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·14 de março de 2026
O chão que viu aviões, cerveja e Libertadores: 109 anos do Palmeiras no mesmo endereço

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Em algum momento da tarde deste domingo (15), quando o Palmeiras entrar no gramado novíssimo do Allianz Parque para enfrentar o Mirassol, os pés dos jogadores vão pisar sobre o mesmo solo que recebeu um time chamado Palestra Italia pela primeira vez em 21 de abril de 1917.
São 109 anos. Mesmo terreno. Mesmo endereço. Mesmo clube.
Mudou o nome — de Palestra Italia para Palmeiras. Mudou o estádio — de arquibancada de madeira para arena multiuso com selo FIFA. Mudou o gramado — agora sintético de última geração, com certificado FIFA Quality Pro e investimento de R$ 11 milhões. Mas o chão é o mesmo. E as histórias que ele guarda são impossíveis de reproduzir em qualquer outro lugar do futebol brasileiro.
O terreno onde hoje fica o Allianz Parque tem uma história que antecede o próprio futebol brasileiro.
Em 1º de março de 1902, a Companhia Antarctica Paulista abriu ao público um amplo espaço de lazer ao lado de sua fábrica de cerveja, na região da Água Branca, zona oeste de São Paulo. Nasceu o Parque Antarctica: 300 mil metros quadrados com jardins, lagos, parque infantil, restaurantes, choperia, pista de atletismo e um campo de futebol.
Dois meses depois, em 3 de maio de 1902, aquele gramado recebeu a primeira partida oficial do futebol no estado de São Paulo: Mackenzie 2 x 1 Germânia, pelo primeiro Campeonato Paulista da história. O futebol brasileiro dava seus primeiros chutes ali, naquele mesmo pedaço de terra.
O terreno também foi palco de marcos que nada tinham a ver com bola. Em julho de 1908, sediou a primeira corrida de automóveis da América do Sul. Em fevereiro de 1911, abrigou o primeiro voo da América Latina, com um avião de correio que decolou e pousou no parque diante de público pagante.
Cerveja, automóveis, aviões. E futebol. Tudo começou ali.
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Quando o Palestra Italia foi fundado, em 26 de agosto de 1914, seus jogadores treinavam em um campo na Rua Major Maragliano, na Vila Mariana. Não tinham casa. Não tinham estádio. Eram um clube de imigrantes italianos tentando existir numa São Paulo que ainda olhava o futebol com desconfiança.
Três anos depois, a oportunidade surgiu. O Germânia, abalado pela Primeira Guerra Mundial, havia repassado o aluguel do campo do Parque Antarctica ao América. O América, sem dinheiro, começou a sublocar horários para outros clubes. O Palestra agarrou a chance.
O contrato era dividido: o América jogava de manhã; o Palestra, de tarde. Nos mesmos dias, no mesmo campo.
Em 21 de abril de 1917, um sábado, o Palestra Italia entrou em campo no Parque Antarctica pela primeira vez. Era a primeira rodada do Campeonato Paulista. O adversário: o Sport Club Internacional de São Paulo.
Resultado: Palestra Italia 5 x 1 Internacional.
Heitor fez quatro gols. Caetano Izzo marcou o primeiro gol da história do Palmeiras naquele endereço — o mesmo jogador que, duas semanas depois, anotaria um hat-trick no primeiro clássico contra o Corinthians (3 a 0, no mesmo local).
Ninguém sabia naquele sábado de 1917, mas o Palestra Italia nunca mais sairia dali.
O Palestra Italia era apenas locatário. E locatários podem ser despejados.
Em 1920, quando souberam que a Companhia Antarctica Paulista estava se mudando para a Mooca e poderia vender o terreno, os dirigentes palestrinos decidiram fazer algo que a imprensa da época chamou de “A Loucura do Século”: comprar o Parque Antarctica inteiro.
O preço: 500 contos de réis — uma fortuna absurda para um clube com apenas seis anos de existência. Para ter uma dimensão, era o equivalente a comprar dezenas de imóveis na São Paulo da época.
A entrada de 250 contos saiu de um cheque da Francisco Matarazzo & Cia. A segunda parcela foi paga com dificuldade. A terceira quase quebrou o clube — para quitá-la, em dezembro de 1922, o Palestra precisou vender parte do terreno ao conde Matarazzo por 187 contos de réis. Aquele pedaço vendido é onde hoje fica o Bourbon Shopping.
Mas o campo ficou. E em 27 de abril de 1920, a escritura foi lavrada no 11º Cartório da Capital. O Palestra Italia era oficialmente dono do seu chão.
Curiosidade que ninguém conta: a ata daquela assembleia que aprovou a compra foi a primeira na história do clube escrita em português — todas as anteriores eram em italiano.
No primeiro jogo como proprietário, em 16 de maio de 1920, o Palestra goleou o Mackenzie por 7 a 0. Dois anos depois, aquele campo recebeu o primeiro jogo da Seleção Brasileira fora do Rio de Janeiro: Brasil 2 x 1 Argentina.
Por 13 anos, o Palestra jogou em um campo com arquibancadas de madeira. Em 1933, o clube inaugurou o Estádio Palestra Italia — o primeiro estádio de concreto erguido naquele terreno. Considerado um dos mais modernos do Brasil na época, com arquibancadas de alvenaria e capacidade ampliada.
A inauguração oficial aconteceu em 13 de agosto de 1933. O resultado? Previsível para quem acompanha o padrão daquele endereço: Palestra Italia 6 x 0 Bangu, pelo Torneio Rio-São Paulo.
Foi nesse estádio que o Palestra — já rebatizado Palmeiras em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial — construiu sua lenda. Ali, o Verdão aplicou um 8 a 0 no Corinthians em 1933, goleou adversários em campeonatos paulistas e nacionais, e recebeu gerações de ídolos.
Na primeira metade dos anos 1960, o Palmeiras fez uma reforma profunda no estádio. O campo de futebol foi elevado cerca de três metros acima do nível do solo, criando um fosso ao redor. Uma meia-lua de arquibancada em forma de ferradura envolveu o gramado. Nascia o Jardim Suspenso — um estádio único no Brasil, com uma estética que nenhum outro tinha.
O último jogo antes da reforma foi Palmeiras x Jabaquara, em 17 de dezembro de 1961. O primeiro no novo formato: Palmeiras 2 x 0 Esportiva de Guaratinguetá, em 7 de setembro de 1964, com 31.899 torcedores.
Foi no Jardim Suspenso que Ademir da Guia encantou. Que o Palmeiras de 1969 fez uma das melhores campanhas da história do futebol paulista. Que gerações inteiras de palmeirenses aprenderam o que era torcer.
Se existe um jogo que cristaliza a relação entre o Palmeiras e aquele endereço, foi a final da Copa Libertadores de 1999.
No dia 16 de junho de 1999, o Palmeiras recebeu o Deportivo Cali no Palestra Italia para o jogo de volta da decisão. O primeiro jogo, na Colômbia, havia terminado 1 a 0 para os colombianos, com gol de Bonilla. O Verdão precisava vencer por dois gols de diferença para ser campeão no tempo normal.
Os 32 mil ingressos tinham sido vendidos em oito horas. Não cabia mais uma agulha. No segundo tempo, Evair — que saíra do banco — abriu o placar de pênalti. Zapata empatou, também de pênalti, cinco minutos depois. A angústia durou pouco: aos 31, Oséas recebeu cruzamento de Júnior e tocou rasteiro para as redes. O Palestra Italia explodiu.
Nos pênaltis, Zinho bateu no travessão. Mas Júnior Baiano, Roque Júnior, Rogério e Euller converteram. Do lado colombiano, Bedoya e Zapata desperdiçaram. Palmeiras 4 x 3 nos pênaltis. A América, enfim, era verde e branca.
O gramado que recebeu aviões em 1911 e cervejas em 1902 agora recebia a glória eterna.
Em 2010, as escavadeiras chegaram. O Estádio Palestra Italia foi demolido para dar lugar à arena que o Palmeiras sonhava havia décadas.
A última partida no velho Palestra aconteceu em 2010. O terreno que abrigava futebol desde 1902 ficou em silêncio por quatro anos. Sem gol, sem torcida, sem jogo. Apenas concreto, poeira e promessa.
Em 19 de novembro de 2014, o Allianz Parque foi inaugurado. A arena multiuso, com capacidade para 43.713 lugares, nasceu no centenário do Palmeiras — presente de aniversário erguido sobre o mesmo solo sagrado.
O primeiro jogo? Derrota: Palmeiras 0 x 2 Sport, pelo Campeonato Brasileiro. O primeiro gol oficial do Allianz Parque foi do adversário — Ananias, do Sport.
Mas o terreno, como sempre, corrigiu a rota. A primeira vitória veio pouco depois. E de lá para cá, os números falam por si.
Desde a inauguração em 2014, o Palmeiras transformou o Allianz Parque na maior fortaleza do futebol brasileiro. Os números consolidados até dezembro de 2025 são impressionantes:
O Palmeiras decidiu — e venceu — títulos históricos dentro da arena:
E agora chegamos a este domingo.
Após 113 dias longe de casa — o último jogo no Allianz foi em 22 de novembro de 2025, um 0 a 0 contra o Fluminense —, o Palmeiras volta para uma arena renovada. O gramado sintético foi completamente trocado num investimento de R$ 11 milhões, em parceria com a WTorre. A superfície recebeu o certificado FIFA Quality Pro, selo que poucos estádios no Brasil possuem.
Para um time que joga como o de Abel Ferreira — construção pelo chão, toque curto, saída de bola desde o goleiro —, a qualidade do gramado não é detalhe. É vantagem competitiva.
Se somarmos tudo — era Parque Antarctica (1917-2010) e era Allianz Parque (2014-2025) —, os números do Palmeiras naquele endereço são de outro planeta:
TOTAL HISTÓRICO NO MESMO ENDEREÇO (1917-2025)
Quase duas mil partidas no mesmo pedaço de terra. Mais de 1.200 vitórias. Mais de 4.300 gols. Em 109 anos, apenas 239 derrotas — uma a cada oito jogos.
Nenhum outro clube brasileiro tem uma relação tão longa, tão documentada e tão vitoriosa com um único endereço.
Quando Flaco López, Vitor Roque ou qualquer outro jogador do Palmeiras pisar naquele gramado novo neste domingo, estará pisando sobre camadas de história que poucas instituições esportivas no mundo podem reivindicar.
Aquele chão viu o primeiro jogo oficial do futebol paulista. Viu o primeiro voo da América Latina. Viu imigrantes italianos apostarem tudo o que tinham em um sonho chamado Palestra Italia. Viu a “Loucura do Século” se transformar no investimento mais visionário da história do futebol brasileiro. Viu Ademir da Guia, viu Marcos no gol, viu Dudu fazer 204 jogos.
Viu o Palmeiras ser vice em 1917 e campeão da Libertadores em 1999. Viu arquibancada de madeira virar concreto, virar Jardim Suspenso, virar arena multiuso, virar gramado com selo FIFA.
E vai continuar vendo. Porque esse endereço é do Palmeiras desde 1917. E vai ser para sempre.
Desde 21 de abril de 1917, quando ainda se chamava Palestra Italia e o local era o Parque Antarctica. São 109 anos de futebol no mesmo endereço.
Em 27 de abril de 1920, por 500 contos de réis. O episódio ficou conhecido como “A Loucura do Século”.
Somando as eras do Parque Antarctica/Palestra Italia (1917-2010) e do Allianz Parque (desde 2014), são quase 1.918 partidas, com mais de 1.294 vitórias.
Desde a inauguração em 2014, o aproveitamento é de 73% dos pontos disputados, com média de 1,90 gol por jogo.
É o selo mais alto de qualidade concedido pela FIFA para gramados sintéticos. A troca do gramado em 2026 custou R$ 11 milhões e coloca o Allianz Parque entre os estádios com melhor superfície de jogo do Brasil.
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