Central do Timão
·08 de setembro de 2026
Nicole valoriza reação do Corinthians em classificação no Brasileirão Feminino e projeta duelo com o Bahia

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·08 de setembro de 2026

O Corinthians está novamente entre os quatro melhores do Campeonato Brasileiro Feminino. Na última segunda-feira, as Brabas venceram o Cruzeiro por 3 a 1, no Canindé, e confirmaram a classificação para a semifinal da competição. Depois do triunfo por 1 a 0 no jogo de ida, em Minas Gerais, o Timão fechou o confronto com 4 a 1 no placar agregado e chegou à décima semifinal consecutiva.
Após a partida, a goleira Nicole concedeu entrevista coletiva e destacou principalmente a mudança de comportamento da equipe nos últimos jogos. O Corinthians passou a utilizar uma formação com três zagueiras, mas, para a camisa 1, o sistema escolhido não é o principal responsável pela evolução apresentada pelo time.

Foto: ©Rodrigo Gazzanel / Ag. Corinthians
Nicole explicou que a mudança tática foi recebida com naturalidade pelo elenco e lembrou que as jogadoras já haviam trabalhado com uma formação semelhante anteriormente. Para ela, o mais importante foi a capacidade de adaptação e, principalmente, o comprometimento coletivo para fazer o modelo funcionar.
“Acho que a mudança não tem a ver com ser mais defensiva ou não. A gente tentou algo novo, talvez vendo que não que o losango não estava dando certo, mas tentaram algo novo. Acho que essa transição foi tranquila porque a gente já tinha feito isso com os treinadores antigos, então acho que não teve um problema. Foi mais sobre adaptação, né? Tem o esquema, mas cada um tem suas particularidades em relação ao esquema. Mas eu acho que a melhora do desempenho diz muito sobre a nossa atitude, né? Acho que mudança de atitude diz muito”, iniciou Nicole na entrevista.
Na avaliação da goleira, independentemente da formação escolhida pela comissão técnica, o Corinthians precisa entrar em campo disposto a cumprir aquilo que foi planejado. Segundo Nicole, foi justamente esse comprometimento que fez diferença na reação da equipe e nos resultados recentes.
“Para mim, não importa o esquema. Importa o quão comprometida a gente está em fazer o esquema dar certo. E eu acho que nesses últimos jogos a gente se comprometeu muito, independente da formação que a gente estava no campo, acho que isso refletiu na melhora do nosso desempenho”, apontou a jogadora.
O Corinthians precisou mostrar poder de reação diante do Cruzeiro. As mineiras saíram na frente no Canindé, mas as Brabas responderam ainda no primeiro tempo e construíram a vitória por 3 a 1. Para Nicole, a maneira como o time reagiu ao gol sofrido foi um dos principais pontos positivos da classificação. A goleira ressaltou que o elenco não abandonou o plano de jogo e manteve a confiança mesmo em um momento de dificuldade.
“Eu acho que a gente está sempre muito convicta do que a gente quer, acredita muito no plano de jogo e no potencial que o time tem. Hoje foi um erro bobo, né? Acabamos dando azar de pegar, nem saiu o lance, só veio a menina na minha cara ali, precisou assistir. Mas eu acho que é manter a cabeça firme no nosso objetivo, não se deixar abalar. Hoje a gente tomou o gol, mas em nenhum momento a gente ficou abalada, por isso a gente continuou propondo o jogo. A gente acreditava muito que a gente podia fazer um grande jogo e ir no elenco. E acho que isso é o mais importante, como eu citei anteriormente, essa atitude que a gente teve”, disse.
“Não é fácil tomar o gol, mas acho que a nossa reação é o mais importante naquele momento. A gente manteve a proposta, manteve a atitude ofensiva, e acho que foi o principal para hoje”, continuou Nicole.
Na semifinal, o Corinthians terá pela frente o Bahia, que eliminou o Palmeiras nas quartas de final. O confronto será disputado em dois jogos, nos dias 13 e 20 de setembro, com os detalhes de mando e horário ainda sujeitos à confirmação da CBF. Nicole espera um confronto equilibrado e ressaltou que o Corinthians precisará apresentar uma postura diferente daquela mostrada no encontro anterior entre as equipes.
“Eu acho que é um adversário muito difícil, vai chegando nessas fases finais. Não existe, acho que entra todo mundo igualado nesse momento. Todo jogo é muito difícil, muito complicado. O contexto, ele se transforma numa coisa muito difícil de ser jogado. Acho que o Bahia é uma grande equipe, a gente enfrentou elas recentemente e vimos o quão difícil foi jogar contra elas. Acho que vale a pena a gente analisar o que não foi bom. Acho que o jogo foi muito abaixo do que a gente fez contra elas. Mas, como comentando o que eu falei antes, acho que vai muito da nossa atitude e como a gente vai enfrentar o jogo também”, comentou a goleira.
Antes de chegar à semifinal, o Corinthians precisou superar a frustração da eliminação para a Ferroviária em outra competição. Nicole afirmou que aquele episódio serviu para o grupo reforçar a necessidade de estar mais conectado durante as partidas.
“Volto a bater no ponto de atitude. Acho que a gente entendeu que precisava fazer algumas coisas diferentes. Acho que a gente aprimorou muito essa conexão que a gente teve. A gente falou muito sobre conexão essa semana. Acho que melhorou bastante, principalmente, a gente estava perdendo muito gol, estava sofrendo com isso. E hoje a gente vê um time mais conectado, mais coeso lá na frente, ali atrás também. Acho que a gente entendeu que a gente precisava uma da outra, não que a gente já não fizesse isso, mas o quão impactante isso é lá dentro de campo”, afirmou.
“Então acho que a lição foi mais sobre isso. A gente criou muito, fez bons jogos também contra a Ferroviária, acabou não convertendo. A gente se fechou ali e falou que precisa melhorar, se conectar, estar mais junto em relação a isso. E acho que refletiu lá dentro de campo também”, complementou.
Agora, o Corinthians enfrentará o Bahia
nas semifinais do Brasileirão Feminino, com jogos de ida e volta previstos para os dias 13 e 20 de setembro, após eliminar o Cruzeiro nas quartas de final. A CBF ainda definirá os horários e locais exatos das partidas, que valem vaga na final contra o vencedor de São Paulo e Flamengo.
Confira outras respostas de Nicole na entrevista coletiva após o jogo entre Corinthians x Cruzeiro:
Pagamentos atrasados
“A gente tenta não deixar interferir, né? A gente sempre ama o Corinthians, coloca o trabalho acima de tudo, mas somos seres humanos também, né? E acho que querendo ou não, estar um pouco mais regularizado nos pagamentos ajuda muito. A gente joga com a cabeça um pouco mais tranquila, um pouco mais relaxada, pensando que o dinheiro não é tudo, mas é importante para a gente como ser humano. Então acho que alivia um pouco a pressão, deixa a gente um pouco mais tranquila para jogar também.”
Diferenças entre jogar no Canindé e na Neo Química Arena
“Eu acho que a Arena em si é sugestiva para a torcida estar presente. Acho que realmente faz diferença, o público vai mais para a Arena. Mas acho que são decisões que estão acima da gente. A gente passando de fase, acho que é o mais importante para realmente ser interessante para o torcedor estar aqui. Mas são decisões que estão acima da gente. A gente também prefere jogar na Arena, mas não tem como a gente ir contra decisões maiores e a gente vai jogar onde for proposto para a gente.”
“Mas acho que sim, a Arena é diferente jogar lá para a gente. Também a atmosfera, mas hoje acho que foi muito legal. A torcida compareceu, estava aqui presente, apoiando a gente, fez um barulho. Então acho que independente de onde a gente jogar, quando o torcedor está junto a gente sente essa energia, essa atmosfera é diferente.”
Crescimento do futebol feminino
“Sim, tem uma frase que eu gosto muito, que chegar no topo é difícil, mas se manter lá é mais difícil ainda. É uma frase que eu carrego e quando eu cheguei aqui eu tive o mesmo questionamento. E eu acho que é muito sobre o ambiente interno, sabe? A gente tem grandes atletas, mas a gente se cobra todos os dias por esse escudo.”
“Acho que a gente sempre coloca isso na frente de tudo. A gente quebra o pau lá entre a gente, mas sempre no bom sentido de querer levar o Corinthians para as finais. Então acho que essa cobrança, esse querer que as meninas, eu me incluo, tem desde que eu cheguei aqui, é o que faz a diferença. Enfim, tem várias situações que passam lá dentro, mas sempre em prol do Corinthians. Eu acho que é o que reflete na gente chegando nas finais e tendo sempre bons resultados.”
Mais equipes de fora de São Paulo nas fases finais do Brasileirão
“Eu vejo com bons olhos. Ano passado tive uma pergunta similar na final do Cruzeiro, e eu acho muito bom, porque o futebol feminino, os principais times sempre estiveram aqui em São Paulo, e ficava muito fechado a isso, e acho que ter outros times fora de São Paulo chegando às fases finais, diz muito sobre investimento, sobre melhora, sobre o quão importante tem sido essa crescente dos outros times também fora de São Paulo.”
“Então acho que é muito legal. Para mim é um sinal de que os outros times também estão investindo fora de São Paulo, estão se preocupando com o futebol feminino, então, para mim, eu vejo sempre com bons olhos.”
Ambiente vencedor do Corinthians
“Volto a bater na tecla do ambiente. Sei lá, toda vez que a gente entra, representar esse escudo é uma sensação diferente. O time feminino, a gente sempre bate no quão importante é representar o Corinthians, e no quão importante é a nossa história dentro do futebol feminino, e a gente se fecha, se abraça, acho que agora nas semifinais fica muito evidente o quão importante é esse ambiente vencedor.”
“Eu acho que muito de mentalidade. Como eu falei, desde que eu cheguei aqui, eu aprendi muito. Cheguei aqui, agora estou aqui, e muito sendo transformada por essa energia das meninas, e acho que é isso que faz toda a diferença. Claro, a gente tem um elenco sensacional também, mas a mentalidade e a vontade de vencer aqui dentro é muito grande, e acho que é por isso que a gente está sempre ali brigando pelos títulos.”
Relação com Ana Morganti, jovem goleira do Corinthians
“Muito legal. Eu tenho um carinho enorme pela Morganti. Falo para ela todos os dias que na idade dela eu era muito ruim, e ela é muito boa, e que ela é o futuro do país, o futuro do Corinthians. Fico muito feliz de poder compartilhar o dia a dia com ela. Acho que é uma goleira incrível, muito trabalhadora, como ser humano também. Queria dizer para ela que eu admiro muito ela, e que ela vai colher bons frutos do que ela está fazendo.”
Liderança e comunicação
“Primeiro eu sou taxada de chata, e eu fico sem voz agora para a coletiva. Mas eu sempre comento do quão importante é a nossa visão ali de trás, e o quão importante é ter um entendimento tático também do que foi proposto. Então a gente vê alguns detalhes que talvez passam despercebidos, às vezes um atacante puxando uma zagueira para abrir um espaço, e a gente procura orientar dessa maneira.”
“Tem a parte do incentivo também que eu acho que é muito importante. Na hora que vai montar a linha, a gente trabalha com a linha mais alta, a gente trabalha com zona no escanteio, então acho que nesses momentos a gente é muito importante. Às vezes as meninas estão no calor do jogo e elas esquecem, e nesses momentos de bola parada é detalhe.”
“Um passinho para dentro da área, por exemplo, faz diferença. Uma entrada descoordenada faz diferença. Então acho que nesse momento é a hora da gente entrar, mostrar mesmo que a gente está ali dentro do jogo e ajudar elas, e acho que é sim importante para elas. E fico feliz de ser uma liderança, acho que para mim é muito importante poder ajudar elas, e depois eu vou pedir para elas colaborar com o fonoaudiólogo, para a minha voz também.”
Yane, goleira que se destacou na classificação do Bahia, próximo adversário do Corinthians
“Acho que é muito legal, a gente é viciada em futebol, assiste tudo, e nesses momentos eu vejo como é importante ter boas goleiras, o quanto faz diferença, o quanto já foi criticado, e agora o quão importante é ter boas goleiras nesses mata-matas.”
“Então eu chego com bons olhos, fico muito feliz por ter uma grande goleira, acho que enriquece, muito feliz não, que espero que não seja tão boa quanto a gente, mas acho que enriquece o futebol feminino no geral, acho que é importante sempre questionar a goleira, goleira, goleira. Então acho que nesse momento, sim, as goleiras foram cruciais, e é importante ter boas goleiras, e espero que a gente possa fazer um bom duelo, e que eu brilhe mais que ela.”
Evolução pessoal no Corinthians
“Sim, acho que o fato de competir com meninas tão boas, melhora a gente, é muito difícil treinar no Corinthians, porque as meninas são muito boas, você não pode errar, e desde o primeiro dia eu procurei absorver o máximo de todo mundo, das meninas de linha, das goleiras, aprendi muito com a Lelê, acho que com todas as goleiras que estão lá, a nossa preparação de goleiras, a Hilary, a Morgant, o Jô e o Lucas, e acho que tem sido muito importante compartilhar um dia a dia em alto nível.”
“Acho que isso que faz muita diferença para bons resultados para a gente aqui, sempre falo que eu estou lá representando um trabalho, mas a gente tem quatro grandes goleiras que são tão boas quanto eu para estar lá representando o time, então acho que foi muito importante compartilhar esse dia a dia, eu cresci muito, são meninas que estão ali o tempo todo te ajudando, te apoiando, e passaram essa confiança para mim.”
“Eu sinto que desde que eu cheguei aqui no Corinthians eu evoluí muito, justamente pelo time confiar e me passar essa segurança, então estou muito feliz de poder estar representando o trabalho, mas o trabalho ele sempre é cercado de grandes pessoas por trás, e acho que eu estou só representando um trabalho que é muito bem feito por todo o departamento de goleiras.”
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