Território MLS
·08 de setembro de 2026
Luís Otávio abre o jogo sobre MLS, Internacional e convivência com Griezmann

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O começo de Luís Otávio no futebol não foi fácil. Nascido em Beberibe, no Ceará, Luís sempre demonstrou muita determinação e perseverança para ter sucesso no futebol.
Junto com seu pai, Gilson, viajava 160 km de moto para jogar e treinar pelo Juazeiro.
Ainda muito jovem, também teve que lidar com a dor da rejeição. Foram dois testes realizados, no Palmeiras e no Grêmio, e duas rejeições.
O destino, porém, o colocaria novamente no Rio Grande do Sul. Dessa vez, para um teste no rival colorado. Após uma semana de avaliações, o resultado foi diferente: a aprovação.
Daí em diante, tudo aconteceu rápido na vida do volante. Foram apenas dois anos no clube até sua estreia, justamente contra o time que havia rejeitado o jogador anteriormente.
Em outubro de 2024, com apenas 17 anos, Luis Otávio entrou aos 39 minutos da partida contra o Grêmio.
Ao todo, foram 28 jogos disputados pelo Internacional em pouco mais de uma temporada. Apesar da saída do clube, Luis continua acompanhando de longe: “Eu acompanho sempre que consigo. Tenho um carinho enorme pelo Inter, foi o clube que me formou e onde vivi praticamente toda a minha trajetória até vir para os Estados Unidos.”
No começo desta temporada, o Orlando City SC comprou o jogador por US$ 3,2 milhões, mais bônus.
Já são 23 jogos disputados com a camisa do Orlando City, e um deles foi especialmente marcante. Contra o Charlotte FC, em maio, marcou seu primeiro gol como profissional.
Antes de sua chegada, Luís confessou que já conhecia a MLS, mas se surpreendeu com o nível dos jogadores: “Quando você joga, percebe o quanto a liga cresceu. Tem jogadores muito rápidos, fortes, muita intensidade e cada vez mais qualidade técnica. Foi algo que me surpreendeu bastante. Hoje consigo entender por que tantos jogadores importantes estão vindo para cá.”
Entre esses jogadores importantes, um deles o Brasileiro vem conhecendo muito bem. Antoine Griezmann se juntou ao Orlando City e virou companheiro do volante. “Fora de campo ele é muito tranquilo, brinca bastante e trata todo mundo muito bem. Para um jogador jovem como eu, poder conviver com alguém que conquistou tudo o que ele conquistou é uma oportunidade enorme.”
Entrevista Completa:
Você subiu muito cedo para o profissional. Qual foi o maior desafio que você teve que enfrentar e quais jogadores do Internacional mais te ajudaram nesse processo de adaptação? O maior desafio foi me adaptar rápido ao nível do profissional. Quando você sobe muito jovem, passa a conviver com jogadores bem mais experientes e percebe que tudo acontece mais rápido, dentro e fora de campo. No Inter, o grupo todo me recebeu muito bem e isso facilitou bastante esse processo. Procurei aprender um pouco com cada jogador, observando muito o dia a dia. Um cara que teve uma passagem importante para mim foi o Fernando. Pela experiência e por conhecer muito bem as características da posição, ele me deu bons conselhos e sempre procurou me orientar. Foram conversas que me ajudaram bastante e que levo comigo.
Qual parte do seu jogo você acredita que já é um ponto forte e qual você acredita que ainda precisa ser desenvolvida um pouco mais? Eu gosto muito da parte de construção do jogo, de ter a bola, encontrar passes e ajudar o time a sair jogando. É algo que sempre trabalhei bastante desde a base e que combina com a forma como eu gosto de jogar. Ao mesmo tempo, sei que ainda tenho muita coisa para evoluir. Quero ficar cada vez mais forte nos duelos e melhorar principalmente a minha leitura em algumas situações defensivas. Tenho 19 anos, então seria até estranho achar que já estou pronto. Quero aproveitar justamente essa fase para evoluir o máximo possível.
Antes da sua chegada à MLS, você conhecia algo sobre a liga? O que tem achado do nível? Conhecia, acompanhava algumas coisas, mas é totalmente diferente quando você chega aqui e vive a competição. Acho que no Brasil ainda existe uma visão um pouco diferente da MLS, talvez de alguns anos atrás. Quando você joga, percebe o quanto a liga cresceu. Tem jogadores muito rápidos, fortes, muita intensidade e cada vez mais qualidade técnica. Foi algo que me surpreendeu bastante. Hoje consigo entender por que tantos jogadores importantes estão vindo para cá.
Com a experiência que você teve no futebol brasileiro e, agora, jogando na MLS, você acredita que a liga nos Estados Unidos é um ambiente mais tranquilo, em comparação com o Brasil, para o desenvolvimento de jovens jogadores? São ambientes bem diferentes. No Brasil, o jovem aprende muito cedo a conviver com pressão. Você joga em clube grande, perde duas partidas e já sente que o ambiente muda. Isso também te ensina muita coisa. Aqui eu sinto que existe um pouco mais de paciência com o processo. O clube entende que um jogador de 19 anos ainda vai errar, vai precisar aprender e ganhar experiência. Acho que isso dá confiança para você tentar, jogar e evoluir. Não diria que é mais fácil, porque dentro de campo a cobrança existe do mesmo jeito, mas talvez seja um ambiente que respeite um pouco mais o tempo do jogador jovem.
O Orlando é o atual nono colocado na Conferência Leste. O quão longe você acredita que vocês podem chegar nesta temporada? A tabela está muito equilibrada e a gente sabe que ainda tem muita coisa para acontecer. Claro que queremos estar mais acima, ninguém aqui está satisfeito em olhar a tabela e ver o Orlando em nono. Mas também sabemos da qualidade do nosso grupo. Temos jogadores que podem decidir partidas e mostramos em vários momentos da temporada o futebol que conseguimos jogar. Nosso pensamento agora é muito mais em construir uma sequência do que ficar fazendo conta. Se conseguirmos essa regularidade, acredito que podemos chegar muito fortes na parte decisiva da temporada.
O Internacional vive um momento de dificuldade nesta temporada. Você ainda acompanha os jogos? Como avalia este momento complicado do Inter? Eu acompanho sempre que consigo. Tenho um carinho enorme pelo Inter, foi o clube que me formou e onde vivi praticamente toda a minha trajetória até vir para os Estados Unidos. É claro que ninguém gosta de ver o clube passando por um momento difícil, principalmente quando você conhece pessoas que estão lá e sabe o quanto elas trabalham. Futebol tem esses momentos. Às vezes as coisas não encaixam e a confiança pesa bastante. Mas o Inter é um clube gigante, tem jogadores de muita qualidade e tenho certeza de que tem capacidade para reagir. Estou sempre torcendo de longe.
Você tem dois companheiros brasileiros no Orlando City: Iago e Tiago. Como é essa parceria com eles? Ter brasileiros facilitou a sua adaptação na chegada? Facilita demais. Você chega com 19 anos em outro país, outra língua, outra cultura, então ter brasileiros por perto faz diferença até nas coisas que não têm relação com futebol. Às vezes é uma conversa, uma brincadeira, sair para comer alguma coisa… são detalhes que deixam tudo mais leve. O Iago e o Tiago me receberam muito bem desde que cheguei e nossa relação é muito boa. Mas o grupo inteiro também me acolheu bastante, então isso fez com que eu me sentisse em casa muito rápido.
Você joga com Antoine Griezmann, uma grande estrela do futebol. O que pode falar sobre o dia a dia com ele? O que mais aprendeu? No começo é até engraçado porque você passou anos vendo o cara jogar Copa do Mundo, Champions League, La Liga… e, de repente, está treinando com ele todo dia. Depois isso vai ficando normal, mas você nunca deixa de observar. O que mais me chama atenção é como ele pensa rápido. Muitas vezes, antes de receber a bola, ele já sabe exatamente o que vai fazer. Tento prestar atenção nesses detalhes. E fora de campo ele é muito tranquilo, brinca bastante e trata todo mundo muito bem. Para um jogador jovem como eu, poder conviver com alguém que conquistou tudo o que ele conquistou é uma oportunidade enorme.
Além do Griezmann, você tem como companheiro o Justin Ellis, que tem chamado muito a atenção de todos. Ele é realmente um jovem diferente? É diferente, sim. E acho que o mais impressionante é que ele faz algumas coisas parecerem muito naturais. Tem jogador jovem que você percebe que está pensando demais antes de tomar uma decisão; com o Justin, muitas vezes parece que ele simplesmente joga. Ele tem muita qualidade e personalidade, não se esconde mesmo estando cercado de jogadores mais experientes. A gente brinca bastante no dia a dia, mas também conversa sobre futebol. Ele tem um potencial enorme e acho que ainda vamos ouvir falar muito dele.







































