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·03 de julho de 2026

Marco Silva assina contrato profissional com o FC Porto: “É um dia muito especial para mim”

Imagem do artigo:Marco Silva assina contrato profissional com o FC Porto: “É um dia muito especial para mim”

Marco Silva, recém-coroado campeão nacional de juniores, deu agora outro passo na caminhada ao assinar contrato profissional com o FC Porto, clube que representa desde 2022/23. O defesa-central de 17 anos falou de um sonho concretizado, revisitou a formação que o moldou e apontou já à meta seguinte: chegar à equipa principal. No meio da celebração de uma época marcante, não escondeu o sentimento que o guia e garantiu: “É um sonho realizado”.

No rescaldo de uma temporada em que ajudou os sub-19 portistas a conquistar o título nacional, Marco Silva surgiu como retrato acabado de uma geração que quer transformar formação em futuro. O jovem central, natural de Lousada, assinou o primeiro vínculo profissional e deixou uma ideia que atravessa todas as suas palavras: no FC Porto, crescer não é apenas jogar melhor, é aprender a pertencer.


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Perante o momento simbólico da assinatura, o jovem defesa falou com a solenidade de quem percebe o peso do passo que acaba de dar. Mais do que uma formalidade contratual, tratou o dia como uma meta pessoal antiga.

“É um dia muito especial para mim, por estar a assinar o meu primeiro contrato profissional para este grande Clube. É um sonho realizado e estou muito feliz, era um objetivo que tinha desde sempre.”

Há, nestas palavras, a alegria limpa de quem chega a uma estação importante sem perder a noção do caminho. O contrato profissional aparece, assim, menos como ponto de chegada e mais como validação de uma identidade que já vinha a ser construída.

Quando recuou ao início de tudo, Marco Silva desenhou um percurso de descoberta progressiva, primeiro pela influência familiar e depois pelos passos dados entre clubes até chegar ao universo azul e branco. O relato é simples, mas revela a naturalidade com que o futebol se foi tornando vocação.

“Surge quando o meu irmão entra para o futebol também e eu começo a vê-lo jogar.”, explicou. “Eu fui para o clube da minha terra e comecei a jogar também. A partir daí ganhei-lhe o gosto, estive um ano nesse clube e depois dois no ARD Macieira. A seguir passei pelo FC Penafiel, durante outros dois anos, depois o FC Porto contactou-me e eu vim para cá jogar.”

O central sublinhou ainda que o crescimento não foi linear nem fechado desde o início na posição que hoje ocupa.

“Foi um período de aprendizagem e também de desenvolvimento, porque eu nunca tinha sido central.”, descreveu. “Vim para o FC Porto só com dois anos como central, estava sempre a mudar de posição, e tentei adaptar-me para ver onde me encaixava melhor. É como central que me sinto melhor.”

“No início era avançado, mas depois baixei para médio por causa da altura.”, recordou. “Quando fui para o FC Penafiel já jogava como número seis ou central, e no último ano fixei-me como central.”

O percurso ajuda a explicar um traço importante do discurso: a noção de construção. Marco Silva não aparece como produto acabado, mas como jogador moldado por ajustes, aprendizagem e uma adaptação contínua até encontrar o lugar onde melhor se reconhece.

Ao lembrar a entrada na estrutura portista, o defesa falou do impacto competitivo da Dragon Force e da exigência que encontrou ao chegar. Foi um contacto precoce com um contexto em que a diferença de qualidade se sente logo no primeiro olhar.

“Comecei nos sub-14 e, quando entrei no FC Porto, encontrei os mesmos companheiros, só que havia equipa A e B.”, contou. “Nunca tinha jogado com os da A, percebi que tinham mais qualidade e por isso foi mais difícil habituar-me ao estilo de jogo deles.”

Também não escondeu que o caminho teve oscilações, minutos a mais e a menos, e até um contratempo físico numa fase delicada da formação.

“Houve fases em que joguei mais e outras em que joguei menos, mas a vida é feita de altos e baixos.”, reconheceu. “Nos sub-16 tive uma lesão que não me ajudou, mas no comecei a jogar mais nos sub-17 e sub-19.”

Esse retrato de adaptação e resistência encaixa na lógica de um processo formativo exigente, em que a progressão raramente é reta. O que emerge do discurso é um jogador que aprendeu a lidar com a dificuldade sem dramatizar, tratando-a como parte do ofício.

Questionado sobre aquilo que o define, Marco Silva foi direto ao centro da questão e trocou a linguagem técnica pela emocional. A resposta diz tanto sobre o jogador como sobre o clube em que cresceu.

“É a paixão por este Clube, defender este Clube até à morte.”, afirmou. “Acho que isso foi o que aprendi mais. Neste Clube não aprendi só a defender a baliza, aprendi tudo.”

A frase carrega o tipo de pertença que o FC Porto gosta de reconhecer nos seus jovens: mais do que executar, sentir. E ajuda a perceber por que razão o central fala da formação não apenas como escola de futebol, mas como espaço de construção pessoal.

Quando a conversa entrou na temporada do título nacional, o tom subiu de intensidade. Marco Silva falou de emoção, trabalho e da convicção que foi crescendo ao longo do percurso da equipa.

“Foi uma época incrível. Muita emoção e muito trabalho também, porque trabalhámos diariamente sempre atrás do mesmo objetivo.”, analisou. “Sabíamos que podia dar, a certa altura sentimos que podia dar para nós e lutámos sempre, nunca desistimos.”

Na mesma linha, resumiu o ano como uma fidelidade permanente à mesma ambição competitiva.

“Foi tudo igual, desde o dia em que começámos até ao fim.”, sintetizou. “Foi sempre igual, sempre com o objetivo de ganhar todos os jogos. Entrámos sempre para ganhar e trabalhámos diariamente para isso mesmo.”

Há uma ideia de consistência que atravessa estas palavras: a época não se explica por um impulso isolado, mas por uma rotina de exigência. O título, na leitura do defesa, nasce menos do acaso do momento e mais da repetição obstinada de uma intenção.

Ao falar do grupo e da mensagem transmitida pela equipa técnica, Marco Silva abriu a porta ao lado mais coletivo da conquista. O campeão, sugeriu, construiu-se tanto na brincadeira do balneário como na disciplina competitiva.

“Somos um grupo muito unido. No balneário, antes dos treinos, estamos sempre a brincar.”, sublinhou. “Puxamos sempre uns pelos outros e acho que isso ajudou a formar o campeão.”

Sobre as orientações recebidas, foi igualmente claro.

“Disseram-nos para nunca desistir, nunca deitar a toalha ao chão e lutar sempre até ao fim, sem desprezar os adversários.”

O retrato é o de uma equipa que juntou leveza e dureza, descontração e rigor. Não por acaso, a linguagem usada por Marco Silva repete ideias de união, persistência e respeito competitivo, três marcas que ajudam a decifrar a campanha.

Na hora de revisitar o instante da consagração, o jovem central deixou de lado a contenção e falou como quem ainda revive o turbilhão. A memória mais forte não foi tática nem racional: foi emocional.

“Foi um momento muito especial. Nem sabia o que fazer, nem sabia para onde ir.”, recordou. “Só me lembro de ter corrido para os braços do Filipe (Sousa), porque era um sonho que ele tinha no último ano de formação. Nós estávamos sempre a falar disso, só me lembro de ir abraçá-lo. Depois festejámos com tudo, só tinha vontade de gritar e de correr.”

Logo depois, e já com a época em perspetiva, reforçou o impacto do ano no seu crescimento individual e no lugar que a equipa conquistou na história do clube.

“Foi um ano de muito crescimento. Acho que foi a época em que aprendi mais.”, disse. “A nível individual, foi a época em que me desenvolvi mais.”

“É um impacto muito bom, porque ficar na história deste Clube não é para muitos.”, garantiu. “É uma sensação incrível fazer parte da história do FC Porto.”

“Acho que foi o golo do (Duarte) Cunha aos 90+5 minutos do último jogo contra o FC Famalicão. Acho que esse foi o melhor momento.”

Este feixe de memórias revela bem a escala do que viveu: houve crescimento, houve consagração e houve um instante-símbolo para guardar. Marco Silva fala do título com a alegria de quem o sentiu por dentro, mas também com a consciência de que certas épocas deixam marca para lá da idade em que acontecem.

No plano pessoal, o defesa-central enquadrou a evolução de forma ampla, sem separar o jogador da pessoa. É uma leitura coerente com tudo o resto: no seu discurso, formar-se é sempre mais do que competir.

“Como futebolista e como de pessoa, cresci em tudo. O FC Porto sempre me ajudou nisso.”, afirmou. “Agora quero continuar a ser o mesmo Marco a nível pessoal, mas ainda melhor a nível individual.”

Depois de olhar para trás, olhou em frente sem hesitar. E, para um jovem que acaba de assinar contrato profissional, o horizonte está traçado com nitidez.

“Sonho estrear-me pela equipa principal do FC Porto e jogar no Estádio do Dragão.”

É uma ambição dita sem rodeios e sem medo de ser grande. Depois do título e da assinatura, Marco Silva deixou claro que o próximo passo já lhe ocupa o pensamento: transformar promessa em presença, e formação em palco maior.

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