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·27 de fevereiro de 2026

Não é justo tratar como apenas uma vergonha um jogo que também foi um vexame e uma humilhação

Imagem do artigo:Não é justo tratar como apenas uma vergonha um jogo que também foi um vexame e uma humilhação
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Diante de resultados negativos, uma tentação sempre se apresenta. A de trocar a análise sensata pelas palavras fortes, a de substituir o sangue frio da busca por respostas pela violência sem foco da crítica generalizada. Mas uma partida como a desta qunta-feira, a derrota por 3x2 para o Maracanã diante do Lanús, que rendeu o fracasso na Recopa Sul-Americana, merece uma discussão que vá além do resultado e faça sim justiça ao que o time realmente apresentou dentro de campo.

Ou seja, mais do que reconhecer que o atual campeão da Libertadores perder as duas partidas para o atual campeão da Sula é um resultado patético e vergonhoso, é preciso também deixar claro que a maneira como esse fracasso se deu é um vexame histórico, uma patetada épica, o tipo de desempenho que, num país de constituição menos liberal, renderia de dez a vinte anos de prisão para cada um dos envolvidos, com direito a trabalhos forçados e castigos físicos, se possível os dois ao mesmo tempo.


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E que outro tipo de análise pode ser feita diante de uma jogada como a do primeiro gol sofrido pela equipe rubro-negra na noite de ontem? O Flamengo pressionando, a equipe argentina tão acuada que Rossi estava praticamente na linha do meio de campo, e aí o que acontece? É complicado descrever e mais difícil ainda explicar. Ayrton Lucas recuou com pouca força? Nosso goleiro teve uma ausência e esqueceu onde estava? Luis Felipe se recusou a dar esmola para uma senhora misteriosa e agora é vítima de uma terrível maldição? As três respostas parecem igualmente absurdas e prováveis, a essa altura do campeonato.

Mas temos também o gol de empate sofrido pelo Flamengo no finalzinho da prorrogação, quando a torcida já se preparava psicologicamente para a disputa de pênaltis. O que leva uma equipe teoricamente de ponta a sofrer um gol desses? É soberba? É distração? Os jogadores do Flamengo passando por uma situação como a do sargento Raymond Shaw no filme “Sob o domínio do mal”, de 1962 e sofreram lavagem cerebral para que, diante de um gatilho específico, um som, uma imagem, apenas parem de jogar bola e fiquem assistindo os adversários? Impossível garantir que não.

Porque o que vimos foi um time absolutamente dominante durante toda a partida, mas também incapaz de transformar esse domínio em ações ofensivas organizadas. Tivemos muita bola rodando na frente da área, muitos cruzamentos caóticos, muita falsa ida na ponta que resultava em bola voltando pro zagueiro. Mas a movimentação não estava lá, a dinâmica seguia ausente, em diversos momentos parecia existir dentro da equipe uma competição que seria vencida por quem chutasse menos no gol.

O resultado dessa soma de indigência ofensiva e falhas defensivas grotescas não podia ser outro além de uma humilhação histórica dentro do Maracanã. Fevereiro ainda não terminou e já perdemos duas taças, ambas de forma lamentável, ambas sem apresentar um futebol minimamente decente, ambas em partidas onde o Flamengo nem sombra foi da equipe que vimos em campo na temporada passada.

O cenário agora é obviamente de urgência. A paciência da torcida começou a se esgotar, o Brasileirão está em pleno curso, a Libertadores vem aí e as vozes malignas dos doidinhos de rede social já sussurram palavras de delírio e terror como “fernando” e “diniz”. Cabe a Filipe Luís e ao elenco estrelado do Flamengo reagir o quanto antes, seja pra manter vivas as chances de título do Flamengo nessa temporada, seja para manter os próprios empregos. O que quer que esteja acontecendo com esse time, já foi longe demais e precisa parar.

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