Central do Timão
·12 de agosto de 2026
Movimento de torcedores convoca Fiel para abaixo-assinado por intervenção no Corinthians

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·12 de agosto de 2026

Por Larissa Beppler | Redação da Central do Timão
Torcedores do Corinthians lançam nesta quarta-feira (12), às 19h10, um novo abaixo-assinado pela intervenção judicial no clube. A iniciativa é organizada pelo movimento #LibertaçãoJá, que reúne páginas e coletivos ligados à torcida e pretende alcançar inicialmente 10 mil assinaturas.
Segundo os organizadores, o objetivo é apresentar o apoio da torcida à medida ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e ao Poder Judiciário, em meio à crise administrativa, financeira e política que atinge o Corinthians. A petição estará disponível no endereço intervencaofiel.com.br.

Foto: Reprodução
A mobilização ocorre enquanto já tramita no MP-SP um inquérito civil que apura a eventual necessidade de intervenção judicial no Corinthians. O Conselho Superior do Ministério Público manteve a investigação aberta em maio, após rejeitar recurso apresentado pelo clube. O procedimento havia sido instaurado em dezembro de 2025 para apurar possíveis irregularidades na administração alvinegra.
Na última segunda-feira (10), o presidente Osmar Stabile prestou depoimento aos promotores. Nos próximos dias, o Ministério Público deve realizar novas oitivas e solicitar documentos ao Corinthians para dar continuidade às apurações.
Torcedores apontam crise administrativa
O movimento alega que a situação atual não seria resultado de uma única gestão, mas consequência de um modelo administrativo que, na avaliação dos organizadores, se repetiu ao longo dos últimos anos.
Entre os fatos citados estão investigações envolvendo gastos indevidos com cartões corporativos nas gestões de Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves. Em março, o Ministério Público recolheu no Parque São Jorge documentos, notas fiscais e faturas relacionadas às administrações dos dois ex-presidentes.
O ex-presidente Augusto Melo também é citado na mobilização por causa do caso VaideBet. Ele foi denunciado pelo Ministério Público em 2025 no âmbito da investigação sobre o contrato de patrocínio, que também envolveu outros ex-dirigentes e empresários.
Já a administração de Osmar Stabile é alvo de investigação relacionada à contratação de empresas de segurança. Em maio, o MP-SP instaurou procedimento investigatório criminal para apurar a contratação, pelo Corinthians, de uma empresa aberta em nome de um funcionário do clube. Stabile posteriormente foi incluído como investigado no procedimento.
Em julho, o MP-SP abriu ainda uma nova apuração sobre uma possível remuneração indireta de Stabile por meio de pagamentos feitos pelo Corinthians a outra empresa de segurança. O clube afirmou, à época, que se tratava de uma apuração preliminar.
Dívida bilionária aumenta pressão
A crise financeira também está no centro dos argumentos dos torcedores. O Corinthians possui uma dívida total estimada em mais de R$ 2,7 bilhões, enquanto mantém diferentes acordos e processos para reorganizar seus compromissos financeiros. Em janeiro, a Justiça homologou um plano do Regime Centralizado de Execuções (RCE) envolvendo aproximadamente R$ 450 milhões em dívidas.
Para o #LibertaçãoJá, o quadro reforça a necessidade de uma mudança estrutural na administração do clube, e não apenas da substituição de alguns dirigentes.
O grupo afirma que o movimento anterior, denominado #ExpulsãoJá, reuniu mais de 50 mil assinaturas e contribuiu para a pressão que antecedeu a exclusão de dirigentes das últimas gestões. A informação sobre o número de assinaturas e a relação direta entre a mobilização e as mudanças administrativas é apresentada pelos próprios organizadores.
Como funcionaria a intervenção
A proposta defendida pelos torcedores prevê uma intervenção temporária, com afastamento cautelar dos responsáveis pelos principais poderes internos do clube e nomeação de profissionais para conduzir uma auditoria e reorganização administrativa.
O movimento afirma que a medida não significaria a transferência do controle do futebol para um juiz nem interferência judicial em decisões esportivas, como escalações. A intenção, segundo os organizadores, seria promover uma revisão das contas e dos procedimentos administrativos, a fim de criar condições para uma eventual democratização do clube e para a discussão sobre novos modelos societários, incluindo a possibilidade de transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
A proposta tem como referência o processo vivido pelo Bahia. Em 2013, o Tribunal de Justiça da Bahia determinou uma intervenção no clube, afastou o então presidente e o Conselho Deliberativo. O processo esteve relacionado à posterior democratização do clube nordestino. O próprio Bahia reconhece que a intervenção judicial fez parte da transição que levou à aprovação de um novo estatuto e às primeiras eleições diretas do clube.
Mobilização começa às 19h10
O #LibertaçãoJá afirma que as assinaturas serão encaminhadas às autoridades responsáveis pela investigação sobre o Corinthians como forma de demonstrar o apoio de torcedores à intervenção.
A mobilização será iniciada às 19h10 desta quarta-feira, horário escolhido pelos organizadores para marcar o lançamento da campanha. A meta inicial é de 10 mil adesões.
A iniciativa ocorre, portanto, em paralelo ao inquérito civil já mantido pelo Ministério Público paulista e aumenta a pressão pública de grupos de torcedores por uma intervenção na estrutura administrativa do clube.
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