Portal do Palestra
·21 de agosto de 2026
O 4 a 0 sobre a LDU é a pior lembrança que o Palmeiras pode levar

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·21 de agosto de 2026

A reação nas redes sociais quando a LDU eliminou o Mirassol foi quase unânime, e quase toda errada. Deu para ver o alívio no timeline palmeirense: ah, esse a gente já resolveu. A gente lembra do 4 a 0. A gente lembra do Allianz Parque parando de respirar. A gente lembra da frase que virou camiseta. E é exatamente por lembrar de tudo isso que o Palmeiras corre o risco de entrar em setembro pela porta errada.
A goleada de outubro de 2025 foi uma das maiores noites da história recente do clube. Não estou aqui para diminuí-la. Estou dizendo outra coisa: uma noite épica é uma memória, não é um método. Ela não se guarda no armário para ser usada de novo no ano seguinte. E carregar essa memória como se fosse vantagem é o tipo de erro que custa eliminatória.
Em 2025, o Palmeiras foi a Quito, tomou 3 a 0, voltou para casa e teve noventa minutos no Allianz Parque para consertar. O estádio foi a última palavra. Foi ali, com a torcida em cima, que o jogo virou.
Em 2026 é o contrário. Por ter feito campanha inferior à da LDU na fase de grupos, o Palmeiras recebe primeiro e decide fora. Quem terá a última palavra é a altitude. Quem terá noventa minutos com a torcida em cima é o adversário. Toda a engenharia emocional que salvou a semifinal do ano passado não está disponível desta vez — e nenhum torcedor que comemorou o sorteio parece ter reparado nisso.
Tem outro detalhe que a nostalgia esconde. Quem fez dois gols na virada foi Raphael Veiga, que está emprestado ao América do México desde o começo desta temporada. O cara que decidiu o jogo mais importante do confronto não vai estar em campo.
O Palmeiras de 2026 é outro time, com outro desenho tático, com Jhon Arias e Allan ocupando espaços que naquela noite eram de outras pessoas, e com Abel Ferreira jogando com três zagueiros. Melhor ou pior, não importa agora. O ponto é que a equipe que produziu o 4 a 0 não pode ser convocada de volta. O que sobrou daquela noite é uma lembrança bonita e um adversário ressentido.
Aqui é onde a conversa fica desconfortável. Palmeiras e LDU se enfrentaram quatro vezes, e o placar do confronto direto é dois a dois. Não existe freguesia. O que existe é um padrão brutal: em quatro jogos, o mandante venceu quatro vezes. O Palmeiras nunca ganhou da LDU no Equador. Levou seis gols nos dois jogos que fez lá.
Ou seja: o único dado consistente do confronto é justamente aquele que trabalha contra o Palmeiras no formato de 2026. Se o padrão se mantiver, a vaga não é decidida no Allianz. É decidida na altitude de Quito, num estádio onde o Verdão nunca venceu, contra um time que já provou saber jogar mata-mata contra brasileiro.
Existe uma, e ela não tem nada a ver com o 4 a 0. É o fato de o Palmeiras ter aprendido, na marra, como se joga em Quito. O time sabe o que a altitude faz com a corrida no segundo tempo, sabe que não adianta pressionar alto por quarenta minutos, sabe o preço de tomar um gol cedo ali. Essa é uma vantagem real, técnica, transferível. A outra é só sentimento.
E tem o primeiro jogo. Como o Palmeiras recebe antes, o Allianz Parque deixa de ser a arena da salvação e passa a ser a arena da construção. É lá que a eliminatória precisa ser encaminhada, com margem, sem depender de milagre na volta. Um empate em casa, que em 2025 seria administrável, em 2026 é um problema sério. Uma derrota, praticamente uma sentença.
O Palmeiras não pega a LDU em vantagem. Pega um adversário com o mesmo retrospecto, o mando invertido a favor dele e a memória de uma humilhação para cobrar. A goleada de 2025 não protege ninguém: o time que a produziu mudou, e o roteiro que a viabilizou não se repete. A eliminatória tem que ser resolvida no jogo de ida, porque em Quito o Palmeiras nunca ganhou.
Nada disso significa que o Palmeiras vai cair. Significa que a conversa deveria começar do lugar certo. O time chega às quartas depois de eliminar o Cerro Porteño fora de casa, com Gustavo Gómez em fase de recordes e liderança no Brasileirão. Tem repertório para passar. Só não tem o direito de achar que já passou.
Se a torcida quiser levar alguma coisa de 2025 para esta Libertadores, que leve o 3 a 0 da ida, e não o 4 a 0 da volta. Aquele é o jogo que ensina alguma coisa.







































