Central do Timão
·26 de março de 2026
Justiça cobra explicações do Corinthians e alerta para possível intervenção no RCE

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·26 de março de 2026

A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo proferiu nova decisão no âmbito do Regime Centralizado de Execuções (RCE) do Corinthians e determinou que o clube apresente esclarecimentos sobre divergências nas receitas declaradas. O juízo também advertiu que eventual falta de transparência poderá levar à nomeação de observador judicial ou até mesmo de interventor para acompanhar a gestão financeira.
A Central do Timão obteve acesso a decisão, assinada na última quarta-feira (25) pelo juiz Guilherme Cavalcanti Lamêgo, que analisa embargos apresentados pelo clube, por credores e pela administradora judicial, além de impugnações relacionadas ao plano de rateio de valores depositados em juízo.

Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians
Juiz rejeita recurso do Corinthians sobre leilão reverso
O Corinthians havia apresentado embargos de declaração contra decisão anterior que proibiu a realização de leilão reverso com valores já depositados judicialmente. O clube alegava obscuridade, defendendo que o mecanismo havia sido autorizado para receitas de venda de atletas e que não haveria motivo para tratamento diferente. O magistrado, no entanto, rejeitou o recurso e afirmou que a proibição decorre do próprio plano homologado no RCE.
“O indeferimento do leilão reverso relativo aos valores depositados nos autos decorreu não de ilicitude da medida, mas de ausência de previsão no plano homologado. Portanto, inexiste a alegada obscuridade”, diz trecho da decisão.
A decisão também trata de impugnações apresentadas por credores, que questionam inconsistências na lista utilizada para o rateio, incluindo duplicidades, ausência de créditos reconhecidos judicialmente e divergências entre valores executados e os considerados no plano.
A administradora judicial informou que há aproximadamente R$ 20,2 milhões disponíveis para distribuição, mas o plano de rateio foi contestado por diversos credores, que pediram a suspensão dos pagamentos até a correção do quadro. O juiz determinou que todos os credores sejam intimados para se manifestar antes de eventual homologação do rateio.
Divergência de receitas leva juiz a cobrar explicações do clube
Um dos pontos mais graves destacados na decisão envolve a existência de diferença significativa entre os valores de receita declarados pelo Corinthians para o cálculo da parcela de março, situação que já havia sido apontada pela administradora judicial Laspro e noticiada anteriormente pela Central do Timão.
Segundo a administradora, há discrepância de cerca de R$ 149 milhões na receita informada pelo clube em fevereiro de 2026, motivo pelo qual o juiz determinou manifestação imediata da diretoria.
“Intime-se o executado para manifestação quanto às inconsistências apontadas na declaração de receitas de fevereiro de 2026.”
Juiz alerta para possível intervenção judicial
Na parte final da decisão, o magistrado fez a advertência mais dura desde a aprovação do RCE e consignou que a falta de colaboração ou a apresentação de informações inconsistentes poderá levar à adoção de medidas de controle direto sobre o clube.
“Advirto, desde já, que a resistência no fornecimento de documentos e a apresentação de declarações de receitas inconsistentes acarretarão a nomeação de observador judicial ou interventor judicial, para garantir a efetividade e a lisura deste processo.”
A possibilidade de intervenção judicial no âmbito do Regime Centralizado de Execuções é considerada uma medida extrema e ocorre quando o juízo entende que há risco ao cumprimento do plano ou falta de transparência na gestão dos recursos destinados ao pagamento de credores.
A reportagem procurou o clube para manifestação, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.
Na última terça-feira (24), um coletivo de torcedores corinthianos protocolou pedido de intervenção judicial justamente na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo, por meio de petição distribuída por dependência aos autos do RCE.
Segundo os autores, a vinculação ao mesmo processo se justifica pelo fato de o clube estar submetido a um plano de pagamentos homologado judicialmente, o que, na avaliação do grupo, exige que eventual pedido de intervenção seja analisado pelo próprio juízo responsável pelo acompanhamento do regime.
Na ação, os torcedores afirmam que o Corinthians vive um quadro que classificam como um verdadeiro “sequestro político”, o qual, segundo eles, tem impedido a participação efetiva dos associados e comprometido os mecanismos de fiscalização interna e externa do clube. Para fundamentar o pedido, a petição reúne episódios ocorridos em gestões recentes, abrangendo desde o segundo mandato de Andrés Sanchez (2018–2020) até a atual administração.
A ação pede, em caráter liminar, o afastamento do presidente da diretoria, do Conselho Deliberativo, do Cori e do Conselho Fiscal, além de conselheiros que teriam participado ou se omitido diante do que o grupo chama de ruptura institucional. Os autores sugerem a nomeação do professor José Kobori como interventor na diretoria e de Hélio Viana para o Conselho, deixando a escolha dos responsáveis pelo Cori e pelo Conselho Fiscal a critério da Justiça.
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