Jogador notifica o Grêmio, clube brasileiro faz cobrança pública e o principal motivo para renovar com Mec
A situação financeira do Grêmio voltou a ficar exposta nos bastidores do futebol brasileiro. E desta vez envolvendo cobranças de jogadores, dívidas em negociações recentes e até dificuldades para manter atletas importantes no elenco. Porque o que apareceu agora foi uma sequência de situações que ajudam a mostrar como o clube ainda tenta reorganizar as contas enquanto administra uma folha extremamente pesada — inclusive com jogadores que já nem fazem mais parte do elenco.
O primeiro caso envolve Gustavo Cuéllar. O volante já deixou Porto Alegre, voltou para a Colômbia e notificou extrajudicialmente o Grêmio cobrando valores que, segundo as informações divulgadas, giram em torno de R$ 15 milhões. E aqui existe um detalhe importante. Muita gente imaginava que a saída do colombiano teria acontecido de forma amigável, quase num “acordo de cavalheiros”. Mas não foi isso que aconteceu.
Na época da rescisão, Cuéllar já tinha aproximadamente R$ 6 milhões em salários atrasados para receber. Além disso, houve uma reunião extremamente tensa com dirigentes gremistas, especialmente com Paulo Pelaipe, num ambiente descrito como bastante pesado internamente. Depois disso, o Grêmio decidiu fazer um acordo maior para evitar problemas futuros com o jogador. A lógica foi simples: parcelar não apenas os atrasados, mas também valores do restante do contrato até 2027. E justamente por isso a conta cresceu até chegar perto dos R$ 15 milhões.
O problema é que o clube não conseguiu cumprir sequer as primeiras parcelas combinadas. A resposta gremista, nos bastidores, basicamente passa pela falta de fluxo de caixa neste momento. O clube reconhece a dívida, mas admite dificuldades para honrar os pagamentos imediatamente. E isso ajuda a explicar outra questão importante dentro do Grêmio hoje: a chamada “folha paralela”. Porque além da folha salarial dos jogadores que seguem no elenco, o clube ainda carrega pagamentos parcelados de atletas que já saíram. O próprio Cuéllar é um exemplo. Edenílson também segue recebendo parte de valores acordados na saída para o Botafogo. Ou seja: o Grêmio não paga apenas quem está jogando. Também continua pagando decisões financeiras do passado.
E, no meio disso, apareceu mais uma cobrança. Desta vez do Vitória, envolvendo a contratação de Wagner Leonardo. O executivo do clube baiano afirmou publicamente que o Grêmio ainda deve cerca de US$ 2,5 milhões pela negociação do zagueiro. A direção gremista rebate dizendo que o valor correto seria menor, próximo de US$ 1 milhão já vencido. De qualquer maneira, o ponto principal permanece o mesmo: existem parcelas atrasadas. Segundo a versão gremista, o clube tenta reorganizar os pagamentos dentro de um cronograma que ainda prevê novas parcelas até 2027.
Enquanto isso, outro tema que chama atenção envolve Arthur. Em entrevista ao canal de Rafael Sobis, o atacante revelou que recebeu propostas de clubes brasileiros que brigam por títulos importantes, mas escolheu voltar ao Grêmio por identificação com o clube. E o discurso dele começa a mostrar um movimento interessante. Arthur já falou mais de uma vez que está “fazendo sua parte” para permanecer em Porto Alegre. A tendência nos bastidores é que ele tente uma rescisão ou liberação facilitada junto à Juventus para reduzir os custos da operação.
Porque hoje o principal problema não é exatamente convencer o jogador. É a matemática. O contrato dele na Europa envolve cifras muito altas, salário pesado e valores que ultrapassam facilmente dezenas de milhões de reais. Por isso, existe a percepção de que seria mais fácil Arthur abrir mão de parte do vínculo com a Juventus do que o Grêmio conseguir comprar o jogador diretamente.
Gabriel Mec renovou contrato até 2031 e teve aumento salarial justamente para elevar sua multa rescisória no mercado brasileiro. A multa para o exterior segue em 50 milhões de euros, um valor considerado praticamente fora da realidade para o futebol sul-americano neste momento. Mas o ajuste salarial ajuda a evitar investidas nacionais que poderiam se aproveitar de uma multa doméstica menor.