Muitos bastidores da reunião de urgência que aconteceu na Arena do Grêmio
A reunião entre lideranças do elenco do Grêmio e representantes das torcidas organizadas teve mais bastidores revelados e ajuda a entender como o clube tentou administrar a crise depois da derrota para o Bragantino. O encontro aconteceu na Arena, durou aproximadamente uma hora e reuniu cinco jogadores considerados líderes do grupo, além de Paulo Pelaipe, Luís Castro e Fernandão, com representantes da Geral e da Torcida Jovem. O tom foi de cobrança forte, mas, segundo as informações, tudo aconteceu em alto nível. E o principal recado dado pelos jogadores foi claro: eles entendem que merecem ser cobrados e prometeram uma resposta diferente principalmente nos Gre-Nais da Copa do Brasil.
A conversa nasceu diretamente do episódio ocorrido no retorno da delegação a Porto Alegre. Cerca de 50 torcedores aguardavam o elenco no Aeroporto Salgado Filho para protestar depois de mais uma derrota fora de casa. O ônibus oficial do Grêmio chegou a ficar posicionado no local, e houve até a expectativa de que os jogadores descessem para conversar com quem estava esperando. Só que a delegação acabou deixando o aeroporto por outro acesso, utilizando um ônibus de turismo, e seguiu para o CT sem ter contato com os torcedores. Posteriormente surgiu a versão de que a polícia teria identificado a possibilidade de um protesto mais forte e, por segurança, optou-se por retirar o grupo por outro caminho. O fato é que quem estava do lado de fora se sentiu enganado e a situação aumentou ainda mais a irritação.
Na manhã seguinte, integrantes das organizadas procuraram Fernandão, segurança do Grêmio e uma pessoa que há bastante tempo funciona como interlocutor entre clube e torcida. Ele levou a demanda aos jogadores e, segundo os bastidores, a resposta dos capitães foi imediata: se os torcedores queriam conversar, eles aceitariam. O que não houve foi a intenção de colocar todo o elenco frente a frente com as organizadas. A avaliação foi de que existem muitos jovens no grupo e que uma reunião com todos poderia causar mais tensão do que ajudar. Por isso foram escolhidos Weverton, Kannemann, Marlon, Villasanti e Carlos Vinícius para representar os jogadores.
Luís Castro soube que a reunião aconteceria e pediu para participar. Paulo Pelaipe também esteve presente, assim como Fernandão. Pelo lado das organizadas, a informação é de que participaram quatro integrantes da Geral e quatro da Jovem. Foram, portanto, oito representantes de cada lado reunidos em uma sala da Arena. Não foi na sala do presidente, como chegou a circular inicialmente, mas em outro espaço dentro do estádio. E durante aproximadamente uma hora houve cobrança direta sobre aquilo que o time vem apresentando.
Não foi uma conversa simplesmente para dizer que “precisa melhorar”. Houve cobrança de verdade sobre desempenho, postura e os resultados que o Grêmio vem acumulando. Ao mesmo tempo, não houve confusão ou qualquer situação fora de controle. Os próprios jogadores reconheceram que a cobrança é justa. A mensagem passada foi de que o grupo sabe que não está entregando aquilo que pode e precisa apresentar mais.
E o Gre-Nal virou naturalmente o ponto central dessa conversa. Os atletas não prometeram classificação contra o Internacional, pelo menos não existe informação de que alguém tenha dito algo do tipo. O compromisso assumido foi de uma mudança de postura, preparação e foco para os dois clássicos da Copa do Brasil. Existe a consciência dentro do grupo de que o momento exige uma resposta e de que esses jogos podem mudar completamente o ambiente da temporada.
Agora, evidentemente, reunião nenhuma ganha partida. Torcida organizada cobrar, jogador admitir que está mal e todo mundo prometer reação faz parte do futebol brasileiro. O que realmente importa é saber se essa conversa vai produzir algum efeito quando a bola começar a rolar. O Grêmio continua apresentando problemas claros dentro de campo e não será uma reunião de uma hora que automaticamente vai fazer o time de Luís Castro passar a jogar melhor.
Mas existe pelo menos um dado relevante nesse episódio: os jogadores não se esconderam quando foram procurados. Depois da confusão no aeroporto, as lideranças aceitaram a conversa rapidamente, Luís Castro pediu para participar e houve espaço para que a cobrança fosse feita diretamente. Agora acabou a etapa do discurso.
O grupo admitiu que está devendo e prometeu uma resposta diferente no Gre-Nal. A torcida já fez a cobrança. A direção participou da conversa. Luís Castro ouviu tudo de perto. A próxima resposta precisa acontecer dentro de campo.