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·03 de abril de 2026
Jovem goleiro vive a expectativa de ser o primeiro brasileiro a atuar na seleção palestina

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Na década de 1960, Abdelrahmann Samara deixou a Palestina e atravessou o Oceano Pacífico em direção ao sul do Brasil em busca de uma vida melhor. Quase um século depois, as raízes trazidas pelo jovem, de origem humilde, são restabelecidas pelo seu neto, Diogo Samara, que se tornou o primeiro brasileiro convocado para defender a seleção palestina.
Natural de São Lourenço do Sul, o goleiro, de 19 anos, recebeu o primeiro chamado da federação palestina para atuar na Copa da Ásia sub-20. A convocação teve início em uma pesquisa informal nas redes sociais e virou um sonho real quase cinco anos depois.
"Um dia eu comecei a seguir o perfil da seleção da Palestina e também de páginas de esporte do país. Um tempo depois o treinador da seleção me chamou para perguntar se eu tinha origem palestina e eu respondi que meu avô havia nascido lá", contou o prodígio em entrevista exclusiva para oGol.
"Demorou um tempo até ele voltar a falar comigo. Me perguntou como estava minha situação, se eu estava atuando, e pediu alguns documentos que comprovassem a minha origem palestina. Depois disso passei a ter um contato mais frequente para o envio da documentação até que regularizasse a minha convocação", relembrou.
O sonho de representar o país asiático passou de geração em geração na família Samara até ser concretizado por Diogo. O pai, Luciano Lourenço, atuou por clubes do interior gaúcho e teve uma passagem pelo Criciúma, assim como os tios maternos que tentaram a sorte no futebol e também sonharam um dia em representar a Palestina.
"Eu sabia que no início era um sonho muito distante, mas aos poucos foi se tornando realidade. Quando a oportunidade surgiu, eu não precisei pensar duas vezes. Minha família sempre me apoiou muito, meus tios falam que estou realizando o sonho deles também, de toda a nossa família", revelou o goleiro.
A convocação de Diogo faz parte da preparação da seleção palestina para a disputa da Copa da Ásia sub-20. Porém, devido o conflito intensificado no Oriente Médio, a competição, que será realizada no Catar, foi adiada ainda sem previsão para a disputa. Apesar do desejo de atuar, Diogo afirma manter a ansiedade pela estreia controlada.
"Sou uma pessoa muito tranquila, sei que tudo vai acontecer naturalmente. Quero manter meu foco aqui para estar bem preparado para chegar o momento", ressaltou.
Desde a convocação, o goleiro passou a ter contato direto com a federação palestina e os companheiros de equipe através das redes sociais.
"A seleção tem um grupo próprio com os atletas e a comissão técnica onde passam as informações, além disso, também temos um grupo com alguns colegas que jogam na Noruega, em Dubai, na Espanha, na Suíça", explicou.
A convocação de Diogo faz parte da estratégia da Federação Palestina em reforçar a sua seleção com jovens jogadores com origem no país, visando a Copa do Mundo de 2030. O movimento ganhou força neste ciclo para o Mundial com atletas de grandes ligas europeias reforçando seleções da África, Ásia e América Central.
O avô de Diogo nasceu em Az-Zawiya, na província de Salfit, região castigada pelos conflitos históricos na Palestina. A quase 11 mil quilômetro de distância, a família Samara mantém viva a religião, a tradição e os costumes, enquanto espera por dias melhores para o país.
O jovem goleiro relembra com orgulho a história da vinda do avô para o Brasil.
"Meu avô era de uma família muito pobre na Palestina. Ele veio para cá para ganhar dinheiro e tentar ajudar de alguma forma ajudar aqueles que ficaram por lá", relembrou.
"Cresci com os meus tios contando as histórias dele, de como era a vida lá e de como ele veio morar no Brasil. Eu sempre tive uma relação muito forte com as minhas raízes e agora o futebol me dará a chance de viver isso também em campo", completou.
Sem esconder a consternação com os palestinos vítimas da guerra, Diogo revela se manter atualizado com a situação do país, mas prefere manter o seu foco nas lembranças boas que a Palestina lhe traz.
"É um sentimento de tristeza muito grande com o que acontece. Eu só desejo que a paz prevaleça entre os países. É o que eu sempre falo, eu só quero jogar futebol e defender a minha seleção. Eu evito ao máximo me envolver em assuntos políticos", ressaltou.
Diogo começou a sua carreira na região onde nasceu. Em Pelotas, o goleiro deu os primeiros passos no futebol pelo Progresso, clube tradicional no interior gaúcho pela formação de jogadores.
O destaque nas categorias de base levou o prodígio para Internacional, Sport e Planaltina, em Brasília. No Distrito Federal, as boas atuações do goleiro atraíram um convite para uma oportunidade no elenco principal do Pelotas para a disputa da Copa RS.
Diogo permaneceu no Lobão durante o segundo semestre da temporada passada à espera da sua estreia profissional. A chance para primeira partida surgiu na rodada final da competição, mas a desistência do time adversário com ausência na partida fez o goleiro apenas cumprir o protocolo inicial de jogo como titular, sem atuar de fato.
A estreia poderá ser nesta temporada na Série D. Na última semana, Diogo assinou o primeiro contrato profissional e foi anunciado como novo reforço do Azuriz, do Paraná, para a disputa do Brasileirão.









































