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·14 de agosto de 2026

Jô relembra início no Corinthians e bastidores do vestiário campeão brasileiro de 2005

Imagem do artigo:Jô relembra início no Corinthians e bastidores do vestiário campeão brasileiro de 2005
  1. Por Lucas Barreiros/Redação da Central do Timão

Cria das categorias de base do Corinthians, o ex-atacante relembrou momentos marcantes de sua primeira passagem pelo clube em entrevista ao quadro “Abre Aspas”, do Ge. Dentre vários assuntos, o ídolo alvinegro relembrou a estreia no profissional aos 16 anos, a compra de seu primeiro carro com o dinheiro do futebol e contou detalhes dos bastidores do elenco que conquistou o Campeonato Brasileiro de 2005.

Jô contou que a promoção ao time profissional aconteceu de maneira repentina. Segundo o ex-jogador, foi complicado. Ele ainda estava no primeiro ano de juvenil e, poucas semanas depois, já estava atuando entre os profissionais.


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“Foi muito complicado, porque era o primeiro ano de juvenil. Eu lembro que ia para casa e soltava pipa. Duas semanas depois, eu estava jogando no profissional. Para assimilar isso foi bem complicado, mas tive o auxílio da minha família. Meu pai e minha mãe, na época, falaram assim: “cara, agora é o que você estava trabalhando até aqui, agora é a sua chance”. Entrei numa transição em que muitos jovens estavam subindo. Na época, Rosinei, Abuda, Bobô, Betão, Coelho, uma série de jogadores para começar uma reconstrução de uma equipe vitoriosa. A pressão é muito grande. Só de vestir a camisa do Corinthians já é pressão, imagina com 16 anos, com um tanto de garotada. Mas acho que a gente se saiu bem. Praticamente a maioria, cada um foi para o seu canto seguir a própria carreira, e a gente conseguiu superar essa parte de transição”.

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Marcos Ribolli

Jô revela compra de Audi sem avisar os pais

Jô também relembrou o que fez com seu primeiro dinheiro recebido no futebol. No segundo ano como profissional, após renovar o contrato, ele decidiu comprar um carro importado sem avisar o pai. O ex-atacante contou que seu tio tinha uma concessionária e que foi até o local para escolher o veículo. O modelo escolhido foi um Audi.

“Eu fiz exatamente isso. Quando subi para o profissional, recebi um salário bem pequeno. No meu segundo ano de profissional, fiz uma renovação de contrato, lembro que era um valor até simbólico. Meu tio, na época, tinha uma concessionária de carro. Peguei esse valor e fui à concessionária sem avisar meu pai, sem avisar ninguém, sentei e conversei. Falei que queria pegar esse carro aqui. Na época era um Audi. Nem era coisa de adulto, era de um adolescente ainda, que sempre sonhou com coisas grandes. Peguei e comprei. Cheguei ao clube de carro. Na época, eles nem abriam a cancela”.

“O Andrés (Sanchez, ex-presidente do Corinthians) me mandou devolver o carro, mas foi meu sonho de adolescente. Meu sonho era sempre ter um carro importado. Eu sempre via os jogadores tendo um carro assim. Foi meu primeiro dinheirinho nesse tempo de profissional. Depois fui para a Europa, aí comprei a casa para os meus pais, para as minhas irmãs, as coisas fluíram”.

“Não tinha (habilitação). Quando eu ia jogar à noite, o Corinthians sempre fazia uma autorização, meu pai assinava me autorizando a jogar. Eu andava sem habilitação, errado, erradíssimo, mas era a minha vontade de andar de carro”.

Elenco campeão em 2005 e brigas

Na entrevista, relembrou como era aquele elenco do Corinthians campeão brasileiro em 2005, destacando a grande ênfase que cada detalhe trazia, ainda mais com a questão da MSI comandando o clube naquele momento.

“Realmente, você falou uma palavra fundamental: furacão. Foi praticamente uma das primeiras empresas a dirigir um clube, a MSI, do Kia (Joorabchian). Dentro de um clube do tamanho do Corinthians, toda vírgula se torna um furacão. Para algumas pessoas do clube, ceder espaço a um cara que veio de fora, tendo que movimentar as peças, tendo que fazer as coisas, foi muito difícil. A maioria era garotada. Depois que ele veio, trouxe Roger, Carlos Alberto, Carlitos, Mascherano, montou um time muito forte. Mas essa transição foi bem conturbada, foi bem difícil para conselheiros da antiga, porque ele, em partes, comandavam o clube. Um cara sensacional, o Kia, tenho amizade com ele até hoje, mas foi bem complicado”.

“Depois que chegaram os famosos, os “cobrões”, a gente conseguiu conduzir as coisas, e elas fluíram. Até na época o Tite também teve uma pequena confusão, porque ele (Kia) queria trazer um treinador de fora, e o Tite tinha feito um bom trabalho em 2004 com a garotada, então aí vêm os caras de fora. O começo foi bem conturbado, mas depois as coisas fluíram bem, tanto é que no fim de 2005 a gente foi campeão brasileiro”.

Jô também falou sobre o ambiente do elenco que conquistou o Campeonato Brasileiro de 2005. O atacante descreveu o grupo como bastante conturbado fora de campo, apesar da união demonstrada pelos jogadores durante as partidas. Segundo ele, havia discussões frequentes entre os atletas. citou episódios envolvendo Carlos Alberto, Roger, Fábio Costa, Marquinhos e Tevez.

“Hoje em dia falam que o vestiário tem que ser unido, para ganhar tem que ser todo mundo amigo. E eu falo que joguei em um clube em que ninguém era. Com exceção da gente, a garotada, era briga todo dia. Teve briga do Carlitos com o Marquinhos, teve Carlos Alberto com Roger, teve Carlos Alberto com Fábio Costa. Essa do Fábio Costa eu presenciei, achei que as coisas iam desandar mesmo”.

“A discussão era no sentido de querer melhorar, de querer fazer o jogo acontecer. E o Carlos Alberto era esquentado, o Fábio Costa era mais ainda, então foi uma confusão. Um pegou um cabo de vassoura, o outro pegou o rodo. Eu falei: “meu Deus do céu, isso aqui vai virar um caos”. Mas, quando entrava em campo, todo mundo corria um pelo outro. Você vê o Carlitos correndo igual a um maluco, e fala: “não posso correr menos do que ele”. Então, dentro de campo, isso era algo surreal. Mas fora era bem complicado, era bem conturbado o nosso vestiário”.

Jô relembra briga entre Tevez e Marquinhos

Questionado especificamente sobre uma discussão entre Tevez e Marquinhos, afirmou que não havia um lado certo no episódio. Segundo , Tevez era normalmente um jogador tranquilo e reservado, mas acabou perdendo a cabeça. Os dois posteriormente se desculparam e seguiram normalmente.

“Nesse episódio, não tinha quem estava certo ou errado. Os dois estavam errados, porque dois atletas profissionais não brigam. Ali a questão era de treinamento. O Carlitos era um cara muito tranquilo, quase não falava, ficava na dele. Tanto é que depois eu joguei com ele no City também, ele é a mesma coisa. Mas ali ele perdeu a cabeça e acabou brigando com o Marquinhos. Mas, com todo dia tendo uma confusão, a gente estava meio que se acostumando. “Hoje vai ser a confusão de quem?”. Então meio que ninguém escolheu o lado de ninguém. Os dois estavam errados, depois se desculparam, se falaram, e aí seguimos”.

Ex-atacante não vê justiça em dividir título de 2005

Jô também foi questionado sobre a possibilidade de o Internacional dividir com o Corinthians o título do Campeonato Brasileiro de 2005, marcado pelo escândalo da Máfia do Apito. O ex-jogador reconheceu a gravidade do episódio, mas afirmou que não considera justa uma divisão da conquista, destacando o desempenho do Corinthians durante a competição.

“Eu não sei se isso influenciou (Máfia do Apito), talvez sim, mas foi mérito nosso também. É que realmente foi um escândalo muito grande no Brasil, mas acho que essa divisão não seria justa. Até porque vai ter que tirar a casa da minha mãe e dividir também (risos). Com aquele dinheirinho, comprei um apartamento para minha mãe. Mas acho que não seria justo, porque a gente também fez um baita campeonato. Falam também do pênalti (em Corinthians x Inter), que realmente foi, não tem dúvida, mas a gente fez um baita campeonato. Isso faz parte do futebol”.

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