Território MLS
·17 de setembro de 2026
Messi chega a 100 gols, Inter Miami vence Cruz Azul e conquista Campeones Cup

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·17 de setembro de 2026

Messi marcou de cabeça, deu assistência para Casemiro e chegou ao 48º título da carreira; Kily González estreou no comando do Miami levantando uma taça
O Inter Miami é campeão da Campeones Cup. Nesta quarta-feira (16), a equipe venceu o Cruz Azul por 2 a 0, no Nu Stadium, com gols de Lionel Messi e Casemiro, conquistando pela primeira vez o torneio que coloca frente a frente os campeões da MLS e da Liga MX. A decisão também marcou a estreia de Cristian “Kily” González no comando da equipe.
Messi ainda atingiu números históricos na noite, o argentino marcou seu 100º gol pelo Inter Miami em apenas 115 partidas, chegou a 929 gols na carreira e levantou o 48º troféu de sua carreira (4º pelo Inter Miami). Depois de abrir o placar, também cobrou o escanteio que terminou no segundo gol, marcado por Casemiro.
O Cruz Azul começou melhor e passou boa parte dos primeiros 20 minutos instalado no campo ofensivo, circulando a bola de um lado para o outro e aproveitando principalmente as subidas de Jeremy Márquez. Aos seis minutos, Carlos Rodríguez participou da construção pelo lado esquerdo, Érik Lira virou o jogo e Márquez conseguiu avançar pela direita antes de rolar para José Paradela, que finalizou com perigo e obrigou Dayne St. Clair a fazer uma boa defesa logo no começo.
O time mexicano continuou encontrando espaços, principalmente pelos lados, enquanto o Inter Miami tinha dificuldade para sair do seu campo, mas a primeira sequência realmente perigosa da equipe da casa terminou em gol. Aos 24, Jesús Orozco tentou encontrar Nicolás Ibáñez com um passe entre as linhas, Casemiro antecipou e já iniciou a transição, a bola passou por Facundo Mura, Yannick Bright, Messi e Rodrigo De Paul até voltar novamente para Mura pelo lado direito, o lateral encontrou Luis Suárez atacando a linha de fundo e o uruguaio cruzou na medida para Lionel Messi aparecer dentro da área e marcar de cabeça.
Foi o 100º gol de Messi com a camisa do Inter Miami, alcançado pouco mais de três anos depois do primeiro, marcado justamente contra o mesmo Cruz Azul, na estreia do argentino pelo clube em 2023.
Depois do gol, o Miami passou a jogar com mais tranquilidade e conseguiu construir uma das melhores jogadas do primeiro tempo. Casemiro encontrou Suárez entre as linhas, o camisa 9 tocou de primeira para Matías Galarza, que acionou Messi mais aberto pela direita, o argentino viu Suárez atacando o espaço e fez um lançamento perfeito por cima da defesa, o uruguaio dominou no peito e tentou encobrir Kevin Mier, mas Willer Ditta conseguiu tirar praticamente em cima da linha.
O Cruz Azul voltou a ameaçar na reta final do primeiro tempo, principalmente quando conseguiu acelerar depois das perdas de bola do Miami. Aos 40, uma pressão no campo ofensivo terminou abrindo um espaço enorme para o contra-ataque mexicano, Matías Galarza precisou parar Carlos Rotondi e recebeu cartão amarelo, enquanto, logo depois, Agustín Palavecino encontrou espaço pelo meio e finalizou de longe para outra defesa de St. Clair.
O segundo tempo começou com o Cruz Azul novamente tentando ocupar o campo ofensivo, mas o Miami passou a encontrar muito mais campo quando recuperava a bola. Aos 55 minutos, Galarza iniciou a transição, Suárez recebeu com espaço no meio e percebeu Messi atacando as costas da defesa, o uruguaio fez o lançamento e o camisa 10 saiu cara a cara com Kevin Mier, tocando no canto para fazer o segundo, mas o impedimento foi marcado e o gol acabou anulado.
As alterações de Joel Huiqui deram novo fôlego ao Cruz Azul, principalmente com as entradas de Alan Mozo e Gabriel Fernández. Mozo recebeu pelo lado direito e cruzou para Fernández aparecer no meio da área, o atacante desviou de cabeça e acertou a trave de St. Clair, no rebote, Paradela tentou finalizar com o gol aberto, mas Casemiro apareceu de carrinho para bloquear e manter o Miami na frente. Foi a melhor oportunidade mexicana na partida.
O Cruz Azul continuou precisando buscar o empate, mas o Inter matou a decisão aos 81 minutos usando uma arma que já virou rotina. Messi cobrou escanteio pela esquerda e Casemiro subiu para cabecear e fazer 2 a 0, chegando ao quarto gol desde que chegou ao clube. Todos os quatro gols do brasileiro pelo Miami nasceram em escanteios e foram marcados de cabeça, os três últimos com assistência de Messi.
Já nos acréscimos, Paradela ainda teve uma cobrança de falta muito perigosa, mas St. Clair voou para fazer outra grande defesa e garantir o título. 📊 Estatísticas
Lionel Messi — craque do jogo: é muito difícil assistir a uma partida do Inter Miami e sair com outro nome como melhor em campo. Messi combina duas coisas que normalmente não aparecem juntas nesse nível, é extremamente participativo e, ao mesmo tempo, muito efetivo, então toda vez que recebe a bola perto do ataque alguma coisa perigosa acontece. Contra o Cruz Azul, criou três chances, foi o jogador com mais grandes chances criadas em campo, marcou o primeiro gol, teve outro anulado por impedimento e ainda cobrou o escanteio que terminou no gol de Casemiro. Chegou aos 100 gols pelo Inter Miami, 929 na carreira e ao 48º título, mantendo uma sequência de decisões que já parece normal para ele.
Luis Suárez: é praticamente o único jogador do Inter Miami que, com alguma frequência, consegue disputar protagonismo com Messi. Suárez não precisa participar tanto da construção para ser decisivo, porque quase sempre é muito eficiente nas poucas vezes em que aparece perto da área, deu uma assistência perfeita para o gol de cabeça de Messi e ainda teve uma grande oportunidade depois de dominar no peito o lançamento do argentino, tentando encobrir Kevin Mier antes de Willer Ditta salvar quase em cima da linha. Terminou com apenas três finalizações, mas participou de algumas das melhores jogadas ofensivas do Miami e continua vivendo uma fase muito boa.
Casemiro: sem dúvida sua melhor atuação desde que chegou ao Inter Miami. O brasileiro foi importante desde o primeiro gol, quando antecipou o passe de Jesús Orozco e já iniciou a jogada que terminou com Messi abrindo o placar, apareceu novamente no segundo tempo para bloquear de carrinho a finalização de Paradela depois da bola na trave e fechou a partida marcando de cabeça. Além do gol, terminou com o maior número de ações defensivas e passes da equipe, acertou 92% das tentativas e completou nove de 14 passes longos, uma taxa muito melhor do que vinha apresentando nesse tipo de lançamento.
A estreia de Kily González no comando do Inter Miami terminou com título, mas ainda é cedo para tentar enxergar uma identidade própria do novo treinador. O time que enfrentou o Cruz Azul foi muito parecido com aquele utilizado por Guillermo Ángel Hoyos, tanto na escalação quanto na maneira de jogar, com Matías Galarza aparecendo como principal novidade entre os titulares, então o que vimos nesta quarta-feira esteve muito mais próximo de uma continuidade do trabalho anterior, agora com uma nova figura na beira do campo, do que um Inter Miami já com o dedo do Kily.
O Miami atravessava uma fase ruim antes da troca, passou cinco partidas sem vencer, com quatro derrotas e um empate, quebrou a sequência com a goleada por 7 a 1 sobre o Montréal e depois voltou a empatar três vezes seguidas, contra Atlanta United, Chicago Fire e Nashville. A base do time nunca foi terrível, os últimos resultados também não mostravam uma equipe completamente quebrada, mas faltava voltar a vencer, e fazer isso justamente em uma final contra um adversário do nível do Cruz Azul pode ser importante para mudar o momento.
Talvez o melhor sinal da noite tenha sido o clean sheet. O Cruz Azul terminou com 17 finalizações, mas apenas quatro foram no gol e o xG ficou em 0,63, então não foi uma partida em que Dayne St. Clair precisou salvar o Inter Miami o tempo inteiro, mesmo tendo feito boas defesas. A equipe sofreu pressão, principalmente no começo do jogo e em alguns momentos do segundo tempo, mas conseguiu limitar bastante a qualidade das chances de um adversário forte.
O grande responsável pela ótima atuação defensiva da equipe é Casemiro, que finalmente conseguiu entregar uma partida realmente completa desde que chegou ao clube. Além do gol, participou da origem do primeiro ao antecipar o passe de Jesús Orozco, apareceu com uma interceptação decisiva no segundo tempo e foi muito mais seguro com a bola, inclusive nos passes longos, algo que já vinha tentando bastante sem a mesma precisão. Quando Casemiro consegue defender a área, iniciar jogadas e ainda oferecer esse perigo absurdo nos escanteios, a defesa do Miami muda de nível.
A bola parada, inclusive, foi uma das coisas que sobreviveram imediatamente à troca de treinador. O quarto gol de Casemiro pelo clube saiu novamente em escanteio, e os três últimos tiveram assistência de Messi. É uma arma construída durante o período de Guillermo Hoyos que Kily não teve nenhum motivo para abandonar, e essa talvez seja uma das questões mais interessantes das próximas semanas, entender o que ele pretende manter do trabalho anterior e onde começará a colocar suas próprias ideias.
Outro fator fundamental para a baliza zero foi Rodrigo De Paul, que apareceu muito mais comprometido defensivamente e mais próximo da função de segundo volante que marcou boa parte de sua carreira, participando da pressão, voltando para defender e deixando de permanecer constantemente próximo da área adversária. No Inter Miami, muitas vezes ele vinha ocupando zonas muito avançadas e deixando Yannick Bright sozinho na sustentação, contra o Cruz Azul esse posicionamento mudou, e um De Paul mais comprometido como aquele que vimos no Atlético de Madrid e na seleção argentina oferece muito mais equilíbrio para a equipe.
Matías Galarza também ganhou sua primeira oportunidade como titular depois de estrear contra o Nashville e ainda mostra sinais de adaptação, embora ofereça um perfil diferente de Telasco Segovia. Galarza é menos físico, enquanto Segovia dá ao meio-campo mais capacidade de carregar, pressionar e disputar duelos, então será interessante entender se o Kily pretende realmente mudar essa peça ou apenas testar alternativas. Existe até a possibilidade de reorganizar o ataque, usando Segovia mais adiantado e aproximando Messi de Suárez, mas uma partida ainda é muito pouco para tirar qualquer conclusão sobre isso.
A volta de Micael, que entrou no segundo tempo, também aumenta as opções defensivas para o novo treinador, o brasileiro vinha sendo titular antes da lesão e não atravessava seu melhor momento, mas volta agora em um cenário diferente, com Kily começando praticamente do zero na definição de hierarquia do elenco.
Por isso, não vimos nesta final o “Inter Miami de Kily González”. Vimos muito mais a estrutura deixada por Guillermo Hoyos, com uma energia diferente pela troca de treinador, funcionando bem o suficiente para vencer uma decisão, o jogo contra o San Diego FC, no fim de semana, já pode começar a mostrar mudanças mais claras, mas provavelmente serão necessárias algumas partidas até aparecer de fato a cara do novo trabalho.
Mas o fato é: Kily chegou como campeão.
A Campeones Cup é o quarto troféu conquistado pelo Inter Miami desde a chegada de Messi, depois da Leagues Cup de 2023, do Supporters’ Shield de 2024 e da MLS Cup de 2025. O argentino mantém uma sequência: conquistou pelo menos um título em cada temporada completa ou parcial desde que chegou à Flórida. A vitória ainda igualou o histórico da Campeones Cup, agora com quatro conquistas de clubes da MLS e quatro da Liga MX.
O calendário não deixa muito tempo para comemorar. O Inter Miami volta a campo no domingo (20), às 20h de Brasília, quando recebe o San Diego FC, novamente no Nu Stadium, pela MLS. O Cruz Azul retorna ao México e enfrenta o Monterrey no sábado (19), pelo Apertura da Liga MX.







































