O Grêmio foi derrotado por 2 a 1 pelo Fluminense no Maracanã e o resultado marca a segunda derrota em jogos de maior peso na temporada. Primeiro o Gre-Nal, agora a estreia no Campeonato Brasileiro. Eram exatamente essas partidas que Luís Castro havia citado como parâmetro para avaliação do seu trabalho. E a cobrança, inevitavelmente, começa a aparecer.
Não se trata de dizer que o trabalho degringolou, muito menos de pedir a cabeça do treinador em janeiro. Mas também não dá para ignorar os sinais. O Grêmio até mostrou evolução em relação ao clássico, competiu mais, trocou golpes em alguns momentos e não foi dominado o tempo todo. Ainda assim, os problemas seguem claros — e alguns deles parecem velhos conhecidos do torcedor.
O início até gerou expectativa. Novo ano, vida nova, Tetê como esperança de diferencial, mas a escalação trouxe novamente nomes que a arquibancada não quer mais ver como protagonistas. Dodô e Edenilson voltaram a formar o meio-campo, repetindo uma dinâmica que pouco funcionou em 2025. Cristaldo, titular no Gre-Nal, sequer entrou. O roteiro começou a ficar familiar cedo demais.
O Grêmio teve dificuldades de organização, especialmente no meio. Tetê segue longe de render tudo o que pode, mas não dá para colocar a responsabilidade toda nele. Arthur tenta, se movimenta, busca jogo, mas não consegue carregar o time sozinho. Edenilson, mais adiantado, voltou a apresentar os mesmos problemas: pouca intensidade e dificuldade de dar fluidez.
Defensivamente, o time sofreu mais do que o placar indica. Weverton, que havia falhado no Gre-Nal, foi decisivo desta vez, salvando duas chances claras: uma de Kennedy no primeiro tempo e outra de Canobbio na segunda etapa. O Fluminense fez dois gols e poderia ter feito mais.
As mudanças melhoraram um pouco o cenário. A entrada de Pavón pela esquerda deu mais agressividade ao time, e foi a partir dali que o Grêmio conseguiu diminuir. Cruzamento, bola na área, e Carlos Vinícius, como centroavante, fez o que se espera dele: finalizou e marcou.
O que ninguém conseguiu entender veio logo depois. Precisando de um gol, o Grêmio viu seu centroavante, que acabara de marcar, ser substituído. Carlos Vinícius saiu visivelmente contrariado, e a decisão gerou estranhamento imediato. Se houve lesão, ainda não ficou claro. Se foi opção tática, a escolha pesa.
O Grêmio até tentou pressionar nos minutos finais, mas sem grande organização. Faltou clareza, faltou padrão e sobrou improviso. O time parece, em muitos momentos, mais desorganizado do que o Grêmio de Mano Menezes, algo que chama atenção negativamente para um trabalho que prometia justamente o contrário.
Não é caso de crise. Também não é caso de dizer que está tudo certo. A realidade é que o Grêmio virou o ano, mas ainda carrega muitos problemas do ano passado. Dodô e Edenilson seguem como figuras centrais, Tetê ainda não virou o diferencial esperado, e nem mesmo um gol do centroavante foi suficiente para mudar o rumo da partida.
No fim, quem saiu fortalecido foram Pavón e Weverton. Um pela postura ofensiva, outro por evitar um placar mais elástico. O Fluminense venceu com méritos e poderia ter construído algo maior.
O alerta está dado. Luís Castro não precisa ser descartado, mas precisa entregar respostas rápidas. Porque os jogos grandes chegaram cedo — e o Grêmio, por enquanto, segue devendo.