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·29 de maio de 2026
Leões na gangorra: Final do Nordestão expõe volatilidade do futebol nordestino

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Nesta quarta-feira foi definida a grande final da Copa do Nordeste, que colocará frente a frente nos próximos dias Vitória e Fortaleza, um encontro inédito na decisão. Os jogos acontecem nos dias 3 e 6 de junho, com a partida derradeira acontecendo no Barradão, em Salvador.
Mais do que uma disputa entre duas das equipes mais tradicionais da região, a final inédita serve como um exemplo perfeito da volatilidade do futebol nordestino. Afinal, há um ano, quem diria que o Vitória seria amplamente favorito?
Na atual final da Copa do Nordeste, é o Vitória que chega com o favoritismo, melhor campanha geral e bons resultados em uma temporada bastante consistente. Do outro lado, o Fortaleza vive uma mudança de patamar abrupta após o rebaixamento para a segunda divisão.
Essa gangorra que vivem os dois leões pode ser exemplificada nos últimos anos. De maneira surpreendente, o Vitória ficou incríveis 16 anos fora da final da Copa do Nordeste. A última foi quando conquistou o título em 2010.
Mesmo 16 anos fora da final, o Vitória só perdeu o título de maior campeão da competição no ano passado, quando foi ultrapassado pelo rival Bahia. O Leão da Barra soma 4 titulos (1997, 1999. 2003 e 2010), contra 5 do grande adversário. Vale mencionar que o Nêgo se considera pentacampeão por uma edição não reconhecida pela CBF.
Esses 16 anos em que o Vitória esteve fora da final da Copa do Nordeste coincidiu com o grande crescimento do Fortaleza. Entre 2010 e 2025, o Leão do Pici conquistou seus três títulos na competição (2019, 2022 e 2024). O Tricolor foi campeão sempre que esteve em finais.
Além do sucesso regional, o Fortaleza conseguiu também uma boa sequência na elite do futebol brasileiro, com sete anos seguidos na elite, incluindo classificações para a Libertadores e duas campanhas entre o G4. A sequência foi interrompida ano passado, com o rebaixamento.
O ano de 2026 do Vitória só não é perfeito até aqui pela perda do título baiano na final contra o Bahia. Em 37 jogos, o time de Jair Ventura soma 17 vitórias, 10 empates e 10 derrotas. Apesar da fama do treinador de priorizar sistemas defensivos, o Leão mostra veia ofensiva, com 63 gols marcados e 44 sofridos neste período.
Depois de dois anos se salvando do rebaixamento somente na reta final do Brasileirão, o Vitória faz uma campanha segura, com 22 pontos em 16 jogos, ocupando o 11º lugar. Mas o ponto alto na temporada aconteceu há poucas semanas, quando o Leão eliminou o temido Flamengo na 5ª fase da Copa do Brasil.
O principal trunfo do Leão da Barra na temporada é o seu santuário. No Barradão venceu 14 dos 17 jogos que fez no ano, sustentando ainda uma invencibilidade de nove jogos. A última derrota foi em 25 de março, quando atuou com o time reserva contra o Botafogo da Paraíba pela Copa do Nordeste.
O ano do Fortaleza é marcado por instabilidades e o técnico Thiago Carpini já teve sua demissão em xeque por parte da torcida. O treinador, no entanto, mantém um time muito competitivo, que perdeu apenas 4 dos 34 jogos que fez na temporada. São 20 vitórias e 10 empates no histórico.
Com elenco modesto em relação aos times montados nos últimos anos, quando disputou Libertadores e esteve nas primeiras posições da Série A, o Fortaleza ainda não convive com grandes atuações e vive altos e baixos. Ainda assim, na equilibrada Série B soma 18 pontos, no quinto lugar e apenas 2 pontos atrás do líder São Bernardo.
Se não empolga, em contrapartida o Fortaleza mostrou força justamente quando mais precisou. O Leão do Pici foi campeão estadual contra o rival Ceará nos pênaltis e chegou nas oitavas de final da Copa do Brasil ao superar o CRB. Na Copa do Nordeste, a vaga no mata-mata só veio com gol no último minuto e chegar na final foi somente depois de vencer o Sport por 2 a 0 na Ilha do Retiro. O time da superação.
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