Território MLS
·04 de agosto de 2026
Larry Berg é o novo comissário da MLS — conheça o executivo do LAFC que comandará a liga norte-americana

In partnership with
Yahoo sportsTerritório MLS
·04 de agosto de 2026

A MLS anunciou Larry Berg como próximo comissário, que sucederá Don Garber em 2027. Sócio-gestor do LAFC desde 2016, Berg chega com experiência de dono de clube, disciplina de private equity e assento nos comitês que discutem as principais reformas da liga — do teto salarial ao calendário europeu
Berg é sócio-gestor do LAFC desde 2016 e figura conhecida entre quem acompanha o clube de Los Angeles de perto. A escolha marca uma transição geracional na liga, às vésperas do ciclo pós-Copa do Mundo de 2026.
Berg cresceu na região da Filadélfia e joga futebol desde os 8 anos de idade. Formou-se em Economia pela Wharton School e fez um MBA na Harvard Business School.
Passou mais de três décadas na Apollo Global Management, onde atuou como sócio sênior de private equity. Se aposentou da firma em 2022 e migrou para a 26North, gestora fundada por Josh Harris.
Quem cobre o LAFC há anos reconhece o nome com facilidade. Berg entrou como sócio limitado em 2014, quando a MLS concedeu a franquia de expansão ao grupo liderado por Henry Nguyen. Em 2016, ele assumiu como um dos três coproprietários gestores, ao lado de Bennett Rosenthal e Brandon Beck.
Sob essa gestão, o LAFC estreou em 2018, construiu o BMO Stadium e conquistou dois Supporters’ Shields (2019 e 2022) e uma MLS Cup (2022). O clube hoje é avaliado em cerca de US$ 1 bilhão ou mais. Berg também é dono de participação minoritária na AS Roma, ao lado de Rosenthal, e já teve participação no Swansea City, do País de Gales.
Ele precisará renunciar à participação no LAFC para assumir o cargo com imparcialidade.
Como comissário da Liga, Berg não detém cargo formal, assento na diretoria ou função executiva na Federação Americana de Futebol. Ele se descreve como torcedor de longa data da seleção masculina dos EUA e já defendeu publicamente que as academias da MLS ajudam a liga e a seleção a superar o México no desenvolvimento de jogadores.
Como comissário, a proximidade com a US Soccer será inevitável — sanções, convocações, calendário e Copa Aberta exigem coordenação constante. A cooperação tende a fluir bem em pautas como a formação de jovens e a redução de conflitos de calendário.
A crítica recorrente à MLS como “Superliga americana” — por sua estrutura fechada, sem rebaixamento — não desaparece com a troca de comando. Mas a experiência internacional de Berg em Roma e em Swansea, ligas com promoção e rebaixamento, pode ajudar a reposicionar o discurso: uma liga fechada, mas de nível competitivo crescente, e não isolada do resto do futebol mundial.
Berg deve defender um aumento geral do investimento na liga, ainda que sem radicalismo. Ele já integra o comitê esportivo e de competição da MLS e está diretamente envolvido nas discussões atuais sobre teto salarial.
As propostas em pauta incluem um teto mais alto e flexível, com piso mínimo de investimento por clube — um modelo que distribui o gasto entre o elenco inteiro e mantém vagas de Jogador Designado para nomes de peso.
No LAFC, Berg apoiou um gasto competitivo, mas sem excessos. O clube aproveitou bem as vagas de DP (Designated Player) e trouxe nomes caros, como Bouanga, sem se igualar aos maiores investidores da liga. A expectativa é de regras que elevem o piso de qualidade em toda a liga, sem abrir mão do equilíbrio financeiro dos donos.
A grande questão agora é como o novo comissário defenderia uma possível expansão da regra, com possivelmente 4 nomes possíveis nos elencos, ponto que sempre é discutido quando a conversa vai para o lado de controles salariais demasiados.
O contrato com a Apple vai até a temporada 2028-29. As conversas para o próximo ciclo já começaram, com alguns donos mirando entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões por ano — bem acima dos cerca de US$ 250 milhões atuais.
Berg não é executivo de mídia, área que era o forte de David Nathanson, outro finalista ao cargo. Sua força está na negociação, proveniente do private equity, e na melhoria do produto — calendário europeu e regras de elenco mais competitivas. A aposta é que a qualidade em campo, aliada à experiência comercial do LAFC, fortaleça a posição da liga na próxima negociação.
Quem acompanhou o LAFC nos últimos anos viu um modelo que combina energia local forte, cultura de torcida diversa e um estádio lotado com identidade própria. O BMO Stadium tornou-se referência como arena pensada especificamente para futebol.
A liga também pode importar o investimento pesado em academia como motor de longo prazo, e um modelo de gestão múltipla — vários donos, mas decisões rápidas e alinhadas. Berg mostrou que dá para construir um clube competitivo sem ser sempre o maior gastador da liga.
Esse conjunto pode aparecer em exigências mais rígidas de estádio, em incentivos a academias e em um discurso de raiz local, mesmo com a globalização da liga.
Berg chega com experiência direta como dono e operador — construiu um clube do zero ao título. Soma disciplina em private equity e visão internacional de múltiplos clubes, além de trabalho técnico já realizado nos comitês que discutem as reformas atuais.
Garber, por outro lado, traz 27 anos de experiência institucional. Expandiu a liga de cerca de 10 para 30 equipes, construiu estádios, fechou o contrato com a Apple e atravessou crises. Ele segue no comando como presidente do conselho a partir de 2027, dando continuidade à transição.
Berg herdou uma base bem mais forte do que a que Garber encontrou. O desafio agora é elevar essa base.
Não há registro público de doações partidárias, de filiação ou de declarações ideológicas de Berg. Executivos de private equity costumam ter um perfil mais conservador em pauta fiscal, mas o histórico de Berg em conselhos de educação e no projeto Crisis Text Line, além da filantropia em arte com a esposa, Allison Berg, sugere um perfil mais central culturalmente.
Berg evitou política partidária em suas declarações públicas sobre futebol. A leitura mais provável é a de um comissário pragmático, focado no esporte e no negócio, sem bandeira ideológica, algo que, diante de como a FIFA se portou durante a Copa do Mundo, vale a pena acompanhar.
O maior desafio de Berg é elevar a MLS a um patamar entre as cinco melhores ligas do mundo, tanto no âmbito técnico quanto no comercial. Isso inclui formar jogadores capazes de conquistar títulos com as seleções americanas.
A estrutura fechada da liga, a concorrência das quatro grandes ligas americanas de outros esportes e o ceticismo em relação ao modelo de “Super Liga” seguem como obstáculos. O sucesso será medido pelo crescimento dos direitos de mídia, pelo respeito internacional e pela lucratividade sustentável dos clubes — não apenas pela expansão de franquias.
Berg é um nome de dentro da própria liga. Já entregou um clube modelo com o Los Angeles FC e participa dos comitês que discutem as maiores mudanças em curso, como o calendário europeu e as novas regras salariais.
O momento também pesa. A liga vive o embalo pós-Copa do Mundo de 2026, a transição para o calendário europeu a partir de 2027, negociações de convenção coletiva e de direitos de mídia pela frente, e a saída planejada de Garber depois de quase três décadas no cargo.
A lista final de candidatos incluiu Berg e David Nathanson, ex-executivo da Fox Soccer, sócio minoritário do Seattle Sounders e um dos investidores fundadores do Angel City FC, da NWSL. Nathanson tinha credenciais mais sólidas em mídia e em TV.
Paraag Marathe, presidente da 49ers Enterprises e envolvido com o Leeds United, era um dos três finalistas, mas desistiu antes da decisão final. Berg venceu a votação dos donos, que exigia maioria de dois terços.







































