O adeus a Terry Cooper, o lateral lendário do Leeds que conquistou o respeito até do Brasil de 1970

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Antes do Brasil x Inglaterra da Copa de 1970, um nome inglês estampava diversas notícias sobre o jogo: Terry Cooper. O lateral esquerdo não tinha participado da conquista em 1966, mas estourou com o Leeds de Don Revie e chegou em alta ao Mundial do México. Diversos jogadores e até mesmo Zagallo expressavam seus cuidados com o defensor, excelente no apoio – a ponto de Gérson colocá-lo ao lado de Gordon Banks, Bobby Moore e Bobby Charlton entre os protagonistas dos Three Lions. Cooper não prevaleceria no Jalisco, com Jairzinho se desdobrando para marcá-lo. Ainda assim, foi um dos melhores laterais daquela Copa, a única de sua carreira, e se consolidou como uma lenda do Leeds. O respeito recebido da Seleção de 1970 diz muito sobre o talento do veterano. Vale o tributo ao ex-jogador que faleceu neste sábado, aos 77 anos.

Nascido em 12 de julho de 1944, na região de Yorkshire, Terry Cooper confiava em seu talento desde a juventude. Prova disso é a maneira como ingressou nas categorias de base do Leeds United, depois de deixar o Wolverhampton. No fim da década de 1950, o garoto chegou ao centro de treinamentos dos Whites com as chuteiras nas mãos, pedindo um teste para ser observado. Em tempos distintos do esporte, os treinadores deram a oportunidade e ele fez jus àquela ousadia, convencendo os superiores de que realmente poderia se juntar aos juvenis. Permaneceu por lá até os 17 anos, quando ganhou seu primeiro contrato profissional.

Cooper era ponta esquerda, mas Don Revie tinha outros planos para o novato. O treinador resolveu deslocá-lo à lateral esquerda e aproveitou ao máximo o potencial ofensivo do jovem. Assim, Cooper desenvolveu um estilo de jogo muito dinâmico e agressivo, que valeu bastante aos Whites a partir da década de 1960. Quando o defensor ganhou a primeira chance na equipe principal, em 1962, o Leeds militava na segunda divisão do Campeonato Inglês. O acesso aconteceu em 1963/64 e, a partir de então, a equipe brigaria por todas as competições de elite que participaria. Cooper seria fundamental neste fortalecimento, ainda que no início ele esquentasse o banco de Willie Bell e até considerasse sua transferência.

Em sua afirmação no Leeds, Cooper ganhou a posição de vez na temporada 1965/66. Desta forma, não teve tempo hábil de concorrer à convocação para a Copa do Mundo de 1966. Em compensação, se desenvolveria a tempo de virar uma peça central nos títulos emendados pelos Whites no período. Um momento essencial ao time de Don Revie aconteceu em 1967/68, quando veio a conquista da Copa da Inglaterra, após um vice recente no torneio e outros dois no Campeonato Inglês. A vitória sobre o Arsenal por 1 a 0 em Wembley foi garantida por um gol de Cooper, aos 20 minutos do primeiro tempo. Num lance em que os Gunners reclamaram de uma falta sobre o goleiro Jim Furnell, o camisa 3 aproveitou a meta vazia para emendar de canhota e balançar as redes.

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Terry Cooper (Foto: Imago / One Football)

O Leeds United conquistou a Taça das Cidades com Feiras (precursora da atual Liga Europa) meses depois e também venceria o Campeonato Inglês em 1968/69. Naquele momento, Terry Cooper vivia o auge da carreira. Era um lateral muito técnico, com habilidade acima do comum para a posição e eficiência nos cruzamentos. E unia tal refinamento com uma enorme capacidade física para chegar à linha de fundo. As combinações com o ponta esquerda Eddie Gray estavam entre as principais jogadas do time de Don Revie. Uma voracidade que também seria aproveitada por Alf Ramsey na seleção.

A primeira convocação de Terry Cooper aconteceu em março de 1969. Com as seguidas lesões de Ray Wilson, titular na Copa de 1966, a lateral esquerda estava sem dono às vésperas do Mundial do México. O camisa 3 do Leeds tomou conta do posto e chegou com moral à competição internacional. Não à toa, virou uma arma extra aos então campeões na busca pelo bicampeonato. Em diferentes aspectos, a Inglaterra de 1970 pode ser considerada mais forte que a de 1966. Cooper era uma dessas razões, pela maneira como fortalecia o apoio – algo que Keith Newton também conseguia pela direita. Mas era o camisa 3 quem os adversários realmente temiam.

Cooper teve uma ótima atuação na estreia com a Romênia. Isso levantou as preocupações do Brasil antes da segunda rodada, no grande jogo da fase de grupos do Mundial. Jairzinho ficou encarregado de recuar para acompanhá-lo e conseguiu cumprir bem sua missão, cobrindo os espaços. Apesar disso, Cooper se destacaria no duelo. Depois da vitória brasileira por 1 a 0, Gérson afirmaria: “O time inglês só possui um grande goleiro, Banks; um ótimo zagueiro, Moore; um outro bom, que é o Cooper; e apenas um atacante que sabe driblar, Charlton. Os demais são apenas de razoáveis para fracos”.

Exageros de Gérson à parte, a Inglaterra não conseguiu ter o desempenho que poderia naquela Copa, por uma tarde infeliz contra a Alemanha Ocidental nas quartas. Cooper seria vítima do sol escaldante na eliminação. Depois de ótimos 90 minutos, o lateral sentiria o cansaço na prorrogação, fruto de seu intenso trabalho ofensivo. Acabaria sofrendo com a entrada de Jürgen Grabowski na ponta direita germânica e, exausto, não evitaria a derrota por 3 a 2. De qualquer forma, saiu aclamado pela campanha como um todo. Continuaria como dono da posição na seleção, enquanto protagonizava a força do Leeds. Faltaram apenas mais troféus que recompensassem os Whites, com uma sequência de três vices no Campeonato Inglês entre 1969/70 e 1971/72. A glória neste intervalo veio apenas com os títulos na Taça das Cidades com Feiras em 1971 e na Copa da Inglaterra em 1972.

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Terry Cooper (Foto: Imago / One Football)

Terry Cooper, entretanto, não estaria em campo na nova conquista em Wembley. Em abril de 1972, o lateral esquerdo sofreu uma fratura na perna. Perdeu a reta final da temporada, assim como os duelos decisivos contra a Alemanha Ocidental, que tiraram a Inglaterra da Eurocopa. Também não ganharia medalha no título do Campeonato Inglês de 1973/74, por não disputar jogos o suficiente. O camisa 3 atravessou longos 20 meses de recuperação, com três cirurgias e complicações no processo. A retomada de sua carreira aconteceu apenas em 1974, mas sem o mesmo vigor de seu ápice. Ainda disputaria mais uma partida pela seleção inglesa, na última de suas 20 aparições pela equipe nacional. Don Revie já era o treinador, num empate por 0 a 0 contra Portugal pelas eliminatórias da Euro 1976, no qual o camisa 3 se lesionaria com apenas 23 minutos.

Sem mais Don Revie em Elland Road, Terry Cooper perdeu espaço no Leeds e seria negociado em 1975. Despediu-se com 350 partidas disputadas e 11 gols marcados. Em 2004, numa eleição dos maiores jogadores da história dos Whites, o camisa 3 ocupou o 13° lugar na lista. Seu novo destino seria o Middlesbrough, treinado por Jack Charlton, seu antigo companheiro na defesa do Leeds. Atuaria por mais três temporadas com o Boro, mas, acima dos 30 anos e sem as melhores condições físicas, não reproduzia aquela potência de tempos anteriores da trajetória.

Cooper deixou o Middlesbrough em 1978. Rodou no fim da carreira por Bristol City, Bristol Rovers e Doncaster Rovers. Antes mesmo de pendurar as chuteiras, já começou a conciliar a carreira de treinador. Teria sua reputação entre os anos 1980 e 1990. Na casamata, conquistou o Football League Trophy com o Bristol City, além de registrar acessos à frente de Exeter City e Birmingham City. Por fim, mesmo abandonando os trabalhos como técnico, Cooper teve êxito no futebol em outro posto na virada do século: virou chefe de observação do Southampton, conduzindo uma das melhores categorias de base da Inglaterra até 2007. Foi então que se aposentou de vez do esporte, aos 63 anos, dedicando-se às lojas de materiais esportivos que abriu graças ao dinheiro faturado por sua qualidade com a bola.

Os últimos meses foram bastante duros ao Leeds United. O clube se despediu de diversos ídolos históricos, sobretudo das lendas que compuseram o esquadrão dos anos 1960 e 1970. Gigantes como Jack Charlton, Norman Hunter e Peter Lorimer faleceram desde 2020. Cooper se junta ao timaço montado pelos Whites em outro plano. Deixa, ainda assim, uma legião de torcedores que reconhecem sua importância e seu talento no ápice dentro de Elland Road. Uma qualidade que seria reconhecida até mesmo pela maior seleção de todos os tempos.

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