Miro Neto: Santos em cartaz com “5½”, um filme com bloqueio financeiro | OneFootball

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·30 de julho de 2026

Miro Neto: Santos em cartaz com “5½”, um filme com bloqueio financeiro

Imagem do artigo:Miro Neto: Santos em cartaz com “5½”, um filme com bloqueio financeiro

Há cinco anos e meio, o Santos triscava pela última vez na glória. Em 30 de janeiro de 2021, com a pandemia de Covid no auge, o clube perdeu a final da Libertadores para o Palmeiras, em um inédito clássico estadual na decisão do torneio. No Maracanã com público de cinco mil pessoas por conta das restrições sanitárias, entre dirigentes, convidados e imprensa, um gol de Breno Lopes nos acréscimos soterrou o sonho do tetracampeonato. E ainda recolocou o rival paulista no topo da América da Sul após 22 anos. 

O torcedor santista que experimentou a frustração daquela tarde/noite carioca não poderia imaginar que os anos seguintes seriam o puro suco da amargura. Desde então, a rotina do clube em que Pelé fez carreira construiu sua carreira baseou-se, quase sempre, em lutar na parte de baixo do Brasileirão, experimentando um rebaixamento inédito, um punhado de vexames no estadual e poucas campanhas alentadoras. O ano minimamente balsâmico foi justamente 2024, o da passagem pela Série B. Nele, vieram o título do acesso e o vice-campeonato paulista – por firulas da bola, final mais uma vez perdida para o Palmeiras.


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Da saída de Cuca após o vice-campeonato da Libertadores até o retorno do treinador paranaense na atual temporada foi rabiscado um arco desastroso na Vila Belmiro. Nesse período, o clube teve 14 treinadores diferentes, de perfis para todos os gostos, e acumulou uma dívida que já supera a cifra do bilhão. Ano sim outro também o clube vem sofrendo com os tais transferbans da Fifa. A política do “devo sim, pago quando puder” por contratações que foram de Soteldo e Cléber Reis a Jean Lucas, se estende para os salários. Afinal, não há mês sem notícia de que o Santos está com os vencimentos dos atletas atrasados. 

No início do ano passado, a gestão de Marcelo Teixeira, que voltou à presidência em 2024 após 15 anos do último mandato, apostou no retorno do ídolo Neymar como elixir. Porém, a fórmula que se propunha mágica só fez, até o momento, unir-se ao cortejo de perturbações. 

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No início de 2025, Neymar voltou ao Santos, mas as glórias seguem distantes – Foto: Divulgação / Conmebol

Bloqueio financeiro e crise existencial

O último título de primeira divisão do Santos já soprou velinhas de dez anos, o Paulistão de 2016. Nessa década de seca, além dos vices na Libertadores de 2020 e no estadual de 2024, o clube ficou com a segunda colocação nos Brasileiros de 2016 e 2019. Neste último, com o argentino Jorge Sampaoli no comando, fez sua melhor campanha nos pontos corridos com 20 clubes (de 2006 em diante). Porém, havia uma pedra chamada “Flamengo de Jorge Jesus” no meio do caminho. Ó vida, ó céus, ó azar…. 

No filme “8½”, clássico do cinema de Federico Fellini protagonizado por Marcello Mastroianni, um cineasta italiano de prestígio sofre um bloqueio criativo e mergulha imerso em uma crise existencial. O Santos vive um enredo parecido desde a perda da Libertadores de 2020. Em seu “5½”, o clube tenta desvencilhar-se do bloqueio financeiro que atirou seus torcedores em crise existencial. Porém, ao contrário da ficção felliniana, o cenário foi montado por gestões temerárias. Hoje, o santista vive à espera de dias melhores, com as possibilidades de tempo bom com os quais só mesmo o futebol permite sonhar. Por ora, só sonho e nada mais. 

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