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·25 de março de 2026

“No limite”, o verdadeiro vento da ambição

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No Arena Segunda Edição dessa terça-feira (24), debatemos a notícia de que o Athletico não irá trazer mais nenhum reforço nessa janela extra de estaduais – aberta até o dia 27 de março. Mesmo com o clube ainda precisando de opções para a zaga e, principalmente, na centroavância. As palavras utilizadas de fontes de dentro do clube foram de “ir no limite até a janela da metade do ano”, com a nova promessa de que o clube irá se reforçar na metade da temporada para as lacunas que permanecem no elenco.

Concordei com nosso Vini Santos de que faltou ambição ao clube. Ou, como utilizamos, a “ambiçãozinha”, já que o ponto trazido para a discussão pelo Vincenzo é de que o Athletico nunca teve e não poderia ter ambição de competir para ganhar competições no mesmo páreo de um Flamengo e Palmeiras, por exemplo, devido à disparidade grande de orçamentos e financeiro que existem. O curioso é saber que justamente o quarto vento do nosso novo escudo, que representa o quarto valor fundamental para o Athletico, foi chamado de ambição. E é claro que não estamos falando dessa ambição como a de ser campeão mundial até 2024. Até por isso trouxemos a nomenclatura de “ambiçãozinha”. Mas a falta dessa diretoria em fazer mais para ser mais competitivo dentro do que podemos, sim, brigar. É a falta de ter uma mínima ambição para melhorar esse elenco de 2026 com duas peças. Apenas duas: zagueiro e outro centroavante. A falta de querer um pouco mais, que todo ano a torcida coloca suas esperanças nisso para poder comemorar como em 2018, 19 e 21.


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E usando exatamente esses exemplos de equipes que nosso novo membro, Alexandre Slaviero, bem trouxe que esses times sempre mesclaram a experiência de jogadores já rodados, campeões, com os novos talentos, com jovens promessas. As chamadas apostas que o Athletico usou como receita e deram certo, deram retorno em competir, principalmente nos cenários de Copas que propiciam que o futebol possa se igualar em noites mágicas. E, junto com a continuidade de trabalho, de espinhas dorsais que conhecem o clube, trabalho de treinador, as chances melhoram.

Nesse início de 2026, parecia ser o caminho que o Athletico retomaria. E até retomou. Aguirre, Luiz Gustavo, Benavídez, Portilla como reforços que trazem experiência e novas mentalidades em querer mais, ser campeão. Continuidade de Santos, Esquivel, Zapelli, Julimar que conhecem já bem o clube. As joias da base brilhando com Arthur Dias, Chiquetti, Dudu, Bruninho, João Cruz, Léo Derik e outros que vão continuar a compor o principal. Além dos colombianos que se tornaram essenciais dentro do time de Odair, como Terán, Mendoza e Viveros. E apesar de ter um 11 interessante, que pode se aumentar para 12, 13 ou até 15, o elenco se torna curto, principalmente podendo haver lesões ou suspensões em setores que quase não há recomposição. Zagueiro reserva, apenas Léo Pinheiro. Na centroavância de ofício, apenas Renan Peixoto. Ambos muito abaixo. E o Athletico se agarra na inventividade do seu treinador em improvisar Benavídez e Esquivel como zagueiros, Julimar e Bruninho mais centralizados no ataque. Parece não se importar que, mesmo assim, pode enfrentar grande desgaste e desfalques. Problema que seria facilmente resolvido se tivesse seguido sua receita e apostado em jovens com talento, potencial para evolução e retorno financeiro: o zagueiro Dantas e o atacante Gabriel Taliari.

O que criticamos e pedimos não é uma ambição de quem vai competir em mercado com clubes que fazem contratações bilhonárias, mas ambição em contratações que podem agregar e que sempre fizeram sentido com o que foi seguido por essa mesma diretoria em outros anos. Apostar em ir “no limite” até o final do ano é, mais uma vez, jogar mais com a sorte do que com o juízo. Com a competência necessária que o quarto vento da ambição se diz representar. E é claro que quando as coisas estão indo bem fica fácil justificar a si mesmo que podemos ir levando assim por mais alguns meses. Mas bastam duas ou três derrotas para o cenário mudar completamente. Basta apenas um ponto para que uma tragédia se repita, como o filme trágico vivido em 2024.

O quarto vento da ambição não é representado pela promessa feita de trazer um centroavante e um zagueiro desde o final de 2025, mas que na prática nã contratou e fez sua última atividade no mercado no dia 23 de janeiro. Não representa a promessa feita de trazer oito reforços ao seu treinador poder fazer uma série A e trazer apenas cinco (com duas que levantam dúvidas). Não é representado com “ir no limite” e na metade do ano a gente vê no que vai precisar. E qual a garantia de confiar em promessas que já foram feitas e não foram atendidas? Qual a confiança de uma janela de meio de ano boa quando, na mesma época, será preciso fazer um pix de mais de 60 milhões de reais para pagar a Arena? Qual a confiança quando não conseguimos gastar para comprar um Dantas e um Taliari?

Por mais que Odair Hellmann tenha afirmado em entrevista coletiva de que o Athletico seguiu o planejado a ser feito na janela e de que se for para trazer qualquer jogador, prefere usar os meninos da base, isso não cobre as lacunas. Não há meninos da base para cobrir os lugares no ataque e na defesa. E os nomes que poderiam ter sido melhor atacados nessa janela, eram nomes que poderiam valer o risco, não só trazer qualquer jogador. A torcida entende que não se deve contratar só por contratar, que precisa ter qualidade acima da quantidade, mas precisam também existir opções. Um elenco tem que ser formado para voltar a disputar a elite do futebol nacional. ELENCO, não só um time. O Athletico é, sim, competitivo. Faz, sim, um ótimo início de ano. A torcida é, sim, para que a gente consiga continuar nessa campanha até metade do ano. Mas a corda, o limite que divide essa boa fase para problemas começarem a atrapalhar, é tênue. Está a um passo, uma lesão, um cartão para acontecer. E poderia estar apenas a uma contratação de ser resolvido. Nem tudo precisa ser “no limite”.

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