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·31 de julho de 2026

O alto custo do sucesso do Al Nassr

Imagem do artigo:O alto custo do sucesso do Al Nassr

O Al-Nassr esperou muito por um ano como 2026. Desde o fim de 2022, quando anunciou a contratação de Cristiano Ronaldo, a equipe buscava o título da Saudi Pro League, a primeira divisão local – e o troféu finalmente veio na temporada 2025/2026, o primeiro desde a temporada 2018/2019, depois de três vices no período (2020, 2023 e 2024).

Mas a coroação veio justamente no pior momento da equipe nos bastidores.


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Em fevereiro, na reta final da temporada, Cristiano Ronaldo decidiu protestar contra a administração do PIF (Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita), acionista majoritário da equipe. Segundo o astro português, a entidade estaria direcionando menos investimentos ao Nassr em relação aos principais rivais – o PIF era dono também do Al-Hilal (que depois foi vendido a outra holding saudita), do Al-Ittihad e do Al-Ahli, entre outros times.

O protesto do astro lusitano escancarou uma crise que não melhorou com o passar dos meses. Com gastos crescentes em reforços e a dependência de investimentos públicos, as dívidas aumentaram e superaram a marca de R$ 1 bilhão. E para piorar, a equipe começaria a temporada 2026/2027 sem valores a receber do Ministério do Esporte ou da SPL – tudo já havia sido pago antecipadamente.

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A crise não afetou apenas o time comandado por Ange Postecoglou. A equipe feminina do Al Nassr, também campeã da primeira divisão saudita em 2026, ameaçou ficar de fora do WAFF Women’s Clubs Championship, um campeonato regional feminino da Ásia. O motivo: a falta de jogadoras diante dos problemas administrativos. No fim, o Al Nassr foi para a disputa do torneio e estreou com goleada por 5 a 0 sobre o Al-Hilal (Síria).

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Al Nassr foi campeão saudita feminino em 2026 (Imagem: Al Nassr/Divulgação)

A SPL passou a acompanhar o clube, que foi proibido de registrar novas contratações. O PIF ofereceu então um plano: reduzir o poderio financeiro da diretoria do Al-Nassr, que precisará comprovar recursos próprios se quiser contratar jogadores. A ideia é controlar a crise financeira, e o fundo já admite a entrada de novos investidores na administração do clube. O próprio Cristiano Ronaldo recebeu a oferta de ações do clube em 2025, mas não há sinais de que tenha se tornado acionista da equipe.

O que pode ajudar a equipe é a chamada Visão 2030, uma estratégia de abertura cultural do governo saudita lançada em 2016 para atrair turistas e investimentos estrangeiros, reduzindo a dependência do petróleo e diversificando a economia nos próximos anos. O plano quer promover uma imagem menos conservadora da Arábia Saudita para o restante do mundo – o que, se der certo, poderia atrair também investimentos de outros países.

Segundo a imprensa saudita, o PIF vetará o registro de jogadores enquanto o Al-Nassr não conseguir comprovar a entrada de receitas, justamente para tentar diminuir as dívidas. A iniciativa é diferente de um transfer ban em dois pontos: a iniciativa é do PIF (e não da Fifa) e exige a entrada de receitas (e não a quitação de dívidas). Na prática, as duas ferramentas restringem as contratações de reforços.

Com isso, a reorganização do Al-Nassr já começou. Em meio à crise administrativa, o time não terá grandes contratações, como se viu nos últimos anos. A ideia é buscar apoio para buscar uma situação financeiramente sustentável, sem depender do PIF, ao mesmo tempo em que tenta se manter competitivo em campo. Vai funcionar?

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