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·01 de outubro de 2026

Justiça intima São Paulo a contestar processo de Casares que tenta anular expulsão do ex-presidente

Imagem do artigo:Justiça intima São Paulo a contestar processo de Casares que tenta anular expulsão do ex-presidente

A Justiça do estado concedeu o prazo de 15 dias para que o São Paulo apresente contestação na ação judicial movida pelo ex-presidente Julio Casares.

A citação foi determinada pelo juiz Valdir da Silva Queiroz Jr., da 9ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), em decisão publicada na última quarta-feira (30). O processo fora distribuído pelo ex-dirigente na segunda-feira (28).


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Na decisão, o magistrado dispensou a realização de audiência de conciliação presencial, fundamentando a medida na ausência de estrutura material e na necessidade de observância do princípio da razoável duração do processo, como informado pela ESPN.

O juiz ressalvou, contudo, que as partes permanecem livres para buscar composições extrajudiciais ou requerer o agendamento de audiência caso surja perspectiva concreta de acordo. A manifestação formal do clube é o passo que falta para o prosseguimento da instrução processual.

Defesa contesta “gestão temerária” e cita títulos

Julio Casares recorreu ao Poder Judiciário com o objetivo de reverter a acusação de gestão temerária e anular a pena de expulsão do quadro associativo do clube, deliberada pelo Conselho Deliberativo no dia 10 de setembro.

Na petição inicial, a defesa do ex-mandatário sustenta que sua gestão foi “regular, de boa-fé e aprovada pelos órgãos competentes”, argumentando a inexistência de apropriação indébita ou desvio de finalidade. O documento alega que o processo disciplinar interno foi deflagrado sob viés estritamente político no Morumbi.

Para respaldar a tese de regularidade administrativa, os advogados citam a conquista de títulos ao longo das gestões (iniciadas em 2021 e renovadas no pleito de 2023), como a Copa do Brasil de 2023, a Supercopa do Brasil de 2024, o Campeonato Paulista de 2021 e a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2025. A peça destaca ainda os ganhos comerciais do período, incluindo a negociação dos direitos de naming rights do Estádio do Morumbis e reestruturações financeiras supervisionadas por auditorias independentes e pelos Conselhos Fiscal e de Administração.

A defesa pondera que as contas dos exercícios de 2021 a 2024 foram formalmente aprovadas, concedendo ao ex-gestor o quitus estatutário. Em relação ao balanço de 2025 — rejeitado pelo Conselho Deliberativo —, os advogados argumentam que os pareceres técnicos prévios apontavam superávit de R$ 56 milhões e redução do endividamento em R$ 110 milhões, classificando a reprovação final no órgão colegiado como ato de cunho político.

Saques em espécie e citação a executivo

A petição aborda também a controvérsia sobre as movimentações em dinheiro vivo que somaram cerca de R$ 11 milhões entre 2021 e 2025. A defesa afirma que os montantes representavam fração marginal do orçamento global e destinavam-se ao pagamento de premiações operacionais (o chamado “bicho molhado”), despesas promocionais e serviços logísticos imediatos.

O documento argumenta que o pagamento de prêmios em espécie constitui prática histórica no futebol brasileiro e afirma que o procedimento teve continuidade na atual administração, presidida por Harry Massis. Para corroborar a alegação, a petição cita declarações públicas do atual executivo de futebol, Rafinha, sobre o uso de recursos em espécie no meio esportivo. A defesa reforça, ainda, a ausência de provas documentais que vinculem os saques a qualquer apropriação pessoal por parte do ex-presidente.

O caso ganhou desdobramentos públicos em julho, após o levantamento de despesas em cartões corporativos no valor de R$ 1 milhão durante o mandato. Em novembro do ano passado, Casares realizou o ressarcimento voluntário de R$ 560.401,74 aos cofres do clube. Além do desligamento do quadro social, a Comissão de Ética do São Paulo recomendou que o ex-dirigente seja acionado para indenizar eventuais danos materiais, em montante que ainda passará por apuração contábil.

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