Longe da força máxima, Estados Unidos vencem Haiti, mas placar esconde atuação irregular na estreia da Concacaf Sub-20 | OneFootball

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Território MLS

·28 de julho de 2026

Longe da força máxima, Estados Unidos vencem Haiti, mas placar esconde atuação irregular na estreia da Concacaf Sub-20

Imagem do artigo:Longe da força máxima, Estados Unidos vencem Haiti, mas placar esconde atuação irregular na estreia da Concacaf Sub-20

Equipe comandada por Gonzalo Segares faz 3 a 0 com dois gols de pênalti e um adversário expulso; O torneio também oferece uma das primeiras oportunidades para observar, em ambiente competitivo, como a US Soccer pretende colocar em prática seu novo modelo de desenvolvimento de jogadores.

Os Estados Unidos começaram sua caminhada no Campeonato Sub-20 da Concacaf com uma vitória por 3 a 0 sobre o Haiti. O resultado, porém, conta apenas parte da história.

Embora o placar transmita a impressão de uma atuação dominante, a equipe comandada por Gonzalo Segares marcou apenas uma vez com bola rolando, construiu a vantagem definitiva após a expulsão de um defensor haitiano e encontrou mais dificuldades do que o placar mostra.


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Mais importante do que isso, a seleção que disputa o torneio no México está longe de representar a principal geração disponível da US Soccer. O grupo faz parte de um projeto de desenvolvimento que prioriza o acompanhamento de diferentes ciclos de atletas e chega bastante desfalcado por conta do calendário da MLS e do futebol europeu.

Nesta segunda-feira (28), às 23h (horário de Brasília), os norte-americanos voltam a campo para enfrentar El Salvador, pela segunda rodada da fase de grupos, em um duelo que pode oferecer respostas mais claras sobre o potencial da equipe.

Uma seleção diferente do que muita gente imagina

Apesar de disputar o Campeonato Sub-20 da Concacaf, o grupo é tratado oficialmente pela US Soccer como sua seleção Sub-19.

Comandada por Gonzalo Segares, a equipe trabalha pensando no ciclo da Copa do Mundo Sub-20 de 2027 e é formada majoritariamente por atletas nascidos em 2007, além de alguns jogadores de 2008.

Trata-se de um grupo diferente daquele dirigido por Rob Valentino, responsável pelo Sub-20 que, em junho, realizou uma excursão pela Bulgária enfrentando as seleções Sub-21 da Geórgia e da Macedônia do Norte.

Ou seja, não se trata apenas de uma equipe reserva. São gerações diferentes convivendo dentro da nova estrutura criada pela US Soccer.

O elenco convocado para a competição reúne:

  • 15 jogadores da MLS;
  • dois da USL;
  • três que atuam na Europa;
  • um do college;
  • 15 jogadores nascidos em 2007 e seis em 2008.

Nem mesmo esta é a força máxima do Sub-19

O principal detalhe da convocação é que ela também está longe de representar o melhor elenco disponível para Gonzalo Segares.

Na comparação com o último período de preparação, realizado em junho, apenas 11 dos 21 convocados estiveram presentes naquele camp.

Entre os titulares da estreia diante do Haiti, somente Christopher Cupps, Colin Guske, Rubén Ramos e Nimfasha Berchimas participaram daquela atividade. Em outras palavras, sete dos onze titulares sequer haviam integrado a última preparação da equipe.

A lista de ausências ajuda a entender esse cenário.

Ficaram fora nomes como Cavan Sullivan, Mathis Albert, Adri Mehmeti, Julian Hall, Zavier Gozo, Peyton Miller, Neil Pierre, Harbor Miller, Snyder Brunell, Jonny Shore, Marvin Dills, Justin Ellis e Aiden Hezarkhani.

Em alguns casos, os atletas já ocupam um patamar superior dentro de seus clubes. Em outros, a coincidência entre o torneio, a retomada da MLS após a Copa do Mundo e a pré-temporada europeia dificultou a liberação.

Cavan Sullivan e Mathis Albert, por exemplo, ambos nascidos em 2009, já haviam atuado acima da idade durante o camp de março, mas ficaram fora da competição.

Já jogadores como Zavier Gozo, Peyton Miller, Neil Pierre e Julian Hall vivem momentos importantes em suas equipes e também não foram liberados.

Em uma análise especializada sobre o atual nível dessa geração dos Estados Unidos, o elenco levado ao México pode ser classificado como um grupo de nível “C”, justamente pela quantidade de ausências relevantes.

A própria fala de Gonzalo Segares após a convocação reforçou essa realidade. O treinador agradeceu aos clubes que colaboraram com a liberação dos atletas e tratou o torneio principalmente como uma oportunidade de oferecer minutos competitivos e acelerar o desenvolvimento do grupo disponível.

O que realmente aconteceu no 3 a 0

Os Estados Unidos começaram melhor a partida e controlavam as primeiras ações até que um problema na iluminação do Estádio Universitario BUAP interrompeu o jogo aos dez minutos.

A paralisação durou cerca de 13 minutos e reduziu o ritmo da equipe americana.

Depois da retomada, o Haiti conseguiu equilibrar as ações e passou a encontrar alguns espaços.

Din Klapija chegou a acertar o travessão antes de abrir o placar aos 38 minutos. Após boa jogada de Colin Guske pela direita, o atacante do RB Leipzig apareceu livre no segundo poste, dominou e finalizou no ângulo para marcar o único gol dos Estados Unidos com bola rolando, sendo o principal nome ofensivo da equipe na estreia.

Antes do intervalo, ainda houve uma longa revisão do VAR por um possível pênalti para os norte-americanos, mas o juíz decidiu não marcar.

Na volta para o segundo tempo, o Haiti viveu seu melhor momento.

A equipe adiantou a marcação, pressionou a saída de bola americana e obrigou Kayne Rizvanovich a trabalhar em algumas oportunidades.

O confronto mudou definitivamente aos 61 minutos.

Após jogada de Nimfasha Berchimas, Dylan Vanney finalizou dentro da área e Stanley Volcin impediu o gol com o braço. O defensor foi expulso, e Rubén Ramos converteu a cobrança de pênalti.

Com um jogador a mais, os Estados Unidos passaram a controlar o jogo.

Mesmo assim, o terceiro gol apareceu apenas na reta final, quando Jaidyn Contreras sofreu outro pênalti e Santiago Morales fechou o placar.

Um resultado mais confortável do que o desempenho

A vitória foi justa.

Os Estados Unidos criaram as melhores oportunidades, acertaram o travessão, foram eficientes nas áreas e aproveitaram os momentos decisivos da partida.

Mas o desempenho ficou distante de um domínio absoluto.

Dos três gols marcados, apenas um aconteceu com bola rolando.

Os outros dois vieram em cobranças de pênalti, sendo que a primeira delas ainda resultou na expulsão de um defensor haitiano.

Até aquele momento, o placar era de apenas 1 a 0, e o Haiti ainda buscava crescer no jogo.

Os próprios números reforçam esse equilíbrio. A partida terminou com posse de bola dividida e um volume ofensivo bem menor do que o placar final poderia sugerir.

Em outras palavras, o 3 a 0 foi construído muito mais pela eficiência da seleção americana e pelos acontecimentos decisivos da partida do que por um amplo domínio técnico durante os 90 minutos.

O torneio também mede um novo projeto da US Soccer

A ausência de tantos jogadores importantes não deve ser interpretada como consequência do novo modelo de desenvolvimento da US Soccer.

Ela acontece, principalmente, por questões de calendário e pela dificuldade de liberação dos atletas junto aos clubes.

O novo projeto entra em outro aspecto: explicar o que a federação pretende fazer com o grupo que conseguiu reunir.

Batizada de U.S. Way, a nova filosofia da US Soccer tem como objetivo fazer com que todas as seleções de base trabalhem de forma mais integrada, acompanhando de perto o desenvolvimento de cada jogador. 

A ideia já começou a ser colocada em prática.

Em janeiro, as seleções Sub-18, Sub-19 e Sub-20 realizaram atividades conjuntas, enquanto a estrutura técnica passou a trabalhar de forma integrada.

Hoje, o projeto reúne Mauricio Pochettino na seleção principal, Steve Cherundolo no Sub-23, Rob Valentino no Sub-20 e Gonzalo Segares no Sub-19, além dos treinadores responsáveis pelas demais categorias de base.

O objetivo é criar um caminho de desenvolvimento mais contínuo até a equipe principal.

Nesse contexto, a vitória sobre o Haiti representa mais do que três pontos.

Ela é o primeiro teste competitivo relevante de uma geração que ainda está sendo formada dentro dessa nova estrutura, o resultado foi positivo.

O desempenho, porém, mostra que ainda há bastante espaço para evolução e o duelo desta noite contra El Salvador deve oferecer um retrato mais fiel do estágio em que esse grupo realmente se encontra.

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