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·04 de julho de 2026
Jogando nos campos do Senhor

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O exercício físico é de pouco proveito; a piedade, porém, para tudo é proveitosa, porque tem promessa da vida presente e da futura. 1 Timóteo 4:8
Aos 44 anos, o jovem reverendo Chase Hilgenbrick tem um função fundamental para a Igreja Católica à frente da diocese de Peoria, pequena cidade no estado norte-americano de Illinois.
Ordenado em 2014, passou por diversas paróquias do estado nos anos seguintes, antes de ser nomeado em 2020 como diretor vocacional da diocese de Peoria. No cargo, é ele o responsável por orientar o futuro dos homens a serviço da fé na cidade.
Mas antes de seguir a jornada da religião, Chase Hilgenbrick tentou o caminho dos gramados. Aposentado aos 26 anos, fez sucesso no futebol universitário e vestiu – com algum sucesso – camisas de times do Chile e dos Estados Unidos.
Mas o que explica uma mudança tão drástica? Segundo ele, a decisão veio ao perceber que o futebol não se mostrou uma alternativa plena para a vida.
“Foi então que questões mais profundas começaram a surgir: ‘Para que fui criado? Por que fui colocado nesta Terra? Deus, se Tu existes, qual é o plano para a minha vida?’”, disse Hilgenbrinck em entrevista ao canal de TV 25 News Now, nos EUA. “Foi passando tempo com Jesus no Santíssimo Sacramento, frequentando os lugares que, desde cedo, aprendi a reconhecer como a Igreja, e compreendendo a mensagem do Evangelho, que o próprio Senhor falou comigo e me convidou para um relacionamento mais profundo que, por fim, conduziu ao sacerdócio”, acrescentou ele.
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Nascido em 2 de abril de 1982 na cidade de Quincy, também no Illinois, Chase Michael Hilgenbrick é o caçula dos dois filhos do casal Mike e Kim – ele, gerente de uma empresa de fertilizantes, ela contadora de uma seguradora. Católico praticante, o casal acostumou os filhos a irem à missa a cada domingo. Tanto Chase quanto o irmão Blaise atuaram como coroinhas.
A paixão de Chase pelo futebol chegou a partir dos 5 anos. Começou a jogar ainda na escola e ganhou as primeiras oportunidades na seleção sub-17 dos EUA ainda no final da década de 1990. Foi para a Universidade de Clemson, na Carolina do Sul, onde se firmou como titular da zaga do Clemson Tigers na NCAA entre 2000 e 2003. Na equipe, atuou ao lado de Oguchi Onyewu, que mais tarde faria sucesso por clubes como Standard Liége, Newcastle e Sporting, entre outros times.

Chase Hilgenbrinck e outros jovens jogadores ao lado de Pelé (Imagem: Acervo pessoal, via 25 News Now)
Hilgenbrick se formou em 2004 e tentou uma vaga na MLS, mas não foi escolhido no draft da liga. No entanto, recebeu uma nova chance graças ao chileno Claudio Arias, que trabalhava como técnico de futebol em outra universidade e que prometeu ajuda para que o jovem zagueiro conseguisse um clube no Chile.
Ainda em 2004, Chase Hilgenbrick assinou contrato com o Huachipato, da primeira divisão chilena, mas não conseguiu impressionar e foi emprestado no ano seguinte para o Deportes Naval. Em 2006, trocou de clube e foi para o Ñublense, onde viveu os melhores momentos: atuando como lateral direito, firmou-se como titular sob o comando do técnico Luis Marcoleta e ajudou a equipe da cidade de Chillán a chegar ao vice-campeonato da Primera B, conquistando o acesso à primeira divisão do Chile em 2007. Virou um dos jogadores mais queridos pela torcida.

Chase Hilgenbrinck pelo Ñublense em 2007 (Imagem: Acervo pessoal, via 25 News Now)
Chase Hilgenbrick defendeu o Ñublense até 2007, quando decidiu voltar para os EUA. No começo de 2008, acertou com o Colorado Rapids, mas foi dispensado antes mesmo da estreia para que o time reduzisse gastos com salários. Foi então convidado para testes no New England Revolution e assinou contrato com a equipe no fim de março. Foi uma passagem curta, de menos de quatro meses. Em 13 de julho, o lateral entrou em campo pela última vez como profissional na vitória do New England Revolution sobre o Santos Laguna (México) por 1 a 0, em partida válida pela primeira rodada do Grupo B da Superliga norte-americana. Ali, aos 26 anos, após duas décadas sonhando com o futebol, Hilbenbrick pendurava as chuteiras.
A partir daí, o ex-jogador seguiria outra vocação. No meio de 2007, Hilgenbrick havia recebido um formulário de candidatura do diretor vocacional da Diocese de Peoria, destinado a homens que quisessem seguir a carreira sacerdotal. O jogador respondeu com um perfil autobiográfico de 20 páginas. Em dezembro, após encerrar a passagem pelo futebol chileno, desembarcou nos EUA para passar por uma bateria de avaliações.

(Imagem: Catholic Speakers)
E mais:
Ao se aposentar do futebol, Chase Hilgenbrick entrou para o seminário da Universidade de Mount St. Mary, em Emmitsburg, no estado de Maryland. A ordenação veio em 24 de maio de 2014, em Peoria, aos 32 anos. Como reconhecimento, voltou ao Chillán em maio de 2016 para celebrar uma missa na Capela de Santa Ana, a mesma que frequentava nos tempos de jogador do Ñublense.
“Ele entrou em contato comigo por e-mail e me pediu autorização para celebrar, como agradecimento à comunidade, sua primeira missa em nossa capela”, explicou à época o padre Luis Rocha, responsável pela capela, em declarações publicadas pelo site SoyChile. “Sua vinda me parece extraordinária. Apesar da distância, estará compartilhando com os fiéis de nossa capela, o que diz muito de sua qualidade como pessoa”, completou.
Ao assistir à Copa do Mundo de 2026, o padre Hilgenbrick diz ainda se imaginar dentro do gramado. Fã de Lionel Messi, ele entende hoje que sua dedicação faz mais sentido nas igrejas do que nos campos.
“Se você quer ser bom em algo, se quer alcançar a excelência, terá de sofrer. E a pergunta é: por que você está disposto a sofrer?”, disse ele. “E agora percebo que estou disposto a sofrer pelo evangelho. Estou disposto a sofrer para que as pessoas conheçam Jesus, estou disposto a sofrer para vencer este campeonato que chamamos de vida e para viver no céu para sempre.”
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