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·13 de setembro de 2026

MLS quer parar o relógio e mudar o futebol 2026

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A Major League Soccer (MLS) estuda uma mudança que pode alterar de maneira significativa a forma como o tempo de jogo é controlado no futebol. A liga norte-americana avalia a possibilidade de adotar um sistema em que o cronômetro seja interrompido sempre que a bola estiver fora de jogo ou ocorrer alguma paralisação relevante na partida.

A proposta ainda está em uma fase inicial, mas já foi discutida com a International Football Association Board (IFAB), órgão responsável por definir e alterar as regras do futebol. A ideia chama atenção porque mexe diretamente com uma das características mais tradicionais da modalidade: os 90 minutos divididos em dois tempos de 45 minutos, com acréscimos determinados pelo árbitro.


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O principal objetivo da mudança seria combater a chamada “cera”, prática em que jogadores ou equipes procuram reduzir o tempo efetivo de partida por meio de comportamentos que provocam ou prolongam paralisações. Atendimento médico, substituições demoradas, jogadores que retardam a cobrança de faltas e laterais e outras interrupções poderiam deixar de consumir o tempo disponível no cronômetro.

Como funcionaria a mudança

No modelo atualmente utilizado no futebol, o relógio continua correndo durante a maior parte das interrupções. Quando a bola sai pela lateral, por exemplo, o cronômetro não é parado. O mesmo acontece durante uma substituição ou enquanto um jogador recebe atendimento médico.

Para compensar essas interrupções, o árbitro acrescenta minutos ao final de cada tempo. O problema é que esse sistema pode gerar diferenças consideráveis entre o tempo oficial e o período em que a bola realmente esteve em jogo.

A proposta estudada pela MLS seguiria uma lógica diferente. O relógio seria parado durante determinados momentos de interrupção e voltaria a correr somente quando a partida fosse retomada. Dessa forma, o tempo exibido no placar representaria de maneira mais direta o período efetivamente disputado.

A mudanç na MLS, portanto, não significaria simplesmente reduzir ou aumentar a duração das partidas. O objetivo seria tornar o controle do tempo mais preciso e previsível.

Combate à cera

Um dos argumentos mais fortes a favor do modelo é justamente o combate à perda deliberada de tempo. Nos minutos finais de partidas equilibradas, é comum que equipes em vantagem tentem diminuir o ritmo, especialmente em cobranças de bola parada, substituições e atendimentos.

Com o relógio parado durante as interrupções, essas estratégias perderiam parte de sua eficácia. Uma equipe não conseguiria simplesmente gastar dezenas de segundos para executar uma cobrança e fazer esse período desaparecer do tempo de jogo.

A mudança também poderia beneficiar a transparência para torcedores. Atualmente, é impossível saber com exatidão quanto tempo de jogo ainda será disputado apenas olhando para o relógio, porque os acréscimos dependem da avaliação da arbitragem.

Um cronômetro que efetivamente pare durante as interrupções tornaria essa informação mais objetiva.

Uma mudança com impacto no futebol

Apesar das vantagens, a proposta da MLS também levanta questionamentos. O futebol profissional precisaria definir exatamente quais situações provocariam a parada do relógio e como o sistema seria operacionalizado.

Também seria necessário avaliar o impacto sobre a duração total dos eventos. Mesmo que o tempo regulamentar permaneça semelhante, a experiência do torcedor dentro do estádio e diante da televisão poderia mudar.

Outro ponto importante é que qualquer alteração nas Leis do Jogo precisa passar por um processo envolvendo a IFAB. A MLS, portanto, não pode simplesmente implementar uma mudança desse porte de forma unilateral em suas competições oficiais sem considerar as regras internacionais.

A discussão com a IFAB mostra, porém, que o tema já entrou no radar das autoridades responsáveis pelo futebol.

MLS como laboratório de mudanças

A MLS tem histórico de testar ideias diferentes e buscar novas formas de melhorar o espetáculo. Por atuar em um mercado esportivo no qual outros esportes americanos utilizam cronômetros parados durante interrupções, a liga também está inserida em uma cultura esportiva diferente daquela predominante no futebol europeu.

Isso torna os Estados Unidos um ambiente interessante para experiências relacionadas à gestão do tempo.

Ainda não existe uma decisão definitiva sobre quando ou se o sistema será colocado em prática. A proposta permanece em avaliação e precisaria superar diversas etapas antes de eventualmente chegar a partidas oficiais.

Mesmo assim, a discussão já é relevante. Parar o cronômetro pode parecer uma alteração simples, mas atingiria aspectos fundamentais da dinâmica do futebol, desde a estratégia das equipes até a arbitragem e a experiência dos torcedores.

Se avançar, o projeto poderá transformar a MLS em um importante laboratório para uma possível evolução das regras do futebol. E, caso os resultados sejam positivos, outras competições poderão observar atentamente o experimento.

Por enquanto, a ideia está longe de ser uma mudança confirmada. Mas o simples fato de a MLS discutir oficialmente um modelo de cronômetro parado com a IFAB mostra que o debate sobre o tempo efetivo de jogo ganhou força — e pode abrir caminho para uma das mudanças mais significativas no futebol moderno.

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