Central do Timão
·23 de setembro de 2026
Justiça mantém condenação milionária ao Corinthians em processo de ex-jogador da base

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·23 de setembro de 2026

O Corinthians teve mantida, em segunda instância, uma condenação relacionada ao ex-lateral Daniel Marcos, que sofreu uma grave lesão no joelho enquanto defendia a equipe Sub-20 e encerrou a carreira aos 23 anos. Com atualização e incidência de juros, o valor devido pelo clube está estimado atualmente em cerca de R$ 3,5 milhões.
A decisão foi tomada pela 14ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2). O Corinthians havia recorrido após ser condenado em primeira instância, em maio, e conseguiu modificar apenas um dos pontos da sentença. As demais indenizações determinadas anteriormente foram mantidas.

Foto: Reprodução / Instagram
Segundo informações publicadas pelo ge, o processo tem como ponto central uma lesão sofrida por Daniel em dezembro de 2020, durante uma partida do Corinthians contra o Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro Sub-20. Na ocasião, o lateral teve comprometimentos no ligamento cruzado anterior (LCA) e no menisco do joelho direito.
Recurso altera apenas parte da condenação
No julgamento em segunda instância, o Corinthians conseguiu excluir uma indenização de R$ 204 mil relacionada ao seguro obrigatório contra acidentes de trabalho. O clube apresentou documentação para comprovar que Daniel possuía cobertura contratada durante o período.
A sentença inicial havia sido calculada em aproximadamente R$ 3 milhões. Apesar da retirada dos R$ 204 mil, a aplicação de juros e correção sobre os demais valores faz com que o montante atualizado fique novamente na casa dos R$ 3,5 milhões.
Entre as condenações mantidas está o pagamento de R$ 2.286.764,40 por danos materiais, em parcela única. Também foram preservados outros R$ 200 mil por danos morais. O valor final permanece sujeito à atualização monetária.
A Justiça do Trabalho considerou que a lesão sofrida pelo jogador configura acidente de trabalho, uma vez que ocorreu enquanto Daniel exercia sua atividade profissional em uma partida pelo Corinthians.
No voto que conduziu a decisão, o desembargador Homero Batista Mateus da Silva rejeitou o argumento apresentado pelo clube de que uma entorse poderia ocorrer em diferentes circunstâncias do cotidiano. O magistrado ressaltou que, no caso analisado, a contusão aconteceu durante uma partida disputada pelo atleta a serviço do Corinthians. O entendimento foi acompanhado de forma unânime pelos integrantes da 14ª Turma do TRT-2.
Procurado pelo ge, o Corinthians não havia se manifestado sobre a decisão até a publicação da reportagem original.
Lesão aconteceu ainda no Sub-20
A trajetória de Daniel após a contusão foi marcada por tratamentos, cirurgias e novas tentativas de retornar aos gramados.
Cerca de duas semanas depois da lesão sofrida em dezembro de 2020, o lateral passou pela primeira cirurgia. Em razão da estabilidade decorrente do acidente, posteriormente assinou um novo contrato com o Corinthians, válido até dezembro de 2024, com salário mensal de R$ 17 mil.
Em 2022, Daniel foi emprestado ao Cianorte, do Paraná. Durante a passagem pelo clube, voltou a apresentar um problema no mesmo joelho e precisou passar por uma segunda cirurgia, realizada sob responsabilidade do Corinthians.
No processo, a defesa do ex-jogador relatou dificuldades durante a recuperação, com dores e limitações que impediam a evolução esperada sempre que o atleta iniciava a transição para retornar às atividades.
Novas tentativas de retornar aos gramados
Daniel recebeu outra oportunidade de buscar sequência longe do Parque São Jorge em maio de 2023, quando foi cedido ao Ferroviário. A passagem, entretanto, durou aproximadamente um mês. O clube cearense devolveu o lateral ao Corinthians por entender que ele não reunia condições físicas para atuar.
Em junho daquele ano, o jogador foi submetido a uma terceira cirurgia.
O vínculo com o Corinthians chegou ao fim em março de 2024. Na ocasião, o clube rescindiu o contrato e pagou aproximadamente R$ 131 mil em verbas rescisórias ao lateral.
Daniel ainda tentou retomar a carreira posteriormente pelo Resende, do Rio de Janeiro, mas não conseguiu voltar a atuar regularmente. No início de 2026, aos 23 anos, anunciou a aposentadoria do futebol.
Agora, o caso permanece na esfera judicial após a decisão do TRT-2 manter a maior parte da condenação determinada em primeira instância.















