Portal dos Dragões
·29 de maio de 2026
Miguel Coelho: “Esta raiva de vencer trouxe-nos algo mais”

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Miguel Coelho foi o treinador que voltou a conquistar uma dobradinha no voleibol feminino ao serviço do FC Porto, depois de o ter conseguido no Porto Vólei, em 2014/15, e no AVC Famalicão, em 2015/16.
No ano passado disse que o FC Porto teve mais tempo para preparar a temporada e o objetivo era estar nas decisões. Não só esteve, como as ganhou. Foi a época perfeita?-Foi uma época perfeita em termos de resultados finais. Tínhamos, bem cedo, a noção de que este plantel nos daria a oportunidade de lutar por títulos. Foi assim que fomos até ao fim, com uma época mágica em todos os sentidos, no que toca à preparação diária, ao rendimento nos jogos principais e nestas lutas pelos títulos. Foi uma época absolutamente mágica em todos os sentidos.
Para quem queria estar nas decisões, depois era obrigatório ganhar?-Obrigatório não, porque isso seria um enorme desrespeito pela competição e acho que este ano tivemos a melhor Liga de sempre e, por isso, também a melhor Taça de Portugal de sempre. Encarámos isso como um grande privilégio. Depois de tudo o que passámos, sobretudo na época passada, e não fomos só nós, mas também o conjunto de jogadoras que chegou e que viveu experiências muito parecidas, estar nesses momentos foi sentido como um privilégio.
Quando se está lá, o que é que se sente?-Que foi merecido, por tudo o que vi da equipa desde o primeiro dia, desde os primeiros contactos. Percebi que era uma equipa que ia trabalhar bem, ia trabalhar muito e, quando estes resultados chegam, é sinal de dever cumprido, de meritocracia, de muito trabalho envolvido.
Ainda antes de as ganhar, e voltando a apenas estar lá, na sua cabeça não estava o “vamos ganhar”?-Estava, sim. E há vários patamares dentro do clube. Começa no presidente, na administração, depois nas pessoas que trabalham connosco no Arena, o Fernando Santos [diretor-executivo das modalidades], o Mário Santos [diretor-geral das modalidades], segue para o staff, para as jogadoras, e uma das partes boas que tivemos foi o facto de toda a gente ter quase o mesmo sentimento, esta vontade de ganhar, quase esta raiva de ganhar, raiva no bom sentido. Essa raiva de vencer estava muito enraizada na equipa e vem destes diferentes patamares que temos no clube. Trouxe-nos um pouco mais na preparação destas conquistas.
Da época passada para esta saíram oito atletas e entraram oito. Como é que, quando entram oito atletas, lhes conseguem incutir esses valores?-É fundamental que elas conheçam verdadeiramente o clube e as suas gentes, as pessoas da cidade do Porto, as pessoas que são do FC Porto, mesmo que possam ser de outras cidades, mas que percebam o contexto e que entendam que o FC Porto é um clube da cidade do Porto, mas também um clube nacional, internacional e uma marca muito ligada à vitória. Esta primeira parte, esta raiva de vencer, insisto, tem de nascer da identificação com os valores do clube. As visitas ao museu, num primeiro momento, e depois, de forma natural, os passeios pelo Porto, em que começam a perceber que o FC Porto é algo muito importante na cidade. Nas deslocações ao estrangeiro começam a perceber que o FC Porto é uma marca global e essa marca, associada a esta vontade de vencer, começa a criar um microssistema na equipa que a leva a querer ganhar, ganhar e ganhar.
O treinador e as colegas também ajudam nessa identificação?-Nas conversas preparatórias, que vamos tendo durante o processo de negociação, já falamos muito sobre o clube. Mesmo antes de aceitarem, é feita uma visita, ainda que online, sobretudo com as estrangeiras, às instalações do clube. Percorre-se um pouco da história, mais recente e mais antiga, e começa aí. Assim que chegam, é essencial que esta adaptação já decorra dentro de um circuito FC Porto. Portanto, o museu tem um papel importante, ao transmitir não só a história, mas também o que foi feito para que essa história acontecesse. Depois, as palavras do presidente na pré-temporada foram muito importantes, palavras que serão sempre mantidas em sigilo com a equipa, mas que foram decisivas neste aterrar no FC Porto e, a partir daí, começarmos a construir a nossa própria história dentro de tudo isto.
Como é que definiria o grupo que teve às ordens?-É uma resposta longa, mas vou tentar resumir. Desde o primeiro dia percebemos que tínhamos atletas com talento, com qualidade. Mas isso não chega. Um dos primeiros elogios que tenho de fazer a todas as jogadoras tem a ver com a personalidade, o caráter e a capacidade de trabalho, sempre com um sorriso no rosto, o que também é importante. Em épocas longas, exigentes, com adversários a tentarem reinventar-se para ganhar ao FC Porto, todas estas características valem tanto ou mais do que o talento. Esta época explica-se pela felicidade que tínhamos em encontrar-nos todos os dias, em darmos “porrada” em toda a gente dentro da nossa semana de trabalho. Quando digo “porrada” é em termos de carga, de aquilo ter um significado de “vamos trabalhar muito, vamos trabalhar bem, vamos fazer isto com um sorriso na cara”. O que transmitimos mais às pessoas foi esta capacidade de trabalho, fomos buscar resultados desfavoráveis muito por causa desta mentalidade que tínhamos durante a semana. O nosso dia a dia é a melhor forma de descrever o quão feliz fui a trabalhar com esta equipa.







































