Jogada10
·19 de julho de 2026
Mesma origem, sintonia e muito amor: como Messi mudou a vida de Scaloni

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·19 de julho de 2026

Não é exagero dizer que a relação entre Lionel Messi e Lionel Scaloni, os dois grandes ícones do futebol atual da Argentina, atravessa cinco décadas. Afinal, o nome de batismo não é o único aspecto que os une. Com raízes na província de Santa Fé, foram companheiros de seleção na Copa de 2006 e se reencontraram para transformarem a geração do futebol do país. Neste domingo, a partir das 16h, contra a Espanha, podem ter o ato final juntos.
A expectativa é de muita emoção, não importa o resultado. Scaloni é famoso por ser o “chorão” na delegação argentina. A cada vez que o time vira um jogo dramático ou que fala dos feitos de Messi, o treinador se entrega às lágrimas.
“Messi mudou a minha vida. Eu pensei que a gente seria eliminado hoje, mas felizmente o meu time tem Lionel Messi. Ele venceu o jogo sozinho para nós. Eu te amo muito!”, celebrou Scaloni, após a épica virada sobre o Egito, por 3 a 2, nos 13 minutos finais das oitavas de final.
A frase que abre a declaração tem a ver com o fato de que o técnico começava sua carreira como auxiliar, aos 40 anos, quando assumiu interinamente a seleção. Sem experiência, ninguém imaginava que seria efetivado. Pouco a pouco, porém, ganhou a confiança do grupo e, sobretudo, de Messi.

EZEIZA, ARGENTINA – JUNE 3: Lionel Scaloni head coach of Argentina (L) talks with Lionel Messi prior to a training session on June 3, 2025 in Ezeiza, Argentina. (Photo by Marcelo Endelli/Getty Images)
Afinal, o peso da opinião do craque pode mudar tudo no futebol da Argentina. Quando foi perguntado sobre o que achava das ideias e do trabalho de Lionel Scaloni, logo após a primeira partida das Eliminatórias, em 2019, o atacante ponderou, fez críticas leves, mas mostrou que dava o seu aval.
“Creio que ele vai crescendo com a gente, é a sua primeira experiência. Vai cometendo erros e aprendendo. A verdade é que é muito difícil ser treinador da Argentina com tudo que rodeia a seleção. É difícil ser treinador, muito mais da Argentina por tudo que significa. Acredito que (Scaloni) seja bem-vindo com sua comissão. Vamos todos juntos”, disse Messi.
Por nove anos, a dupla compartilhou a mesma região da Argentina. Isso porque nasceram muito próximos, em Rosário, na província de Santa Fé. E Scaloni debutou na carreira de jogador no Newell’s Old Boys, assim como Messi futuramente faria. Quando o Lionel mais velho se transferiu para o Estudiantes, em 1996, o futuro melhor do mundo já dava seus primeiros chutes no Centro de Treinamento do clube rubro-negro.
Segundo relatam, não chegaram a se conhecer pessoalmente. O técnico passou a ouvir falar de Messi já nas categorias de base do Barcelona, quando também jogava e vivia no país. Então, a partir de 2005 desenvolveram uma relação de amizade na seleção. Afinal, Messi, aos 18 anos, já era convocado por José Luís Pékerman. Scaloni, por sua vez, foi um lateral e volante com limitação técnica, mas muita raça, inteligência e obediência tática.
Há ao menos três registros durante a Copa de 2006 que mostram o carinho entre os dois. Seja sentados lado a lado no banco de reservas ou em um abraço afetuoso após a partida em que Messi marcou seu primeiro gol em Copas, contra a Sérvia, pela fase de grupos.
Onze anos e três Copas depois, voltaram a se cruzar, quando Scaloni virou um dos auxiliares de Jorge Sampaoli na seleção. No entanto, o primeiro resultado foi um desatre. Afinal, o time tinha problemas em assimilar as ideias do treinador, e a Argentina foi eliminada nas oitavas do Mundial de 2018, levando quatro gols da França. Com isso, ampliou o jejum para 36 anos desde que Maradona liderou o bicampeonato.
Nesta época, Scaloni já era o mais próximo do grupo. Tanto por ter sido companheiro de alguns no campo, quanto pela personalidade acolhedora. E foi essa característica que o garantiu no cargo posteriormente. O diagnóstico de time e federação era de que a união e o diálogo eram os fatores fundamentais que faltavam.
“Não tomo nenhuma decisão sem consultar Messi”. Não faz sentido dizer que sou eu quem manda. Sempre conversamos com Messi sobre todas as decisões que tomamos. Pergunto a ele o que pensa, como está, e tentamos chegar a um acordo”, confirma Scaloni, sem nenhum receio de inverter a hierarquia.
Sob a orientação da dupla Scaloni/Messi, a Argentina alterou a rota e, enfim, voltou a ser campeã. Multicampeã, aliás. Primeiro, a Copa America de 2021, no Maracanã, em período de pandemia. Depois, claro, o título mundial de 2022, no Catar, para coroar o ciclo perfeito e dar a Messi a glória que faltava. Como se não bastasse, veio mais uma Copa América em 2024, confirmando a hegemonia no continente.

A dupla de Lionels se abraça no Catar, palco do título mundial – Foto: Alexander Hassenstein / Getty Images
“Este time é impressionante, continua crescendo jogo a jogo. Cada vez joga melhor. Comparar com o Barcelona (onde jogou), que foi o melhor da história do clube, é muito ainda. Mas acho que este time está perto pelo que demonstrou, por ter conquistado a Copa América e a Copa do Mundo. Temos grandíssimos jogadores e, jogue quem jogar, não se nota, porque o estilo de jogo está muito marcado”, explicou o craque, em entrevista recente.
Nesta Copa, que deve ser a última de Messi, a equipe mantém seu estilo consagrado e, apesar das dificuldades, chegou à final na base de muito comprometimento, resiliência. O grupo é experiente e esbanja confiança, afinal, 16 nomes da conquista de 2022 foram convocados. Bem ao estilo da família Scaloni ou a “Scaloneta”.







































