Zerozero
·15 de janeiro de 2026
Nome de craque, trajetória de superação: Garrinsha brilha contra o Flamengo

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·15 de janeiro de 2026

Um jogo pode alterar uma carreira, uma história. Mas antes disso, existe um percurso, que muitas vezes é ignorado. Com nome de estrela brasileira, Garrinsha nasceu no Haiti, viveu momentos de dor e desespero, e necessitou de muita resiliência e sacrifício antes de ser destaque no Brasil, com golo e assistência contra o Flamengo pelo Carioca.
O nome não é por acaso: é realmente uma homenagem ao craque genial, ídolo máximo do Botafogo e lenda do futebol brasileiro e mundial. Ex-jogador profissional, o pai de Garrinsha levou a idolatria ao nome do filho. E o destino quis levá-lo ao Rio de Janeiro para brilhar contra um dos rivais mais conhecidos do inesquecível camisa 7: o Flamengo.
Antes do confronto com o Rubro-Negro, Garrinsha já era reconhecido pela curiosidade do nome. Após o jogo, contudo, o que ressaltou foi o seu futebol. As comparações com o craque do Bota são injustas, mas o haitiano do Bangu demonstrou com um golaço que também possui o seu próprio brilho e pode continuar a ascender no futebol brasileiro. O golo pode ser visto abaixo.
O dia de fama esconde uma história de sofrimento, comum ao povo haitiano. Garrinsha era criança quando um terramoto catastrófico atingiu o Haiti. Viu o muro da sua casa cair sobre o seu primo, que sobreviveu. Os dois jogavam bola na rua antes de procurar refúgio em casa. Foi o momento mais marcante da vida do agora jogador profissional.
«Foi terrível. Perdi amigos, perdi família. Não fui atingido, mas vi várias outras pessoas morrendo, família, amigos. Perdemos muita gente», lamentou ao contar a sua história.
O amor ao futebol levou-o ao projeto Pérolas Negras no Haiti. Daí, veio para a sede no Rio de Janeiro. Foram anos de dedicação até chegar a uma competição de elite estadual - jogou divisões inferiores no Rio, em Minas e São Paulo. A estreia foi melhor do que o sonhado, mas ainda falta muito para o final feliz.
«Não podia ter estreado melhor do que isso, graças a Deus. O mais importante é ter conseguido a vitória. Foi muito gratificante para mim», celebrou, mas lembrando que não vê a família, que fugiu para os Estados Unidos para escapar do caos vivido no seu país natal, há seis anos.
«O futebol é um desporto muito difícil, porque exige muito sacrifício. Posso dizer que sou um exemplo disso, estou há seis anos aqui no Brasil sem ver a minha família. Temos que continuar a trabalhar, a focar, porque, se temos um objetivo, temos que passar por este processo para alcançar o nosso propósito.»
«Começar bem é muito importante para a minha carreira. Todos sabemos a visibilidade do Carioca. Nunca tive a oportunidade de jogar a Série A, a minha primeira vez, começar desta forma é muito bom. É só agradecer a Deus e continuar a trabalhar. Em primeiro lugar, alcançar o objetivo do Bangu, que é qualificar-se, e estar num campeonato nacional no próximo ano», disse, com os pés assentes na terra.
Aos 24 anos, Garrinsha sabe que a vida não é um conto de fadas. Mas continua o seu trabalho para inspirar jovens, especialmente os que enfrentam dificuldades neste momento no Haiti - «Sei de onde vim. Quero que os jovens de lá continuem a seguir os seus sonhos, e a trabalhar arduamente, porque nada se consegue sem trabalho».









































