Jornal do Fla
·22 de setembro de 2026
Não precisa seguir o líder não, fiquem de boa e deixem a gente abrir vantagem

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·22 de setembro de 2026


Talvez “ambivalente” seja o termo que melhor descreve os sentimentos causados pelo Flamengo de Leonardo Jardim na temporada 2026.
Porque é inegável o fato de que o time vive seu melhor momento na temporada, em termos de resultados. No meio da semana nos classificamos para uma semifinal de Libertadores e neste domingo (20), após a vitória diante do Bragantino, ampliamos a vantagem na liderança do Brasileirão. Estar a três jogos de mais um título continental e com três pontos e duas vitórias de vantagem faltando dez jogos para o fim do campeonato nacional não é pouca coisa e não pode ser tratado como tal.
Mas ao mesmo tempo é perceptível a sensação de que, por mais que sim, os objetivos estejam até agora sendo alcançados, eles poderiam ser alcançados de forma um pouco mais fácil, um tanto quanto mais segura, certamente um bocado mais tranquila.
E mais um exemplo disso foi dado exatamente nessa vitória contra o Bragantino. O Flamengo teve amplo e completo domínio durante a maior parte da partida? Sim. O Flamengo teve chances claríssimas que poderiam não apenas ter resolvido a partida como garantido uma goleada? Certamente. Mas o Flamengo conseguiu não apenas perder essas chances como ainda sofrer um gol bizarro no segundo tempo, permitindo cinco minutos de preocupação absolutamente desnecessária? Mas é claro.
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Daí nasce a ambivalência causada por essa atual equipe rubro-negra. Porque obviamente estamos diante de um grande time, com excelentes jogadores, mesclando craques históricos da nação, contratações de padrão europeu e promessas sul-americanas. Temos um time tão forte que Ayrton Lucas, nosso “ponto fraco”, tem nas costas duas Libertadores e convocações pra seleção brasileira. Com certeza ficaram pra trás os anos de torcer pelo volante Val, que veio do Mogi e, na sua apresentação, estava usando uma camisa cuja estampa era um chinelo gigante.
Mas ao mesmo tempo é muito complicado entender como Carrascal perdeu aqueles três gols sozinho diante do goleiro do Bragantino na noite de ontem, pra ficar em apenas um exemplo ao mesmo tempo prático e gritante. Porque se ele, com três chances claras, tivesse concretizado uma, já teríamos aberto uma vantagem que tornaria o gol contra bizarro que sofremos algo irrelevante. Só que, obviamente, também não podemos descer o pau no Carrascal porque foi dele o belo cruzamento que encontrou Varela no primeiro gol. Como eu disse, ambivalência.
Então sim, seguimos com muito mais a comemorar do que a criticar. Os resultados estão vindo, as vitórias continuam acontecendo, nossa arrancada depois da pausa da Copa transformou o que antes era uma exaustiva perseguição ao líder numa liderança que, se não é confortável, ao menos já garante alguma margem pra erro.
E por mais que siga a sensação de que isso poderia ser atingido com mais tranquilidade, a verdade é que no fim das contas o importante é ganhar. Se ganhamos de goleada, se ganhamos pela margem mínima, se facilitamos ou se complicados, o essencial é que as vitórias venham e as taças cheguem. E até agora o Flamengo de Leonardo Jardim parece estar mesmo no caminho certo pra conseguir as duas coisas.
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