Central do Timão
·12 de março de 2026
MP-SP pede nova diligência no Corinthians e cita clube como vítima em processos contra ex-presidentes

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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) encaminhou ofício ao presidente do Corinthians, Osmar Stábile, solicitando a designação de audiência para que um representante da Promotoria possa comparecer às dependências do Parque São Jorge e analisar documentos relacionados ao Procedimento Investigatório Criminal (PIC), que apura possíveis irregularidades envolvendo ex-dirigentes do clube.
O despacho, datado de 8 de março, foi assinado pelo promotor de Justiça Cássio Roberto Conserino, da 6ª Promotoria de Justiça Criminal da Barra Funda, e e ressalta que o Corinthians figura como vítima em diversos procedimentos investigatórios em andamento, destacando ainda que o clube tem demonstrado interesse em colaborar com as apurações conduzidas pelo MP-SP. A informação foi divulgada pelo UOL e confirmada pela Central do Timão, que obteve acesso ao documento.

Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians
Segundo o ofício, a Promotoria entende que não há necessidade, neste momento, de medidas mais incisivas, como mandado de busca e apreensão, justamente porque a atual gestão tem se mostrado disposta a fornecer informações e documentos espontaneamente. A audiência foi solicitada para esta quinta-feira (12), com o objetivo de permitir que o MP tenha acesso a documentos que teriam sido enviados de forma incompleta no âmbito do PIC que investiga as gestões de Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo.
No despacho, o promotor ressalta que o clube é considerado vítima não apenas neste procedimento, mas também em outros inquéritos e ações penais que tramitam na mesma promotoria. O texto menciona que o Corinthians já se habilitou como assistente de acusação, nos termos do artigo 268 do Código de Processo Penal, em processo que tramita na 2ª Vara de Crimes de Organização Criminosa, Lavagem de Dinheiro e Crimes Tributários.
Nesse caso, há denúncia parcialmente recebida por apropriação indébita agravada continuada contra o ex-presidente Andrés Sanchez e o ex-gerente financeiro Roberto Gavioli. O documento também cita outra ação penal, em trâmite na 15ª Vara Criminal de São Paulo, na qual o ex-presidente Duilio Monteiro Alves foi denunciado pelo mesmo tipo de crime, em decorrência do uso do cartão corporativo do clube para fins pessoais durante seu mandato, entre 2021 e 2023.
O Ministério Público registrou ainda que existe a possibilidade de o Corinthians se habilitar como assistente da acusação em outra investigação ligada ao mesmo caso, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e crimes tributários atribuídos a Andrés Sanchez e Roberto Gavioli. O ofício destaca que, na condição de vítima, o Corinthians poderá ingressar com ações civis de ressarcimento por danos materiais e reparação por danos morais caso haja condenação criminal dos investigados.
Outro ponto destacado no despacho é que o clube tem interesse na apuração integral e célere dos fatos, inclusive para cumprir as regras previstas em seu estatuto e regimento interno, que tratam da responsabilização de dirigentes. O MP menciona que o Corinthians já constituiu comissões internas, como Comissão de Ética e a de Justiça do Conselho Deliberativo, para analisar os casos envolvendo ex-gestores.
O texto também registra que o clube busca recuperar sua imagem perante a sociedade e perante sua torcida, além de manter política de integridade e compliance, fatores que, segundo o promotor, reforçam a disposição do Corinthians em colaborar com as investigações.
Por fim, o promotor afirma que, diante da postura colaborativa do clube e de seu interesse na elucidação dos fatos, não se mostra necessária a adoção de medidas coercitivas, como busca e apreensão. Por esse motivo, foi solicitado que Osmar Stabile autorize a realização de diligência no Parque São Jorge, para que o Ministério Público possa analisar documentos que ainda não foram integralmente apresentados no procedimento investigatório.
Início das investigações
Em agosto de 2025, o Ministério Público de São Paulo instaurou um procedimento para apurar despesas realizadas durante as gestões de Andrés Sanchez, entre 2018 e 2020, e de Duilio Monteiro Alves à frente da presidência do Corinthians.
A investigação teve início após denúncias envolvendo o uso do cartão corporativo na administração de Andrés, que reconheceu ter feito gastos de natureza pessoal, e após a divulgação de uma planilha que apontava despesas de aproximadamente R$ 80 mil em um período de 40 dias durante o mandato de Duilio. Posteriormente, o então presidente Augusto Melo também passou a ser incluído no foco das apurações conduzidas pela promotoria.
Até o momento, o Ministério Público denunciou os ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves, além do ex-gerente financeiro Roberto Gavioli. As denúncias foram aceitas pela Justiça, e os ex-dirigentes passaram à condição de réus nos processos.
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