Central do Timão
·29 de maio de 2026
MP-SP arquiva investigação criminal sobre atuação do Conselho Fiscal nas contas do Corinthians

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·29 de maio de 2026

Por Larissa Beppler | Redação da Central do Timão
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) decidiu arquivar a investigação criminal que apurava possível prática de falsidade ideológica por integrantes do Conselho Fiscal do Corinthians durante o processo de análise das contas de 2025 da gestão de Osmar Stabile. A decisão foi assinada pelo promotor Cássio Conserino, que concluiu não haver elementos suficientes para caracterizar dolo por parte dos conselheiros envolvidos.
A apuração havia sido instaurada após questionamentos sobre a participação de Haroldo Dantas em reunião do Conselho Fiscal (CF) realizada antes da votação das contas no Conselho Deliberativo do clube. Haroldo atua como advogado de empresas ligadas ao presidente do Corinthians e havia sido alvo de afastamento cautelar do órgão sob alegação de conflito de interesses.

Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians
Durante a investigação, no entanto, os depoimentos colhidos apontaram que os membros do CF Claudio Senise e Paulo Pimentel buscaram orientação institucional antes da realização da reunião. Segundo relataram ao MP, ambos consultaram Miguel Marques e Silva, presidente do Conselho de Orientação (Cori), sobre a validade do afastamento cautelar imposto a Haroldo.
Conforme registrado no despacho, o presidente do Cori informou que a Comissão de Ética não possui competência estatutária para promover, de forma monocrática, o afastamento preventivo de um integrante do Conselho Fiscal. Para o promotor, a consulta prévia e a resposta recebida afastam a existência de intenção deliberada de fraudar informações ou praticar falsidade ideológica.
Na decisão, Conserino ressaltou que os envolvidos procuraram esclarecer dúvidas interpretativas relacionadas ao estatuto do clube antes de deliberar sobre a participação de Haroldo na reunião. O representante do MP destacou ainda que, independentemente da correção da interpretação adotada, o procedimento adotado pelos conselheiros descaracteriza eventual conduta criminosa.
O promotor também mencionou que Ronaldo Fernandez Tomé, responsável pela determinação do afastamento cautelar de Haroldo, participou anteriormente de votação favorável ao arquivamento de procedimento administrativo semelhante, circunstância considerada relevante na análise do caso.
Embora tenha descartado repercussão criminal, o MP ponderou que os fatos podem configurar eventual irregularidade administrativa interna, uma vez que a participação de um integrante previamente afastado teria potencial para comprometer a regularidade e a legitimidade das deliberações do órgão colegiado. Por essa razão, o material foi encaminhado à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, responsável pelo acompanhamento de investigações relacionadas ao Corinthians, incluindo o inquérito que avalia possível intervenção judicial no clube.
As contas referentes ao exercício de 2025 registraram déficit de R$ 143,441 milhões e tiveram tramitação marcada por divergências internas no Corinthians. Enquanto o Conselho Fiscal emitiu parecer favorável com ressalvas, a Comissão de Finanças do Conselho Deliberativo recomendou a reprovação do balanço. Apesar do ambiente de divisão entre os órgãos internos, as contas acabaram aprovadas pelo Conselho Deliberativo do clube.







































