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·01 de julho de 2026
O caso Duarte Gomes já está no Ministério Público, mas o silêncio não é resposta

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A demissão de Duarte Gomes do cargo de Diretor Técnico Nacional da arbitragem provocou uma verdadeira tempestade dentro da Federação Portuguesa de Futebol. O antigo árbitro internacional bateu com a porta por considerar que tinha perdido a confiança em Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, como explicou num email enviado a todos os elementos do órgão. A resposta imediata do líder do Conselho foi uma exposição ao Conselho de Justiça e uma queixa-crime contra Duarte Gomes.
No centro desta desavença está a nomeação de árbitros para jogos do E. Amadora na reta final do campeonato, em particular diante do Moreirense na 32.ª jornada, dirigido por Hélder Malheiro, e frente ao Famalicão na 33.ª, apitado por Fábio Veríssimo. Estamos a falar de decisões que, na fase decisiva de uma época na Liga Portugal, valem muito mais do que três pontos.
Algumas semanas antes, após um Arouca-E. Amadora em que a formação da Reboleira se queixou da não validação de um golo, o presidente do Estrela, Paulo Lopo, pediu uma reunião ao Conselho de Arbitragem, onde também esteve Duarte Gomes. Ouviram-se os áudios do VAR, deram-se explicações técnicas e tudo correu com a normalidade destas situações.
Já depois de apitar o Moreirense-E. Amadora, Hélder Malheiro comentou com Duarte Gomes que tinha sabido da nomeação para esse jogo antes de ela ser pública, através de Pedro Garcia, antigo assistente que alegadamente colabora com o E. Amadora. Uma situação que, a confirmar-se, poderia configurar uma influência externa nas nomeações. E isto não é um pormenor, é o coração de toda a questão.
Considerando que essa informação colocava em causa a sua confiança no presidente do Conselho, o então Diretor Técnico Nacional confrontou Luciano Gonçalves. Para tentar esclarecer tudo, o próprio presidente chamou Hélder Malheiro, bem como um dos seus assistentes, para debaterem o tema frente a frente.
Perante esta situação, o Conselho de Arbitragem, na pessoa de Luciano Gonçalves, em vez de vir a público clarificar tudo para não deixar qualquer dúvida no seio da arbitragem, decidiu avançar com ameaças de justiça e queixa-crime. Quem se mete connosco leva, deve ser o lema. Um Conselho que se apresentou como transparente e muito comunicativo passou, de repente, a andar escondido.
Se isto tivesse o nome do Benfica, garantidamente que haveria capas de jornal e horas de debate. Como não tem, o tema vai passar ao lado, e vamos ficar sem saber por que razão o Hélder Malheiro não apitou o Benfica durante toda a temporada, por que motivo o João Gonçalves, que tirou o Benfica da corrida pelo título e mais tarde pelo acesso à Champions, não voltou a apitar o FC Porto, ou por que razão o José Bessa conseguiu a classificação que conseguiu depois das arbitragens que fez nos jogos do Benfica.
São perguntas que merecem resposta e que o silêncio só torna mais barulhentas. O VAR e a transparência não podem ser bandeiras usadas apenas quando dá jeito.
O Conselho de Arbitragem tem duas vias. Ou se demite, aguardando a resolução da situação porque não tem condições para fazer qualquer nomeação, ou vem mostrar de forma clara e transparente as razões para cada nomeação do campeonato da temporada passada. O silêncio não é uma terceira opção, é apenas uma confissão de que algo não bate certo na Liga Portugal.







































