Revista Colorada
·24 de janeiro de 2026
O cargo que Fabinho vem exercendo no Inter e ninguém sabia

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·24 de janeiro de 2026

Mesmo com a exigência estatutária de preencher o cargo de vice-presidente de futebol, o Internacional não trabalha com pressa para definir um nome. Internamente, a avaliação é de que, neste momento, o executivo Fabinho Soldado consegue suprir as funções da área e, mais do que isso, centralizar decisões estratégicas do departamento. O dirigente ganhou protagonismo e vem imprimindo um novo padrão de gestão no futebol colorado.
Com um perfil bastante diferente de seus antecessores, Fabinho tem ampliado sua influência no dia a dia do clube. A leitura dentro do Beira-Rio é clara: enquanto não houver necessidade prática ou política, a cadeira de vice pode seguir vaga. A presença forte do executivo tornou-se suficiente para tocar o futebol, inclusive em temas sensíveis como contratações, cobranças internas e posicionamentos públicos.
Um dos pontos mais perceptíveis dessa nova fase é a relação com dirigentes políticos. Fabinho não esconde sua preferência por um ambiente de trabalho mais profissionalizado e distante da circulação constante de cartolas no CT Parque Gigante. Esse traço já havia aparecido em passagens anteriores do dirigente, especialmente no Corinthians, onde enfrentou conflitos justamente por esse tema. No Inter, o reflexo é evidente: o presidente Alessandro Barcellos, que em outros momentos frequentava com mais regularidade o CT, adotou postura mais distante neste início de temporada.
Apesar disso, Victor Grunberg, vice-presidente eleito do clube, tem se aproximado do futebol nos bastidores, mesmo sem ocupar oficialmente a vice-presidência da área. O movimento é visto como natural, mas ainda sem impacto direto nas decisões centrais do departamento.
Internamente, a comparação com André Mazzuco, demitido após a campanha frustrante no Brasileirão do ano passado, é inevitável. Enquanto Mazzuco era conhecido pelo perfil mais conciliador e pela relação próxima com atletas e funcionários, Fabinho Soldado adota uma postura mais firme e direta. “Ele era amigo de todo mundo. O Fabinho é educado, mas não faz cara de amigo para todos. Está balançando a estrutura do CT”, relata uma fonte ligada à direção.
Essa postura também se reflete fora dos bastidores. Antes da partida contra o Monsoon, no estádio Passo D’Areia, foi Fabinho quem liderou a reclamação sobre a decisão do adversário de não molhar o gramado sintético, atitude considerada praxe no futebol. Mesmo sem sucesso, o executivo cobrou a arbitragem e dirigentes do clube mandante, deixando claro o novo tom adotado pelo Inter.
Na comunicação, a mudança também é clara. Diferentemente de anos anteriores, Fabinho tem aparecido sozinho nas apresentações de reforços e adotado discurso mais realista. Ao falar sobre a situação financeira, reconhece limitações, mas reforça a cobrança por resposta dentro de campo. “Não dá para prometer nomes nem falar em expectativas. Esses jogadores vão ter que se recuperar”, afirmou recentemente.
Além da cobrança, o dirigente aposta em ações simbólicas para reforçar a identidade colorada. Uma delas é a imersão dos novos contratados na história do clube, com visitas ao museu do Inter. A iniciativa busca aproximar reforços como Paulinho Paula, Rodrigo Villagra e Félix Torres da tradição e do peso da camisa, em mais um sinal de que a gestão de Fabinho Soldado vai além do discurso e já começa a transformar a rotina do futebol colorado.








































