Jogada10
·15 de junho de 2026
Não é de hoje. Afinal, por que Endrick é preterido na Seleção?

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·15 de junho de 2026

Menos de 48 horas depois da estreia da Seleção na Copa de 2026, Endrick é o assunto que repercute nas redes sociais e mobiliza analistas e curiosos. O atacante não saiu do banco de reservas no empate diante de Marrocos, mas a reclamação feita a Neymar após a divulgação da leitura labial na TV Globo abre margem para o debate sobre o motivo pelo qual ele acaba preterido. Ainda que convocado para defender a Canarinho.
Foi assim com Dorival Júnior em 2024, e a história parece se repetir agora com Carlo Ancelotti. Ambos, aliás, conversavam frequentemente sobre Endrick naquele ano em que o italiano dirigia o jovem atacante no Real Madrid e o técnico brasileiro, por sua vez, iniciava sua passagem no comando da Canarinho. Na ocasião, fiz a cobertura in loco dos treinos e amistosos na Europa diante de Inglaterra e Espanha. Com um gol em cada partida, Endrick deu vitória ao Brasil em Londres e colaborou decisivamente no empate em Madri.
Ainda que decisivo pela Seleção, o atacante precisou lidar com um período de “sumiço” durante o ciclo de Dorival. Em março de 2025, o então treinador afirmou que não o chamava pela baixa minutagem que o canhoto estava tendo no futebol espanhol. Mas a imprensa não digeriu essa resposta.
Ora, não são poucos os técnicos a atribuírem falta de disciplina tática a Endrick. O que seria um contraste à liberdade criativa tão presente em jovens atacantes. Mas, afinal, por que criatividade tem de ser confundida necessariamente com desobediência tática? Não seria possível conciliar disciplina e inventividade no futebol moderno?
Em tempos de exigências táticas inegociáveis, um jovem jogador precisa aprender e cumprir o esquema coletivo, o que consiste na maioria das vezes em contribuir na marcação e se posicionar corretamente. Entretanto, a história do futebol brasileiro mostra que os grandes talentos se destacaram justamente pelo improviso criativo que tanto já decidiu jogos.
Em março deste ano, Endrick deu provas disso diante da Croácia. Entrou com o placar empatado e, ao arriscar jogadas fora do script, conseguiu uma assistência e sofreu um pênalti, mudando o rumo da partida. Frente ao Egito, novamente com o equilíbrio no embate, anotou o gol da vitória com atitude decisiva. Esses momentos provam que, em certos jogadores, a liberdade de ação é tão importante quanto a disciplina.
Neymar, o receptor do desabafo do canhoto, nunca foi um grande exemplo de obediência tática, mas sua genialidade sempre esteve ligada à capacidade de improvisar e criar. Quando em plena forma, foi decisivo justamente por não se limitar a seguir padrões rígidos. Perceba que refiro-me a não se limitar, e não descumprir.
Defender a Seleção é o auge de todo jogador de futebol e cumprir o plano tático é fundamental. Mas não se pode exigir abrir mão da inventividade do talento. Seria o mesmo que desperdiçar o DNA criativo do futebol brasileiro. Conciliar ambos, portanto, não é tarefa impossível.
Além disso, a evolução do jovem atacante não se dá apenas pelo talento em campo, mas pela disciplina cultivada longe dos holofotes. Em diferentes entrevistas, ele já enfatizou a importância de manter o foco, seguir uma rotina estruturada e investir na preparação mental como pilares para enfrentar os desafios de uma carreira que cresce em ritmo acelerado.
Endrick, portanto, se recusa a ser um centroavante robô. Ele já entendeu o recado e sabe que a disciplina é necessária. O segredo, contudo, está no equilíbrio entre obedecer e criar. E é isso o que mantém viva a identidade brasileira no futebol.







































