Leonardo Jardim ganhou uma Ferrari e quer usar pra transportar pamonha | OneFootball

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Jornal do Fla

·14 de agosto de 2026

Leonardo Jardim ganhou uma Ferrari e quer usar pra transportar pamonha

Imagem do artigo:Leonardo Jardim ganhou uma Ferrari e quer usar pra transportar pamonha
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Qualquer análise justa de um resultado precisa levar em conta não só seu contexto como também sua proposta. “Duas pessoas com ferimentos leves” é visto como um desfecho positvo para uma batida frontal entre dois ônibus lotados mas nem tanto pra uma sessão de teatro infantil, assim como “o espécime foi transportado com sucesso para Marte” é um triunfo da exploração espacial mas um grande fracasso se você entrou numa van em Niterói com destino a Caxias.

Então para analisar de maneira honesta o trabalho do português Leonardo Jardim no Flamengo, precisamos ver não só o que ele fez até agora, mas também o cenário que ele recebeu para iniciar suas tentativas e até mesmo o que ele está tentando realizar, pra começo de conversa.


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Leonardo Jardim recebeu aquele que, em tese, era o melhor time da América do Sul. Campeã da Libertadores e Brasileiro, a equipe rubro-negra havia praticado, no ano anterior, o melhor futebol do continente e brigando de igual pra igual com alguns dos melhores times do planeta. Um futebol ofensivo, agressivo, de pressão e criação, que uniu vencer e convencer e pareceu, pela primeira vez, dissipar a sombra da histórica equipe de 2019.

Algo bem diferente da proposta do português. Afinal, Jardim defende um futebol reativo, em que a posse de bola é oferecida ao adversário mas respondida com contra-ataques rápidos e eficientes, com menos pressão porém mais verticalidade para organizar o jogo e definir partidas.

Não que seja isso o que você vai observar se assistir qualquer jogo do Flamengo, claro. Atualmente marcamos mal demais para um time reativo e temos uma eficiência muito baixa para viver de contra-ataques, como se a equipe tivesse conseguido desaprender todas as virtudes do sistema de jogo anterior sem necessariamente aprender nada de positivo relacionado ao novo sistema.

Ou seja, Leonardo Jardim não apenas é o homem errado no lugar errado, como ele também está tentando fazer a coisa errada de uma maneira que visivelmente não está dando certo. E se você levar em conta que ele foi trazido pelas pessoas erradas, Bap e Boto, pelos motivos errados, já que a demissão de Filipe Luís foi causada muito mais por ego do que por resultados, você tem aí talvez uma das situações mais erradas da história do Flamengo. E olha que o Flamengo erra bastante.

Por isso, em termos frios de resultado, não existe do que reclamar sobre um empate fora de casa num mata-mata da Libertadores. Mas se você analisar os dois abismos que existem, um entre o que o Flamengo pode jogar e o que vem jogando, e outro entre o que seria o Flamengo ideal e o Flamengo que Leonardo Jardim tenta criar, é impossível ficar realmente feliz.

Nesse cenário em que não temos técnico, dirigente de futebol ou presidente, o que sobra é confiar nos jogadores. Confiar que apesar das ideias ruins de Leonardo Jardim, Paquetá vai resolver jogos, que apesar da ausência de planejamento de Boto, Bruno Henrique segue decisivo, que ainda que Bap não entenda nada de futebol, pessoas como Arrascaeta entendem demais. Porque se em 2025 fomos campeões com um grande trabalho do técnico, talvez 2026 seja o ano de ser campeão apesar das ideias do treinador.


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