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·04 de setembro de 2026
Juventude pode conquistar feito inédito para o futebol sergipano neste sábado

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Capital do barco de fogo, denominada por Dom Pedro II como Jardim de Sergipe, a pequena Estância, com cerca de 65 mil habitantes, pode ter mais um motivo para ser reconhecida nacionalmente. O Juventude viajou até Aparecida de Goiânia com o plano de voltar com um troféu na bagagem: o primeiro título nacional de um clube sergipano no futebol profissional. A equipe sergipana decide o Brasileirão Feminino A3 contra o Planalto.
Quando superou a Portuguesa do Amapá, o Centro Esportivo Juventude, fundado em 2001 e bicampeão sergipano em 2024 e 2025, se tornou o primeiro time do Estado em uma final nacional.
No futebol masculino, o Confiança, na Série C (2019 e Série D em 2014), e o Itabaiana, na Série D (2024), foram os que chegaram mais longe, mas pararam nas semifinais. As meninas do Juventude, agora, têm a chance de ir além.
Como o técnico Ricardo Pereira gosta de ressaltar, o "DNA ofensivo" da equipe pautou a campanha até a decisão: são 28 gols marcados em 13 partidas, com apenas 6 sofridos. A artilheira da competição, Laureen, com 11 gols, é o grande destaque da campanha. Em conversa com oGol, a atacante falou sobre a chance de alcançar um feito inédito para o Estado neste fim de semana.
"Motiva muito (a chance do título inédito), pois o principal objetivo era o acesso. Um time pequeno do Nordeste, conseguindo um acesso para A2 e com essa meta concluída, estamos agora em busca do título", confessou.
Para isso, o Juventude precisa conseguir a reviravolta no placar contra o Planalto, após perder por 1 a 0 fora de casa (a primeira derrota na competição). O DNA ofensivo será colocado a prova.
"Como o professor diz, nossa defesa começa pelo ataque. Por mais que o primeiro jogo tenha terminado em derrota, não vamos deixar isso nos abalar, vamos em busca de mais. O Juventude é isso, raça, vontade e muito coragem", garantiu Laureen.
No gol, a equipe conta com Monique, que é a verdadeira "Rainha dos Acessos". Nesta temporada, Monique conseguiu o terceiro acesso seguido na A3, depois de ter subido com Vasco e Atlético Piauiense. Monique quer também o tricampeonato, já que levantou a taça nas duas campanhas. Ela seria a primeira jogadora a conseguir tal façanha.
Em conversa com a reportagem de oGol, Monique garante sentir essa final "como se fosse a primeira vez", "com a mesma fome de vencer". Apesar de jovem (23 anos), a goleira tem ainda no currículo um acesso na A2 com o Bahia, e fez parte do grupo das Mulheres de Aço na elite em 2021 e em 2023.
"Tudo que eu passei desde o início da minha história, lá no começo quando ainda estava na base, me deu casca para que quando eu vivesse momentos difíceis ou passasse por situações parecidas, pudesse olhar de forma diferente, agir, pensar e de certa forma também a fé em Deus. A resiliência daquela menina, que saiu do interior da Bahia (Trancoso) com tantos sonhos, me motiva a seguir todos os dias", garantiu.
Monique agora pensa em voos mais altos na carreira. "Meu momento atual é só um ponto de partida, um trampolim, para desfrutar de coisas ainda maiores que estão por vir", garantiu a menina de 23 anos que tem personalidade e maturidade que não condizem com a idade.
A venezuelana Shachenka Martínez, por sua vez, é a primeira estrangeira a jogar num time feminino do Estado. A meia, que só ficou sabendo desse feito quando chegou em Estância, tem apenas 21 anos e já havia defendido Recantro da Criança, Rio Negro e Ação. Natural de Caracas, Martínez veio ao Brasil aos 15 anos por conta da crise na Venezuela e usou o futebol como um escape da dura realidade no país.
"Fico feliz por estar vivendo o meu sonho, mesmo que para isso eu precise pagar esse preço de ficar longe de casa, perder datas comemorativas, momentos especiais. Mas aprendi a lidar, sei que quando venço, eles (família) também vencem comigo", disse a jogadoras.
Depois de acompanharem a trajetória de Sachenka nos primeiros anos no Brasil, os pais da venezuelana já voltaram para Caracas. Mas a meia segue vivendo o seu sonho, e almeja voos mais altos, como todas as atletas do elenco. "Creio que com essa vaga na A2, as coisas serão ainda melhores para a próxima temporada", afirmou.
A decisão será no Batistão, em Aracaju, às 21h30 (de Brasília) deste sábado. Sergipe viverá uma noite histórica para o futebol, seja qual for o desfecho.







































