Calciopédia
·08 de setembro de 2026
Na rodada das viradas, Inter, Roma e Lazio seguiram firmes na liderança da Serie A

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·08 de setembro de 2026

A terceira rodada da Serie A cumpriu a promessa de não economizar em emoção – e virar o jogo foi quase uma regra. Foram incríveis cinco viradas ao longo da jornada, duas delas em alguns dos grandes confrontos do fim de semana. Inter e Napoli fizeram um jogaço à altura da expectativa, com cinco gols e a Beneamata protagonizando a mais impressionante das reviravoltas, buscando o resultado depois de estar perdendo por 2 a 0 e mantendo os 100% de aproveitamento. Roma e Atalanta seguiram pelo mesmo caminho: foram mais de 40 finalizações, duas equipes dispostas a atacar e outra guinada espetacular, construída pelos giallorossi nos minutos finais. No domingo, Juventus e Milan completaram a sequência de grandes jogos com um clássico menos frenético, mas dramático quando o calo apertou. O jogo foi decidido somente nos acréscimos pelo cabeceio de Gatti.
O 1 a 1 em Turim, aliás, prolongou uma tendência curiosa do confronto. Juventus e Milan empataram três partidas consecutivas de Serie A pela primeira vez desde novembro de 1973, quando a sequência chegou a quatro jogos. Desta vez, porém, o resultado interrompeu o aproveitamento perfeito dos dois e abriu espaço para um trio assumir a dianteira. Roma, Inter e Lazio são as únicas equipes com nove pontos em nove possíveis, com os biancocelesti se juntando às duas primeiras após a vitória sobre a Udinese. Inclusive, a dupla capitolina jamais havia vencido seus três primeiros jogos numa mesma edição do certame. O Como aparece logo atrás, com sete, acompanhado por Milan e Juventus. Frosinone, Atalanta e Cagliari formam o bloco seguinte, de times com seis pontos.
Se há tranquilidade em algumas zonas da tabela, ela definitivamente não chegou a Florença. A derrota por 2 a 1 para o Torino manteve a Fiorentina zerada e transformou muito rapidamente a preocupação das primeiras semanas em crise. Pela segunda vez em sua história na Serie A, a Viola perdeu as três primeiras partidas de uma mesma temporada. Fabio Grosso já não serve mais. Tivemos o primeiro demitido na terceira rodada, e quem assumiu o boné foi… Paolo Vanoli, que retorna ao cargo com a missão de recuperar uma equipe que, mesmo após uma janela movimentada, ocupa a lanterna, com apenas um gol marcado e nove sofridos. Genoa e Venezia também seguem sem pontuar, enquanto Bologna, Parma e Monza somam apenas um ponto e já começam a olhar com alguma preocupação para baixo da tabela. Sassuolo e Udinese têm quatro pontinhos. Confira, a seguir, o resumo da jornada.
Gols e assistências: Lautaro (Dimarco), Thuram (Carlos Augusto) e Lautaro (Akanji); Politano e Højlund (Di Lorenzo) Tops: Lautaro e Thuram (Inter) Flops: Badiashile e Anguissa (Napoli)
Muito se discutiu a profundidade e qualidade de elenco da Inter, o que é notável, mas esse time transformou a vitória em hábito pelo coração entregue em campo. Talvez seja cedo demais para tal, mas o recital de Lautaro talvez já seja um resultado para pautar a corrida do 22 º scudetto. Em um San Siro enlouquecido, os nerazzurri saíram de um 2 a 0 contra o Napoli para vencer por 3 a 2, com os três gols marcados no segundo tempo e o último já depois dos 90 minutos. O roteiro foi ainda mais improvável porque o time de Cristian Chivu havia começado melhor e chegou a acertar o travessão em uma cobrança de falta de Dimarco antes do intervalo, mas se viu em enorme desvantagem após dois apagões em um intervalo de apenas três minutos. Politano aproveitou uma falha de Barella para abrir o placar aos 50; logo depois, praticamente toda a defesa interista parou acreditando que a bola sairia pela lateral, Di Lorenzo não desistiu do lance e serviu Højlund, que chutou de fora da área para fazer o segundo.
A vantagem parecia entregar a Massimiliano Allegri exatamente o jogo que ele queria. O Napoli se fechava, congestionava os espaços e deixava Højlund preparado para atacar a profundidade diante das linhas altas da Inter. Só que tentar administrar dois gols de frente contra o melhor ataque da Serie A cobrou seu preço. Chivu já havia voltado do intervalo com Thuram e Jones nos lugares de Esposito e Sucic, e sua equipe respondeu ao segundo gol quase imediatamente: aos 56, Zielinski inverteu para Dimarco, que cruzou de primeira e encontrou Lautaro para diminuir. A partir daí, a pressão cresceu. Thuram acertou a trave, Çalhanoglu entrou para aumentar a qualidade no meio e o Napoli foi progressivamente empurrado para trás. O técnico napolitano ainda retirou Lobotka e Højlund, mudanças que fizeram o time perder algumas das referências que sustentavam seu plano inicial.
A Inter sentiu o cheiro da virada e foi buscar. Aos 82, Carlos Augusto, que havia entrado no lugar de Dimarco, cruzou da esquerda e Thuram ganhou de Badiashile pelo alto para empatar. Seis minutos depois, o francês teve nos pés a chance de completar pessoalmente a remontada, mas mandou por cima. O Napoli também teve suas oportunidades para transformar a história da peleja, principalmente com Anguissa: completamente livre diante do gol, não conseguiu aproveitar uma chance claríssima e concluiu toscamente para fora. O castigo veio praticamente na sequência. Em uma jogada já sem qualquer organização, Akanji manteve a bola viva dentro da área e Lautaro apareceu no meio da confusão para decretar o 3 a 2.
E não poderia haver personagem mais adequado para decidir uma noite dessas. Poucos dias depois de rejeitar a possibilidade de defender o Barcelona e reforçar publicamente seu desejo de permanecer na Inter até se aposentar, Lautaro anotou sua primeira doppietta na temporada – ele ainda estava em branco, aliás – e se isolou como o terceiro maior artilheiro nerazzurro na história da Serie A, o maior entre os estrangeiros. Para a Inter, são nove pontos em nove possíveis e uma virada que reafirma a força ofensiva da equipe logo no primeiro confronto direto da temporada. Para o Napoli, a segunda derrota consecutiva deixa uma lição bem menos agradável, recuar demais e esperar o relógio andar pode ser um convite ao desastre.
Gols e assistências: Hermoso (Soulé) e Soulé (Dybala); Éderson Tops: Soulé e Wesley (Roma) Flops: Krstovic e Zappacosta (Atalanta)
Uma “romada” ao contrário. Em uma partida que parecia caminhar para a primeira frustração da temporada, a virada romanista veio no apagar das luzes contra a Atalanta por 2 a 1, com Hermoso e Soulé marcando aos 90 e 93 minutos. O placar até demorou para refletir o que acontecia no gramado: foram 18 finalizações contra apenas uma da Dea somente no primeiro tempo, em uma pressão que obrigou Carnesecchi a assumir o papel de protagonista. O goleiro salvou cabeçadas perigosas de Mancini e Cristante, parou Malen e ajudou a levar um improvável 0 a 0 para o intervalo. A Roma atacava de todas as maneiras, mas esbarrava no melhor jogador em campo.
E o futebol tratou de tornar a noite ainda mais cruel para os donos da casa. Logo no início do segundo tempo, De Ketelaere avançou pela esquerda, a defesa afastou parcialmente e o capitão Éderson apareceu para colocar a Atalanta na frente. Só que, em vez de desmontar a Roma, o gol serviu para colocar o rolo compressor de Gian Piero Gasperini na sexta marcha. Soulé entrou pouco depois, assim como Molina, Castro e Ghilardi, e o volume ofensivo ficou ainda maior. Carnesecchi voou para impedir o empate de Koné, enquanto Castro acertou primeiro a trave e, já perto dos acréscimos, também o travessão. A própria Atalanta teve chances para matar a partida com Samardzic e Krstovic, mas desperdiçou as oportunidades que apareceram enquanto tentava sobreviver à avalanche romana.
Não teve Carnesecchi que aguentasse para sempre. Aos 90, Hermoso apareceu pelo alto para empatar, e Soulé, que já participava ativamente da pressão final, guardou o golpe definitivo três minutos depois. Dybala encontrou o compatriota na área, o argentino trouxe para a esquerda e finalmente venceu o goleiro da Dea: 2 a 1, virada consumada e um Olímpico com 67 mil pessoas em ebulição. Foram mais de 40 finalizações da Roma ao longo da noite, retrato de um time que se recusou a aceitar a derrota mesmo quando o relógio já parecia adversário tão difícil quanto a própria Atalanta.
Se a Inter precisou buscar uma remontada improvável contra o Napoli para manter os 100%, a Roma mostrou horas depois que também não pretende cair facilmente. São três vitórias em três rodadas para a equipe de Gasperini, que segue lado a lado com os nerazzurri e começa a dar sinais de que seu início avassalador vai além dos placares elásticos das primeiras partidas. A Atalanta do ex-laziale Maurizio Sarri, por outro lado, permanece com seis pontos e sai de Roma com a sensação amarga de ter resistido durante quase toda a noite para perder tudo em três minutos. Os giallorossi vêm com sangue nos olhos. E, pelo que mostraram no Olímpico, vêm para competir.
Com sintonia entre Soulé e Dybala, a Roma bateu a Atalanta no fim e seguiu com aproveitamento total na Serie A (Arquivo/AS Roma)
Gols e assistências: Gatti (Koopmeiners); Cissé (Chukwueze) Tops: Conceição (Juventus) e Cissé (Milan) Flops: Kolo Muani (Juventus) e Ramos (Milan)
Juventus e Milan voltaram a fazer aquilo que se tornou um hábito nos últimos anos: empatar. Desta vez, ao menos, com gols e uma bela partida, não tão bela quanto a homenagem a Baresi antes de a bola rolar. Vindos do banco, Cissé colocou os rossoneri em vantagem aos 68 minutos e Gatti apareceu aos 92 para salvar a Velha Senhora e decretar o 1 a 1. O resultado levou as duas equipes aos sete pontos, dois atrás de Inter e Roma, mas deixou uma sensação um pouco melhor para os bianconeri, que foram superiores durante boa parte da noite e precisaram correr atrás do prejuízo quando pareciam mais próximos de abrir o placar.
Depois de cerca de 20 minutos equilibrados, a Juventus tomou conta da bola e empurrou o Milan para o próprio campo. González exigiu a primeira intervenção de Maignan, enquanto Conceição foi a principal fonte de perigo, parando duas vezes no francês antes do intervalo. Os rossoneri praticamente não ameaçaram Vicario e adotaram uma postura bastante conservadora, com dificuldades inclusive para aproveitar os espaços que surgiam nas transições. O desenho continuou depois do intervalo e Conceição chegou ainda mais perto aos 55, quando aproveitou uma bola perdida por Musah, avançou em velocidade e carimbou a trave. Foi então que Rúben Amorim resolveu tirar seu time da inércia. Chukwueze, Loftus-Cheek e Cissé entraram, e bastaram oito minutinhos para dois deles construírem o gol.
Chukwueze lançou Cissé pela esquerda, e o jovem, com muita personalidade, deixou Locatelli para trás com uma finta e bateu cruzado, sem chances para Vicario. O segundo gol do garoto na Serie A (ambos contra times de Turim) encerrou um jejum do Milan, que não balançava as redes da Juventus desde maio de 2023. Amorim voltou a fechar a casinha depois da vantagem, enquanto Luciano Spalletti empilhou alternativas ofensivas em busca do empate. Woltemade entrou, cercado de expectativas – principalmente após mais um dia ruim de Kolo Muani –, desperdiçou uma boa oportunidade já aos 84, e parecia que a resistência milanista seria suficiente. Até Gatti entrar em cena. Lançado somente aos 89 minutos na condição de atacante, o beque precisou de pouquíssimo tempo para atacar a cobrança de falta de Koopmeiners e cabecear entre Loftus-Cheek e De Winter, explodindo o Allianz Stadium aos 92.
Gol nos acréscimos, aliás, já pode ser considerado uma especialidade de Gatti. Foi a quarta vez que o defensor marcou pela Juventus depois dos 90 minutos. Mais importante para a noite, sua cabeçada impediu que a Juve saísse derrotada de um clássico em que havia produzido mais e em que merecia os três pontos. Para Milan e Juventus, o empate mantém um início idêntico de campeonato e também a perseguição aos líderes. Ainda é setembro, mas os dois já sabem que Inter e Roma começaram em outro ritmo – e deixar pontos pelo caminho significa vê-las abrirem vantagem cedo, o que deve ser fatal.
Gols e assistências: Karlström (Davis); Frattesi (Zaccagni) e Gudmundsson (Doekhi) Tops: Frattesi e Gudmundsson (Lazio) Flops: Vojvoda e Kabasele (Udinese)
Três jogos, três vitórias e uma Lazio que vai se candidatando a ser uma das gratas surpresas deste início de Serie A após o início frustrante de temporada. A equipe de Gennaro Gattuso precisou buscar mais uma das viradas que marcaram a rodada para vencer a Udinese por 2 a 1, fora de casa, e terminar a jornada dividindo a liderança com Inter e Roma. Os friulanos deram trabalho, perderam Piotrowski – este, por leve arritmia, já corrigida cirurgicamente – e Solet por problemas físicos ainda no primeiro tempo e chegaram até a sair na frente, mas acabaram atropelados pelo ritmo biancoceleste na reta final. E, quando o time capitolino precisou de alguém para mudar o rumo da partida, lá estava Frattesi.
O primeiro tempo já mostrou que a tarefa em Údine não seria simples. A Lazio teve mais controle da bola e procurou ocupar o campo adversário, mas Davis era um problema constante nos ataques da Udinese. Foi justamente dos pés dele que surgiram algumas das melhores oportunidades dos donos da casa, obrigando Mandas a trabalhar. Depois do intervalo, Kosta Runjaic decidiu colocar Bayo e jogar com dois atacantes, e a ousadia foi recompensada rapidamente, aos 49, Vojvoda encontrou Davis, que tirou Doekhi da jogada com um belo toque de primeira e deixou Karlström cara a cara com o goleiro para abrir o placar. Era, inclusive, o primeiro gol sofrido pelos celestes no campeonato.
Gattuso respondeu colocando Cancellieri e Noslin, e a partida virou praticamente um ataque contra defesa. Okoye e a retaguarda bianconera resistiram enquanto puderam, até que, aos 75 minutos, Frattesi fez aquilo que sabe fazer. Zaccagni ganhou de Vojvoda e cruzou rasteiro para o meio-campista antecipar a marcação e empatar. Foi o terceiro gol do reforço em três partidas pela Lazio, além do sexto de sua carreira contra a Udinese. Dispensa dizer que a mudança de ares fez bem.
E a Lazio não se contentou com o empate. Zaccagni acertou a trave aos 86, no que seria um golaço, porém, poucos segundos depois, apareceu a última cartada de Gattuso: Gudmundsson, que havia entrado justamente no lugar de um exausto Frattesi oito minutos antes, recebeu cruzamento de Doekhi e marcou de cabeça logo em sua estreia, completando a virada aos 87 com o que foi quase um espelho do tento anterior. Uma vitória com cara de recado para o restante do campeonato. A Lazio de Gattuso termina a terceira rodada com nove pontos, ao lado de Roma e Inter, depois de um início perfeito que talvez poucos imaginassem algumas semanas atrás. E Frattesi, com três gols em três jogos, já começa a transformar a oportunidade recebida na capital em uma bela dor de cabeça para quem decidiu deixá-lo sair de Milão.
Afeito a gols no apagar das luzes, Gatti decretou o empate entre Juventus e Milan em Turim (Getty)
Gols e assistências: Pellegrino (Dragusin); Mandragora (Cömert) e Adams (Belghali) Tops: Mandragora e Belghali (Torino) Flops: Valdepeñas e Dragusin (Fiorentina)
Depois de um mercado recheado de reforços e expectativas, a Viola repetiu o começo desastroso da temporada passada e chegou à terceira derrota em três rodadas da Serie A, desta vez com requintes de crueldade. Porém, ao contrário de 2025-26, esperou pouco para corrigir a rota e decidiu demitir o técnico Fabio Grosso, devolvendo o comando a Paolo Vanoli. A equipe gigliata saiu na frente no segundo tempo, ensaiou uma melhora e parecia finalmente encaminhar seus primeiros pontos, mas levou a virada do Torino por 2 a 1 e deixou o gramado do Artemio Franchi sob uma sonora vaia. No fim, o treinador assumiu a responsabilidade e levou o elenco até a curva para ouvir a cobrança dos torcedores. Do outro lado, Ignazio Abate pôde comemorar sua primeira vitória no comando granata, conquistada com participação decisiva de um jogador que havia começado a semana vestindo roxo: Mandragora.
Antes da virada, inclusive, o Torino já havia sido a equipe mais convincente. A Fiorentina começou com duas boas oportunidades, parando primeiro em uma grande defesa do estreante Lucas Perri diante de Mastantuono, mas rapidamente perdeu iniciativa e passou a depender de lampejos e contra-ataques. Os granata ocuparam melhor o campo, exploraram bastante Cacciamani pela esquerda e encontraram também caminhos pelo centro, com Mandragora ameaçando duas vezes de fora da área. De Gea precisou soar em uma delas. A Viola ainda perdeu Oulaï por lesão e viu sua equipe chegar ao intervalo novamente vaiada, enquanto o Toro dava sinais de um coletivo mais organizado.
A impressão mudou por alguns minutos na segunda etapa. Grosso lançou Gnonto e Atta, e Pellegrino abriu o placar pouco depois com um belo chute de esquerda, que contou com uma forcinha de Lucas Perri. A vantagem tirou um pouco do peso das costas da Fiorentina, que passou a jogar com mais agressividade e quase ampliou em cabeçada de Atta, desta vez salva pelo goleiro brasileiro. Abate, porém, respondeu mexendo nas alas e depois na própria estrutura da equipe. Foi o empurrão que faltava para o Torino retomar o controle e preparar a virada.
Porém, a lei do ex é implacável, e é óbvio que ela viria contra a Fiorentina. Mandragora, tão importante em Florença nos últimos anos e recém-transferido ao Torino, clube em que já havia jogado em 2021-22, empatou com aquilo que se tornou sua marca registrada: uma pancada de longa distância, indefensável para De Gea. O meio-campista não comemorou e ainda foi aplaudido pelos torcedores, agora rivais. Já nos minutos finais, Valdepeñas furou ao tentar afastar a pelota, e Adams aproveitou o cruzamento de Belghali para decretar o 2 a 1. A reação não veio, nem mesmo com as últimas alterações de Grosso. O Torino deixou Florença com seus primeiros três pontos e sinais de evolução sob Abate; já a Viola permaneceu zerada e voltou a encarar cedo demais os fantasmas da última temporada. Com três derrotas consecutivas e um elenco que ficou muito distante de formar uma equipe, Grosso não resistiu. Agora Vanoli assume com enormes responsabilidades, mas também com a certeza de que é impossível ir pior.
Gols e assistências: Osmajic (Colombo); Baturina (Valle), Diao, Paz (Yan Couto) e Diao (Kean) Tops: Diao e Valle (Como) Flops: Marcandalli e Østigard (Genoa)
O Como parece cada vez mais disposto a provar que a excelente temporada passada não foi seu teto. Depois de bater o Napoli no Diego Armando Maradona, a equipe de Cesc Fàbregas visitou o Genoa e transformou um início potencialmente traiçoeiro em outra demonstração de força, desta vez com uma goleada por 4 a 1. Os rossoblù até encontraram uma forma de atacar a linha defensiva bastante alta dos visitantes e saíram na frente aos 19 minutos, quando Colombo serviu Osmajic, titular pela primeira vez. A vantagem, porém, durou pouco diante de um Como que mostrou uma diferença técnica considerável em relação aos grifoni.
Foram necessários apenas 16 minutos para que o placar fosse virado. Baturina empatou aos 24: com muita liberdade, o croata acertou um lindo chute de fora da área no canto de Bijlow. Cinco minutos depois, Diao apareceu na área para aproveitar o cruzamento de Valle, desviado por Østigard e colocar os lariani em vantagem. O golpe que praticamente encerrou a partida veio ainda antes do intervalo: Yan Couto encontrou Paz dentro da área, e o argentino bateu de direita para fazer 3 a 1. Mais do que a sequência de gols, chamou atenção a naturalidade com que o Como desmontou o Genoa depois de sofrer o primeiro. Perrone e Da Cunha ajudaram a sufocar as tentativas de saída dos donos da casa, enquanto a movimentação do quarteto formado por Diao, Paz, Baturina e Douvikas oferecia soluções por todos os lados.
Daniele De Rossi tentou reagir colocando Vitinha no lugar de Sabelli já no intervalo e, posteriormente, recorreu também a Junior Messias e Ehizibue, mas o segundo tempo esteve muito mais próximo de ampliar a goleada do que de produzir uma reação genovesa. Douvikas desperdiçou uma boa cabeçada, Paz carimbou a trave e, aos 77, Diao marcou novamente para fechar o placar, agora com assistência do estreante Kean. Com sete pontos em três rodadas, todas disputadas fora de casa por conta das obras de adequação do estádio Giuseppe Sinigaglia aos parâmetros mínimos exigidos pela Uefa na Champions League, o Como reforçou o ótimo começo de campeonato. Do outro lado, o cenário já começa a preocupar: são três derrotas em três jogos para o Genoa.
De maneira surpreendente e contando com um Frattesi em alta, a Lazio segue 100% na Serie A após três rodadas (Getty)
Gols e assistências: Piccoli (Miranda) e Dovbyk; Doig (Cinquegrano) e Adzic Tops: Dovbyk (Bologna) e Adzic (Sassuolo) Flops: Heggem (Bologna) e Muric (Sassuolo)
Chegaram os primeiros pontos do Bologna nessa Serie A, mas não sem uma boa dose de sofrimento. Depois de duas derrotas nas primeiras rodadas, os rossoblù arrancaram um empate por 2 a 2 diante de um Sassuolo que foi mais organizado durante boa parte da partida e esteve a poucos minutos de deixar o Renato Dall’Ara com a vitória. Os neroverdi abriram o placar aos 18 minutos em uma bela jogada coletiva, iniciada por Bowie e desenvolvida por Volpato e Cinquegrano, que encontrou Doig do outro lado da área. Skorupski saiu pela metade – já a zaga dos petroniani nem isso – e deixou o espaço necessário para o escocês marcar seu primeiro gol desde outubro de 2022. A resposta dos donos da casa foi tímida, Bernardeschi concentrou as poucas iniciativas ofensivas de uma equipe lenta, confusa e que ouviu algumas merecidas vaias ao descer para o intervalo.
Domenico Tedesco voltou com três alterações e conseguiu a reação que queria. Logo aos 50, Miranda cobrou escanteio e Piccoli apareceu pelo alto para desencantar com a camisa do Bologna. A igualdade, contudo, durou somente seis minutos. O time da casa se lançou demais ao ataque, Bowie aproveitou o espaço pela direita e cruzou para Adzic, que ganhou de Heggem e recolocou o Sassuolo na frente. O ex-Juventus voltou a fazer uma ótima partida, e não apenas ele: a equipe de Alberto Aquilani seguia mais vertical e objetiva, chegando perto do terceiro quando Berardi obrigou Skorupski a operar um milagre.
Sem muitas respostas no jogo construído, Tedesco resolveu aumentar o peso do ataque e juntou Dovbyk a Piccoli. A dupla de centroavantes demorou para funcionar, mas apareceu em excelente hora. Aos 90, Muric não conseguiu segurar a finalização de Libra e, no bate-rebate, Dovbyk encontrou um espaço no canto para fazer seu primeiro gol pelos rossoblù e decretar o 2 a 2. O empate não apaga os problemas de uma equipe que segue em busca de uma identidade e foi inferior ao Sassuolo durante boa parte do confronto emiliano, mas ao menos tira o Bologna do zero.
Gols e assistências: Raimondo (Oyono), Raimondo (Masini) e Kvernadze; Yeboah (Busio) e Sagrado (Hainaut) Tops: Raimondo e Calò (Frosinone) Flops: Halhal e Schingtienne (Venezia)
Os jovens italianos seguem dando as cartas neste início de Serie A, e Raimondo voltou a ser protagonista. Pela segunda rodada consecutiva, o atacante marcou duas vezes (isso mesmo) e conduziu o Frosinone à vitória por 3 a 2 sobre o Venezia, seu antigo clube. Os ciociari foram amplamente superiores no primeiro tempo e construíram a vantagem ainda antes do intervalo: aos 20 minutos, o camisa 9 apareceu livre para cabecear o cruzamento de Oyono; aos 38, completou a jogada construída por Masini e chegou à segunda doppietta seguida. Com quatro gols, o centroavante já aparece como vice-artilheiro do campeonato neste começo de temporada.
O 2 a 0 parecia encaminhar uma tarde tranquila no Benito Stirpe, mas o Venezia voltou diferente. A entrada de Yeboah deu profundidade a uma equipe que havia criado muito pouco nos primeiros 45 minutos, e foi justamente o equatoriano quem recolocou os lagunari no jogo, aos 66, com um belo chute colocado. O empate veio logo depois: Busio iniciou a jogada, Hainaut cruzou rasteiro e Sagrado apareceu na pequena área para fazer o 2 a 2. Em questão de minutos, o time vêneto havia desmontado toda a vantagem construída pelo Frosinone.
Só que Kvernadze salvou a lavoura. Pouco depois de Oyono acertar a trave de longe, o georgiano aproveitou uma bola na área, desviada no caminho por Halhal, ganhou a disputa e bateu Stankovic para marcar seu primeiro gol na Serie A e definir o eletrizante 3 a 2. O resultado leva o Frosinone aos seis pontos em três rodadas e confirma um começo bastante positivo para um recém-promovido que, por enquanto, não parece disposto apenas a assistir à elite de camarote. Para o Venezia, a reação mostrou algum sinal de vida, mas não evitou a terceira derrota em três partidas. Os lagunari seguem zerados e já começam a ver a pressão crescer.
Depois de péssimo início de Serie A, a Fiorentina transformou Grosso no primeiro técnico demitido da competição (Getty)
Gol e assistência: Maldini (Fazzini) Tops: Maldini e Fazzini (Cagliari) Flops: Gaspar e Tiago Gabriel (Lecce)
O placar diz 1 a 0, mas o Cagliari fez por merecer bem mais. Depois da derrota para a Inter, a equipe de Fabio Pisacane respondeu dominando um confronto direto contra o Lecce e chegou à segunda vitória em três rodadas, mesmo desperdiçando chances suficientes para transformar a noite em uma festa mais tranquila para seu torcedor. Foram 20 finalizações e duas bolas na trave, em uma partida na qual Maldini fez de tudo um pouco.
Desde o início, o Cagliari conseguiu controlar o meio-campo, com Fazzini circulando bastante e procurando aproximar Maldini e Mendy do ataque. O Lecce até encontrou duas finalizações com Coulibaly e Stulic, ambas defendidas por Caprile, mas passou a maior parte do primeiro tempo tentando sobreviver às investidas dos donos da casa. Aos 28 minutos, veio o prêmio: Fazzini cobrou escanteio e Maldini subiu para cabecear e fazer o único gol da partida. Foi também mais uma camisa adicionada à curiosa coleção do filho de Paolo: desde que começou a marcar na Serie A, em 2021-22, nenhum jogador balançou as redes por mais clubes diferentes no torneio. Já são seis – Milan, Spezia, Monza, Atalanta, Lazio e, agora, Cagliari. Na comemoração, o camisa 70 ainda prestou uma bonita homenagem ao companheiro Kevin Carlos, que recentemente perdeu sua mãe.
Se faltou alguma coisa ao Cagliari, foi justamente matar o jogo. Mendy acertou a trave logo no primeiro minuto da segunda etapa e abriu uma sequência de oportunidades que transformou a área de Falcone em um campo minado. Maldini passou perto em uma finalização de primeira e, pouco depois, cobrou uma falta no poste. Mesmo com as mudanças promovidas por Eusebio Di Francesco, o Lecce pouco conseguiu jogar e ainda precisou de Falcone para impedir que Sugamele e Adopo ampliassem na reta final.
Tanto desperdício quase cobrou seu preço nos acréscimos. O Lecce pediu pênalti em um contato entre Gagliardini e N’Dri e, no último suspiro, Siebert inventou uma bicicleta dentro da área que passou por muito pouco. Seria um castigo enorme para o Cagliari e um prêmio igualmente grande para um Lecce que produziu pouco. Não aconteceu. O time de Fabio Pisacane somou mais três pontos contra um adversário direto pela permanência e chegou a seis em nove possíveis.
Gols e assistências: Lontani; Robinson (Mangas) Tops: Lontani (Parma) e Robinson (Monza) Flops: Fabbian (Parma) e Folorunsho (Monza)
Lontani começou a temporada disposto a aproveitar cada oportunidade que receber. Depois de marcar duas vezes na Coppa Italia, o atacante de apenas 18 anos saiu do banco para anotar seu primeiro gol na Serie A e salvar o Parma diante do Monza. O empate por 1 a 1 no Ennio Tardini tirou as duas equipes do zero após derrotas nas primeiras rodadas e foi apenas um dos quatro registrados no campeonato até aqui. O ponto, porém, teve sabores diferentes: os crociati podem agradecer à sua jovem promessa por resgatar uma partida na qual produziram pouco, enquanto os brianzoli deixaram escapar uma vitória que parecia merecida pelo que apresentaram principalmente no primeiro tempo.
Sem Cutrone, cortado pouco antes da partida por um problema muscular, o Monza assumiu o controle e mostrou uma organização que ainda falta ao adversário. O 3-4-2-1 de Ivan Juric pressionava alto, trabalhava a bola de um lado para o outro e acumulou oportunidades, sobretudo com Mota, que primeiro cabeceou por cima e depois parou em uma grande defesa de Corvi. Thiam, goleiro do Monza, também fez uma boa defesa no cabeceio de Troilo. A superioridade dos visitantes resultou no gol aos 38 minutos, quando o também jovem Robinson acertou uma pancada de fora da área para abrir o placar.
Carlos Cuesta mexeu bastante no intervalo e encontrou no banco quem mudaria a história. Depois de promover três alterações de uma vez, o treinador lançou Lontani aos 55 minutos no lugar de Romero e foi recompensado pouco tempo depois. O jovem italiano recebeu dentro da área e bateu de direita para empatar. O Monza já começava a perder intensidade, embora Colpani ainda tenha exigido outra boa defesa de Corvi, e não conseguiu recuperar o domínio anterior. O Parma cresceu um pouco, mas continuou sem criatividade suficiente para completar a virada, encerrando a tarde com seu primeiro ponto na Serie A. Para Lontani, fica uma história bem mais especial: aos 18 anos, três gols neste início de temporada e o primeiro deles na elite italiana. Alô, Roberto Mancini?!
Carnesecchi (Atalanta); Wesley (Roma), Gatti (Juventus), Hermoso (Roma), Valle (Como); Frattesi (Lazio), Mandragora (Torino); Diao (Como), Soulé (Roma), Raimondo (Frosinone); Lautaro (Inter). Técnico: Cristian Chivu (Inter).
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