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·26 de agosto de 2026

Números explicam por que o Manchester City investiu em Allan, do Palmeiras

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A transferência de Allan para o Manchester City pode ser explicada por muito mais do que gols e assistências.

Um levantamento publicado nesta quarta-feira (26) pela Opta Analyst, braço de análise de dados da Opta, mergulhou nos números do jogador de 22 anos e encontrou características que ajudam a entender por que um dos gigantes da Premier League decidiu investir pesado na Cria da Academia.


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O estudo mostra um jogador que está entre os melhores dribladores do Campeonato Brasileiro, conduz a bola por grandes distâncias, supera múltiplos adversários em uma mesma jogada com frequência acima de qualquer outro atleta da competição e ainda oferece participação defensiva incomum para um ponta.

Ao mesmo tempo, a análise aponta onde Allan ainda precisa evoluir: sua produção de gols e criação de oportunidades ainda não acompanha o impacto que apresenta carregando a bola.

É justamente essa combinação de qualidades já muito acima da média e espaço evidente para desenvolvimento que ajuda a explicar a aposta do Manchester City.

Os dados foram publicados originalmente pela Opta Analyst, em análise assinada pelo jornalista Ryan Benson.

Allan está entre os jogadores que mais driblam no Brasileirão

O primeiro número chama atenção.

Segundo a Opta, Allan registra 4,98 tentativas de drible a cada 90 minutos no Campeonato Brasileiro de 2026.

A marca coloca o jogador na 10ª posição entre todos os atletas da competição com pelo menos 600 minutos disputados.

Existe um detalhe que torna o dado ainda mais relevante.

Allan acumulou 1.553 minutos no recorte analisado. Entre os nove jogadores posicionados acima dele no ranking de dribles por 90 minutos, apenas um havia atuado mais.

Ou seja: não se trata de uma estatística produzida em uma pequena amostra de jogos.

Allan manteve esse comportamento durante uma quantidade significativa de minutos.

Mais da metade dos dribles termina com sucesso

Quantidade, porém, não significa necessariamente eficiência.

Nesse aspecto, Allan também aparece bem.

A Cria da Academia completou 55,8% das tentativas de drible no Brasileirão.

Entre os 69 jogadores que haviam tentado pelo menos 30 dribles na competição, o percentual colocava Allan na 12ª posição em eficiência.

O dado ajuda a traduzir algo que o torcedor palmeirense percebe visualmente.

Allan não procura o marcador apenas para carregar a bola. Ele tenta efetivamente eliminá-lo da jogada.

E existe uma estatística ainda mais impressionante.

Allan lidera Brasileirão em dribles sobre vários adversários

A Opta utiliza uma métrica chamada multi take-on.

Ela registra situações nas quais um jogador consegue superar mais de um adversário durante uma única condução.

Allan havia conseguido isso 16 vezes no Brasileirão de 2026.

Nenhum outro jogador chegou perto.

O segundo colocado possuía 12.

Portanto, Allan liderava todo o Campeonato Brasileiro no quesito com uma vantagem de quatro jogadas sobre qualquer outro atleta.

É provavelmente um dos números que melhor explica aquilo que tornou o atacante diferente dentro do Palmeiras.

Não é apenas um jogador capaz de ganhar um duelo individual.

Em determinadas situações, ele consegue desmontar uma linha defensiva inteira carregando a bola.

72 conduções progressivas de pelo menos dez metros

A capacidade de transformar defesa em ataque também aparece nos dados.

Allan registrou 72 conduções progressivas de pelo menos dez metros no Campeonato Brasileiro.

Era a oitava maior marca de toda a competição.

A estatística considera situações nas quais o jogador avança de maneira significativa com a bola dominada.

Isso ajuda a explicar por que Abel Ferreira utilizou Allan em tantas funções diferentes.

Ele pode receber aberto como ponta.

Pode atuar como ala.

Pode partir de uma posição mais recuada.

E consegue levar a equipe dezenas de metros à frente sem necessariamente depender de um passe.

A análise completa da Opta destaca justamente essa capacidade de transformar uma recuperação de bola ou uma saída defensiva em uma transição ofensiva.

O diferencial que Abel Ferreira já havia identificado

Os números ajudam também a entender uma declaração recente de Abel Ferreira.

Depois da goleada por 4 a 1 sobre o Vasco, o treinador afirmou que jogadores como Allan são procurados porque conseguem fazer algo que a maioria dos pontas não entrega: atacar e defender ao longo de todo o corredor.

Abel lembrou ainda que o jogador já foi utilizado como lateral, ala, ponta por dentro e aberto.

Essa versatilidade apareceu ao longo de todo o processo de desenvolvimento da Cria da Academia.

O Portal do Palestra mostrou anteriormente como Abel Ferreira valorizou Allan em meio ao interesse do Manchester City.

A Opta encontrou evidências estatísticas para sustentar exatamente essa percepção do treinador.

Allan também recupera muita bola

Talvez esse seja o aspecto menos óbvio do interesse do Manchester City.

Quando comparado apenas a atacantes e pontas do Campeonato Brasileiro, Allan aparece bem também nas ações sem a bola.

A Opta contabilizou 57 recuperações de posse fora do terço ofensivo na temporada.

A marca colocava o palmeirense na nona posição entre atacantes e pontas do campeonato.

Existe outro detalhe relevante.

O Palmeiras teve média de 51,3% de posse de bola no período analisado.

Portanto, Allan não acumula ações defensivas simplesmente porque joga em uma equipe que passa a maior parte do tempo se defendendo.

Mesmo em um time que controla uma parcela significativa da posse, ele mantém participação defensiva elevada.

Número de desarmes também chama atenção

Allan registrou ainda 1,7 tentativa de desarme por 90 minutos.

Era a 13ª maior marca entre os jogadores ofensivos considerados pela análise.

Novamente, diversos atletas posicionados à frente defendiam equipes que tinham menos posse de bola que o Palmeiras.

O conjunto dessas estatísticas começa a formar um perfil bastante específico:

um ponta que dribla, carrega a bola, progride dezenas de metros e consegue participar da recuperação da posse.

É um tipo de jogador particularmente valioso no futebol atual.

A atuação contra a LDU virou um cartão de visitas

A Opta inicia sua análise recordando uma partida que mudou a percepção sobre Allan.

Em outubro de 2025, o Palmeiras havia perdido por 3 a 0 para a LDU no primeiro jogo da semifinal da Libertadores.

A classificação parecia praticamente perdida.

No confronto de volta, porém, o Verdão venceu por 4 a 0.

Allan foi um dos grandes protagonistas.

Participou da jogada do primeiro gol e, na etapa final, protagonizou uma arrancada pela direita, passou por marcadores e sofreu o pênalti que resultou no gol decisivo da classificação.

Para a Opta, aquela atuação colocou em evidência justamente as características que hoje chamam atenção do Manchester City: agressividade, condução, drible e imprevisibilidade.

Allan cresceu à sombra de Endrick e Estêvão

Existe também um componente incomum na trajetória.

Allan não era considerado a grande estrela da geração.

Enquanto Endrick e Estêvão eram acompanhados internacionalmente desde muito jovens e protagonizavam negociações gigantescas antes mesmo de se consolidarem no profissional, Allan percorria um caminho muito menos glamouroso.

A própria análise internacional lembra uma declaração de Abel Ferreira segundo a qual o jogador praticamente não atuava no Sub-20.

Mesmo assim, o treinador enxergou características que poderiam funcionar no profissional e pediu que o clube o mantivesse.

A aposta se transformou em uma das maiores vendas da história do Palmeiras.

Considerando apenas o dinheiro garantido na operação, os 37,5 milhões de euros fixos pagos pelo Manchester City colocam Allan inclusive à frente dos 35 milhões de euros fixos acertados inicialmente na venda de Endrick.

O Portal do Palestra detalhou essa diferença no ranking das maiores vendas do Palmeiras considerando os valores fixos.

Mas os números também mostram onde Allan precisa melhorar

A análise da Opta não é apenas elogiosa.

E esse talvez seja um dos pontos mais interessantes do levantamento.

Apesar do destaque no drible e na condução, a produção de Allan no último terço ainda não aparece entre as melhores do Campeonato Brasileiro.

O atacante produz 1,27 chance criada em jogada com bola rolando por 90 minutos, ficando fora do Top 20 da competição nesse quesito.

Desde o início da temporada de 2025, Allan participou diretamente de 12 gols.

Quatro jogadores do próprio Palmeiras haviam produzido mais participações no mesmo período.

Outra métrica reforça a questão.

Somando gols esperados sem pênaltis e assistências esperadas, Allan registra 0,21 por 90 minutos desde o início de 2025.

Entre jogadores do Palmeiras com pelo menos 500 minutos, ocupa apenas a 10ª posição.

Ou seja: existe uma diferença significativa entre sua capacidade de levar a bola até zonas perigosas e a quantidade de jogadas que terminam efetivamente em chances claras ou gols.

É justamente aí que o City pode enxergar potencial

O Manchester City não está contratando necessariamente um jogador pronto.

Está contratando características.

Allan já apresenta elementos difíceis de ensinar: aceleração, coragem para atacar defensores, controle da bola em espaços curtos, capacidade de carregar por longas distâncias e disposição defensiva.

A produtividade ofensiva pode ser desenvolvida.

Melhor tomada de decisão, escolha do momento do passe, posicionamento na área e qualidade da última ação são aspectos que podem evoluir com treinamento e experiência.

A própria Opta destaca que jogar ao lado de atletas de maior nível técnico pode naturalmente elevar a produção ofensiva do brasileiro.

Esse contexto ajuda a entender por que o City aceitou avançar para uma operação tão elevada.

O clube não está pagando apenas pelo Allan atual.

Está pagando também pelo jogador que acredita ser capaz de desenvolver.

Manchester City encontrou um perfil raro

Os números reunidos pela Opta ajudam a tirar a transferência do campo puramente financeiro.

O Palmeiras recusou a primeira investida do clube inglês.

O City voltou.

As conversas evoluíram até uma operação de 37,5 milhões de euros fixos e outros 2,5 milhões em bônus, podendo atingir 40 milhões de euros.

Veja como o Portal acompanhou desde a primeira oferta do Manchester City recusada pelo Palmeiras.

A insistência agora ganha uma explicação técnica.

Allan combina três características particularmente valorizadas:

  • capacidade de vencer adversários no drible;
  • progressão com bola por grandes distâncias;
  • participação defensiva acima da média para um jogador ofensivo.

E ainda tem 22 anos.

Números explicam uma ascensão improvável

Allan passou boa parte da formação à sombra de jogadores mais badalados.

Não teve o fenômeno midiático de Endrick.

Não recebeu desde cedo a projeção internacional de Estêvão.

Chegou ao profissional por um caminho diferente.

Foi justamente lá que encontrou espaço para mostrar características que talvez fossem mais adequadas ao futebol adulto do que aos rankings de promessas das categorias inferiores.

Abel Ferreira enxergou isso antes.

O Manchester City enxergou depois.

Agora os números da Opta ajudam a mostrar por quê.

Allan não é ainda um jogador ofensivamente completo. Os próprios dados demonstram isso. Mas poucos jogadores do Brasileirão conseguem fazer com a bola o que ele faz — e menos ainda conseguem combinar essa capacidade com versatilidade e intensidade defensiva.

Para um clube que pode investir milhões pensando não apenas no presente, mas no que um jogador poderá se tornar, essa combinação ajuda a explicar muita coisa.

Inclusive uma transferência que pode alcançar 40 milhões de euros.

Fonte dos dados: análise “Overshadowed by Endrick and Estêvão, Man City-Bound Allan Found His Own Path to the Top”, publicada pela Opta Analyst em 26 de agosto de 2026. Leia o estudo original da Opta Analyst.

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