São Paulo
·14 de junho de 2026
O atleta da base tricolor que defendeu o Japão

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A relação do São Paulo com a Copa do Mundo não envolve apenas jogadores que defenderam a Seleção Brasileira, mas também atletas que atuaram por outros países. Na Copa do Mundo da França, em 1998, Wagner Lopes, atleta revelado pelas categorias de base são-paulinas e atacante do Bellmare Hiratsuka, à época, foi um dos grandes nomes do Japão na competição.

Nascido em Igaçaba, distrito de Pedregulho, no Estado de São Paulo, em 29 de janeiro de 1969, Wagner chegou ao Tricolor com 15 anos, em agosto de 1984 e logo se mostrou um atleta promissor, vencendo o campeonato paulista infantil daquele ano. Diferente dos demais garotos da categoria, ele pulou etapas, sequer chegando a ser inscrito em uma Copa São Paulo de Juniores.
Estreou no time profissional em 21 de abril de 1985, em um jogo da equipe mista – então apelidada Expressinho – contra o Bragantino, em Bragança Paulista (4 a 3 para os donos da casa), e rapidamente acabou conquistando um espaço no elenco principal, apesar de ser utilizado em campo em poucas oportunidades.
Ao todo, foram 15 jogos pelo Clube do Morumbis, com três vitórias, oito empates, quatro derrotas e 1 gol marcado: na derrota para o Santo André por 2 a 1 no dia 2 de abril de 1986. Contudo, deixou o Tricolor com dois títulos no currículo: Campeão Paulista de 1985 e de 1987. Após se despedir do time em 31 de maio de 1987 (empate por 0 a 0 contra o Mogi Mirim, no Morumbis), Wagner Lopes partiu rumo ao Oriente.

— Sou de uma família pobre, humilde, meus pais eram lavradores, tenho oito irmãos e sou o caçula. O São Paulo me proporcionou me tornar profissional. Com 18 anos, o Careca era o titular, um jogador acima da média, que a gente se espelhava. Eu queria jogar, mas ele era muito melhor. O doutor Juvenal Juvêncio me falou para ir ao Japão por três anos e depois voltar. Acabei ficando 17.
O atacante fora negociado, por empréstimo, ao Nissan Motors (atual Yokohama F. Marinos), do Japão. No incipiente futebol nipônico, destacou-se de sobremaneira, conquistando em curto período títulos de campeão japonês (da Japan Soccer League), de campeão da Copa do Japão (JSL Cup) e da Copa do Imperador – esta, por duas vezes seguidas.
Em 1990, foi emprestado novamente, agora para o Hitachi (atual Kashiwa Reysol). Ganhou passe livre do Tricolor apenas em 25 de fevereiro de 1993. Na Terra do Sol Nascente ainda jogaria por Honda FC (1995), Bellmare Hiratsuka (atual Shonan Bellmare, em 1997), Nagoya Grampus (1999), FC Tokyo (2001) e Avispa Fukuoka (onde se aposentou, em 2002).
Com tanto de serviço e residência em território japonês, Lopes adquiriu a cidadania local em setembro de 1997, sendo, então, prontamente chamado para defender a seleção japonesa que ainda disputava as Eliminatórias da Copa do Mundo de 1998. Foi figura importantíssima naquele time que pela primeira vez conquistara o direito de participar de uma fase final da competição, com três gols marcados em seis partidas disputadas.
Na França, o Japão não foi muito longe. Wagner disputou os três jogos e concedeu a assistência para o gol de Masashi Nakayama contra a Jamaica – o primeiro da história japonesa na Copa. Com a camisa azul, chegou a disputar, ainda, a Copa América de 1999 (coisas da CONMEBOL…), inclusive marcando dois gols. Ao todo, pelo Japão foram 20 partidas e cinco gols.
Atualmente Wagner Lopes, regresso ao Brasil, é treinador e já comandou trabalhos em dezenas de clubes, tanto aqui quanto no Japão (e até da Indonésia!) e, desde 2025 segue à frente do Luverdense, de Mato Grosso.

Acervo Pessoal
WAGNER LOPES (AT-1985)







































