematicamente o título duas semanas antes, em casa, e eu ainda não tinha assimilado bem que éramos Campeões Nacionais. Estranhei um pouco e até disse ao Jan Bednarek que ainda não estava a sentir a conquista, que faltava algo, talvez o troféu. Logo a seguir ao jogo, preparam um pequeno palco à porta do Estádio do Dragão, com DJ e os adeptos reunidos – como os bilhetes tinham esgotado, havia muitos portistas no lado de fora do estádio. Foi muito bom, mas ver a entrega do troféu e festejar todos juntos dá outro significado. Foi incrível.”, recordou. “Tínhamos o barco preparado, os adeptos alugaram motas de água e barcos e vieram a navegar connosco. Depois parámos junto à ponte, onde houve fogo de artifício e um espetáculo de drones. Quando saímos do barco, fomos de autocarro panorâmico até ao centro da cidade e lá tínhamos uma multidão à nossa espera. Foi um dia espetacular. O campeonato foi a cereja no topo do bolo de uma época em que estivemos unidos com os adeptos por sabermos o quão importante era para eles sermos Campeões Nacionais. Eles viajavam connosco para todo o lado, nem sabíamos quando jogávamos fora ou em casa, porque parecia que estávamos sempre no nosso estádio. É fantástico ver como os adeptos vivem o Clube e sentir o apoio deles.”

A entrega do troféu transformou uma conquista já confirmada numa experiência palpável. Mais do que o cenário da festa, ficou a imagem de uma união que, para Kiwior, tornou indistinguível jogar em casa ou fora.

Essa ligação não se esgota nos dias de jogo. Ao percorrer a cidade, o internacional polaco encontra sinais permanentes da presença do FC Porto e sente o reconhecimento dos portistas.

“Aqui há sempre bandeiras, cachecóis e camisolas penduradas nas janelas. Vê-se que as pessoas vivem o futebol. Querem sempre o melhor para o FC Porto e fazem questão que nós, jogadores, sintamos isso.”, descreveu. “Até quando vou passear pela cidade, sinto essa paixão das pessoas, que me acenam ou dizem sempre qualquer coisa. É uma sensação muito agradável saber que tens sempre um portista em qualquer lado.”

O retrato é o de um Clube entranhado na paisagem e no quotidiano da Invicta. Para o defesa, essa proximidade funciona como acolhimento, mas também como lembrete constante da responsabilidade de representar o FC Porto.

Dentro da equipa, Kiwior afastou com humor a ideia de ser o chefe da defesa. Esse estatuto, disse, pertence a Jan Bednarek, embora a regularidade e a confiança recebida lhe permitam assumir cada vez mais responsabilidades.

“Eu, chefe? O xerife é o Jan Bednarek, mas sinto-me confiante aqui e tento fazer sempre o máximo pela equipa. Ajuda-me o facto de ser titular e ter muitos minutos jogados. Sinto uma grande confiança do treinador e dos meus colegas, o que me permite estar mais solto. Espero que continuem a confiar em mim.”

A hierarquia é apresentada sem vaidade, mas a mensagem é clara: jogar regularmente deu-lhe segurança. Kiwior sente-se integrado e quer continuar a justificar a confiança conquistada.

A caminhada até ao título também exigiu uma noção precisa do peso de cada jornada. O central rejeitou qualquer ideia de facilidade na Liga Portuguesa e ligou a conquista à concentração permanente.

“A Liga Portuguesa é difícil e não te podes desleixar. Cada ponto perdido custa muito e isso reflete-se imediatamente na tabela. Os jogos são duros, mas sabemos que perder pontos pode custar o título. Temos de entrar sempre concentrados nos jogos para vencermos, foi isso que nos permitiu sermos Campeões Nacionais.”, analisou. “Sabíamos o quanto custava cada ponto e fizemos tudo para somarmos os três pontos em cada jogo. É dessa mentalidade que resultam os jogos sem sofrer. Estávamos focados em cumprir as tarefas defensivas, sabendo que os nossos avançados acabariam por marcar. Isso garantiu-nos as vitórias e levou-nos ao título.”

Na leitura de Kiwior, o rigor defensivo não foi um elemento isolado, mas uma consequência da mentalidade competitiva. Proteger a baliza e confiar nos avançados tornou-se o caminho para transformar concentração em vitórias.

A importância pessoal da conquista ganhou uma marca permanente. O defesa decidiu eternizar o primeiro título através de uma tatuagem, associando-a ao esforço e ao papel que sentiu ter desempenhado.

“Fiz a tatuagem porque foi algo muito especial para mim. Tudo o que vivemos naquele dia vai ficar na minha memória para sempre. Foi o meu primeiro título e foi conquistado com muito esforço e muitos minutos jogados.”, afirmou. “Senti que contribuí para aquela conquista. Já tinha pensado naquilo durante a época. Não é só a tatuagem, toda a época vai ficar gravada na minha memória.”

A tatuagem é apenas o símbolo visível de uma temporada que Kiwior considera impossível de apagar. O significado nasce tanto do troféu como da sensação de ter participado ativamente na sua conquista.

A defesa pouco batida resultou de uma meta assumida antes de cada encontro. Kiwior reconheceu a influência do treinador, mas salientou que o compromisso de proteger a baliza também partia dos próprios jogadores.

“O treinador tem muita influência na nossa atitude, mas mesmo nós já estávamos mentalizados para defender a baliza com tudo. Definimos a meta de não sofrermos golos antes de cada jogo. Tornou-se algo automático. Sabíamos o que tínhamos de fazer na defesa e isso deu frutos.”, explicou. “Este ano temos os mesmos objetivos e ser a equipa com menos golos sofridos motiva-nos. Nas últimas jornadas da época passada desleixámo-nos um pouco e sofremos golos, o que nos fez cair nesse ranking. Serve de motivação para esta temporada.”

A ambição defensiva mantém-se, agora alimentada também pelo desfecho das últimas jornadas da época anterior. Aquilo que ficou por alcançar converteu-se numa referência para o trabalho da nova temporada.

Jogar com continuidade teve impacto direto na evolução do central. A satisfação pela escolha feita ganhou ainda mais força com o título, que Kiwior encarou como confirmação da decisão de assinar pelo FC Porto.

“Jogar regularmente aqui fez-me evoluir muito. Passar tanto tempo em campo ajuda a crescer a cada jogo. Estou muito satisfeito por ter assinado pelo FC Porto.”, garantiu. “O título confirmou que estou no lugar certo. Vamos trabalhar para repetir a conquista e dar mais alegrias aos adeptos.”

A conquista surge, assim, como validação e ponto de partida. Kiwior não olha para o campeonato como um fim, mas como um padrão que a equipa pretende voltar a atingir.

A cumplicidade com Jan Bednarek também se manifesta na comunicação dentro de campo. Entre os dois compatriotas, o polaco continua a ser a língua dominante e permite uma compreensão quase imediata.

“Eu e o Jan Bednarek falamos em polaco. Às vezes sai algo em inglês, mas já estamos habituados a entendermo-nos em polaco. Não preciso de gritar, ele já sabe no que estou a pensar.”

A sintonia dispensa grandes explicações e reforça uma relação construída antes da chegada de Kiwior ao Dragão. Na defesa, essa familiaridade transforma-se numa ferramenta competitiva.

Sem o protagonismo dos avançados na hora de marcar, Kiwior encontra outras formas de celebrar. Um corte decisivo, um golo evitado ou uma palavra de incentivo valem como pequenas vitórias dentro do jogo.

“Os avançados têm mais oportunidades para festejar golos. Eu não marquei na época passada, por isso um bom corte, um golo evitado ou dar um incentivo aos meus colegas são os meus momentos de festejo.”, sintetizou. “É sinal de que cumpri o meu trabalho e isso dá-me energia para a jogada seguinte. São pequenos gestos que me dão força.”

É a visão de quem mede o impacto para lá das estatísticas ofensivas. Para um defesa, a celebração pode nascer precisamente do lance que impede o adversário de festejar.

Os golos, quando surgiram, deixaram episódios caricatos. Depois de ser aconselhado a preparar um festejo, Kiwior viu a intervenção do fora de jogo adiar repetidamente o momento.

“No primeiro golo disseram-me para trabalhar o festejo. Eu prefiro não festejar a fazer uma grande festa e depois o golo ser anulado por fora de jogo. No jogo seguinte marquei, fui festejar para junto dos adeptos e tive o golo anulado outra vez.”, contou. “A minha mulher diz para eu preparar um festejo especial. Quando voltar a marcar, faço esse festejo para ela. Levámos a situação a brincar, mas espero que os próximos golos surjam quando mais precisarmos.”

O defesa tratou o episódio com leveza, mas guardou uma promessa. O próximo golo que resista à decisão da arbitragem terá um festejo especial e, espera Kiwior, chegará num momento verdadeiramente necessário.

O duelo com o Manchester City deixou um resultado aquém do desejado, mas também sinais que o central considerou encorajadores. A confiança com bola e a atitude coletiva sustentaram a convicção de que a equipa pode competir a um nível elevado.

“Senti-me bem com a bola nos pés e confiante. Quando as coisas saem bem no início, ganhas confiança para arriscar mais. O resultado não foi o melhor, mas o desempenho individual e a atitude da equipa contra uma grande equipa deixam sinais positivos.”, analisou. “Se corrigirmos alguns detalhes, podemos competir com qualquer um. Temos uma equipa jovem que pode crescer na Liga dos Campeões.”

Kiwior equilibrou a insatisfação com o resultado e a confiança no potencial. A margem de crescimento está nos detalhes, mas o central acredita que a juventude do grupo pode traduzir-se em evolução na Liga dos Campeões.

A presença polaca no plantel vai além da relação entre os dois centrais. Kiwior destacou também Oskar Pietuszewski e o papel agregador de Bednarek no quotidiano do balneário.

“O Jan Bednarek é como um pai para metade do balneário, ajuda toda a gente. Nós os três damo-nos muito bem. Tentamos ajudar o Oskar Pietuszewski, embora ele também goste de ter o seu espaço.”, descreveu. “Temos um ambiente excelente no balneário, o que ajuda a vir treinar com boa disposição, mesmo quando estamos cansados de jogar de três em três dias.”

A boa disposição surge como resposta ao desgaste de um calendário exigente. Nesse ambiente, Bednarek é apresentado como figura de apoio, enquanto Kiwior e Pietuszewski completam um núcleo polaco bem integrado.

A influência desse grupo, porém, encontrou limites no capítulo musical. As tentativas de levar canções polacas para o balneário não conquistaram os restantes colegas, embora a gastronomia tenha tido melhor acolhimento.

“O Jan Bednarek colocou duas ou três vezes, mas os nossos colegas não pareceram fãs. É difícil fazer apreciar música polaca a quem não entende a letra. Mas no almoço do título serviram pierogi, o que foi um bom toque polaco.”

Entre músicas pouco compreendidas e pierogi servidos na celebração, Kiwior encerrou a viagem com um detalhe descontraído. É mais um retrato de pertença: a identidade polaca mantém-se presente num balneário onde o defesa diz ter encontrado confiança, títulos e o lugar certo.

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