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·20 de março de 2026
MP-SP leva reunião do CD convocada por Stabile ao inquérito sobre intervenção judicial no Corinthians

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·20 de março de 2026

Por Tiago Salazar e Thais Bueno
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do promotor Cássio Roberto Conserino, enviou uma representação à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social solicitando a inclusão do atrito entre o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, e o presidente do Conselho Deliberativo do Timão, Romeu Tuma Júnior, no inquérito que apura a necessidade de uma possível intervenção judicial no clube do Parque São Jorge, instaurado em dezembro do ano passado.
No ofício encaminhado à promotoria responsável pela investigação, ao qual a Gazeta Esportiva teve acesso, Cássio Roberto Conserino citou a reunião marcada unilateralmente por Stabile na última quinta-feira, cujo objetivo é votar o afastamento imediato de Romeu Tuma Júnior. O presidente do clube se pautou no Artigo 112, item 6, do Estatuto Social do Corinthians para executar o ato.
O MP-SP foi alertado do “possível ato administrativo irregular” por meio de um e-mail enviado pelos conselheiros Peterson Ruan Aiello do Couto Ramos e Romero Cardoso de Ávila, além dos sócios Alexandre Germano, Felipe José Mendes da Silva e Cyrillo Cavalheiro Neto.

(Foto: Evander Portilho/ Ag. Corinthians)
O entendimento do promotor aponta que os “possíveis atos administrativos irregulares” caminham “na mesma direção de uma eventual intervenção judicial”. Neste sentido, Conserino alega que o atrito administrativo entre Stabile e Romeu Tuma Júnior seria mais um motivo para formalizar a intervenção judicial no Corinthians, conforme precedentes do STF (Superior Tribunal Federal).
O inquérito, vale lembrar, foi instaurado após um pedido formulado pelo próprio promotor, responsável por investigações relativas ao uso de cartões corporativos por ex-dirigentes do clube. Em sua solicitação, Conserino listou 25 argumentos que justificariam a instauração de um inquérito civil ou de uma ação pública visando a intervenção judicial no clube.
A Gazeta Esportiva tentou contato com a assessoria de Osmar Stabile, que decidiu não se pronunciar por ora. Caso decida fazê-lo, o texto será atualizado.
A desavença ganhou força durante a votação da reforma do Estatuto do Corinthians, com um bate-boca que ferveu o Parque São Jorge no último dia 9 de março.
A discussão ocorreu logo no início da reunião no auditório da sede social do clube. Stabile fez acusações contra Romeu, que se defendeu e alegou ter provas que o presidente estaria mentindo. O entrevero foi o estopim para um grande tumulto entre conselheiros, com direito a troca de ofensas e até empurrões.
Stabile acusou Tuma de tentar interferir na gestão executiva do clube. Segundo Osmar, a gota d’água foi no último dia 7 de março, em conversa entre eles. O presidente alega ter sido ameaçado por Romeu.
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O motivo do conflito é a suposta contratação de Aldair Borges para integrar a equipe de seguranças do Parque São Jorge. O profissional foi citado em um inquérito da Polícia Civil como responsável por esconder as grades e liberar acesso de pessoas não autorizadas ao clube no dia 20 de janeiro de 2025. Na ocasião, houve uma grande confusão após uma reunião do Conselho que votaria o impeachment do então presidente Augusto Melo.
De um lado, Stabile negou que o profissional tenha sido recontratado. Ele diz que Aldair esteve no Parque São Jorge para pedir emprego alegando estar passando por uma situação financeira complicada, mas não foi admitido. Romeu Tuma Júnior, por sua vez, garantiu ter provas de que a diretoria executiva recontratou não apenas um, mas dois profissionais envolvidos no episódio. Ele também rechaçou qualquer ameaça a Stabile.
Dias depois da confusão no Parque São Jorge, Stabile protocolou um pedido de afastamento cautelar de Romeu Tuma Júnior na Comissão de Ética e Disciplina do Conselho Deliberativo do Corinthians, com base nos Artigos 27, 28 e 30 do estatuto alvinegro.
Já na última quarta-feira, o presidente do Corinthians, sem ter feito qualquer contato com o Conselho Deliberativo do clube, convocou uma reunião extraordinária do CD com o intuito de votar o afastamento provisório de Romeu Tuma Júnior, tomando como base o Artigo 112, item 6, do Estatuto Social do Timão. A convocação, porém, contraria o Artigo 82, inciso II, que determina o rito a ser seguido para que seja convocada uma reunião extraordinária no Conselho.
Romeu Tuma Júnior recebeu com “indignação” a reunião extraordinária do CD convocada por Stabile. Em contato com a reportagem, o presidente do órgão reiterou que não foi comunicado sobre a convocação e classificou o ato de Stabile como uma “manobra golpista”. Ele também falou em “estratégia deliberada” para obstruir o avanço do projeto de reforma do estatuto do Corinthians.
A reunião para votar o afastamento de Tuma foi anunciada para a próxima segunda-feira, no Parque São Jorge, com primeira chamada às 18h (de Brasília) e a segunda às 19h. O presidente do CD ainda pode indeferir a marcação e levar o caso à Justiça.
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