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Deus me Dibre

·13 de agosto de 2026

O Cruzeiro não levou vantagem. Levou confiança!

Imagem do artigo:O Cruzeiro não levou vantagem. Levou confiança!

Mais de 60 mil pessoas foram ao Mineirão para assistir ao primeiro capítulo do confronto entre Cruzeiro e Flamengo pelas quartas de final da Libertadores. Foi recorde do novo Mineirão em partidas da competição. O 1 a 1 acabou sendo um resultado aceitável para os dois lados: para o Flamengo, porque arrancou o empate fora de casa; para o Cruzeiro, porque mostrou que pode enfrentar o atual campeão da América de igual para igual. E, em alguns momentos, até melhor.

A Raposa deixou o Mineirão sem vantagem no placar, mas com uma certeza importante: a classificação está aberta. O Flamengo tem o melhor elenco da América, carrega a faixa de atual campeão e agora decidirá em casa. Só que vai precisar jogar. E muito. Porque o Cruzeiro não se comportou como quem entrou em campo para sobreviver. Entrou para competir.


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E talvez uma das principais conclusões da noite esteja justamente naquilo que não funcionou tão bem. Romero fez falta. O argentino é daqueles jogadores que nem sempre aparecem nos melhores momentos, mas que fazem o time funcionar. Matheus Henrique entrou em seu lugar e quase transformou a ausência em desastre. Fez uma falta duríssima em Bruno Henrique, com a perna acima do tornozelo, e escapou de uma expulsão que, na minha opinião, seria perfeitamente justificável. O VAR decidiu economizar trabalho. O Cruzeiro agradeceu.

Gerson também esteve abaixo do jogador que vinha encantando nas últimas partidas. Ainda assim, protegeu a bola, deu qualidade à saída e ajudou a equipe a respirar. E Matheus Pereira, que normalmente é o cérebro e a engrenagem do Cruzeiro, também ficou devendo. Participou da construção do gol, mas esteve distante daquele jogador capaz de controlar o jogo, acelerar quando necessário e transformar uma oportunidade em perigo real.

E isso mostra o tamanho da importância dos dois. Quando Gerson e Matheus Pereira jogam bem, o Cruzeiro ganha outra dimensão. Quando os dois estão abaixo, o time sente. Contra o Flamengo, sentiu. Ainda assim, criou o suficiente para sair do Mineirão com uma vantagem que acabou não vindo.

Quem não deixou de entregar foi Kaio Jorge. Correu, brigou, disputou, tentou finalizar e muitas vezes ficou sozinho contra a defesa rubro-negra. Parecia ter recebido a missão de ser atacante, pivô, primeiro defensor e ainda aparecer na área para concluir. Faltou gol, mas não faltou disposição. E, para o jogo do Rio, o Cruzeiro vai precisar que ele continue lutando — de preferência, com um pouco mais de companhia.

E aí apareceu Arroyo.

O equatoriano foi uma das grandes surpresas da noite. Voluntarioso, participativo e corajoso. No gol, resolveu fazer arte. Deu um corte em Samuel Lino que provavelmente deixou o atacante procurando a bola até agora e bateu de curva, no ângulo de Rossi. O goleiro do Flamengo pulou sem as mãos, como quem percebeu que aquela bola não tinha defesa e decidiu apenas acompanhar a obra de arte. A rede agradeceu.

Arroyo não foi a única boa notícia entre os jovens. Otávio fez duas defesas cinematográficas e começa a tornar cada vez mais difícil imaginar como será a volta de Cássio quando o veterano estiver recuperado da lesão. O garoto ainda erra em algumas saídas de bola, é verdade. Mas também faz defesas que dão confiança ao time e ao próprio goleiro. Em uma delas, o árbitro ainda anulou o lance. A decisão foi discutível. A defesa, não.

Zé Lucas entrou muito bem e mostrou novamente por que é tratado como uma das grandes promessas da Toca. Kaique Kenji também participou da reta final. E o Cruzeiro terminou uma partida de quartas de final de Libertadores com vários garotos em campo, diante de um adversário que tem jogadores avaliados em milhões e uma coleção recente de títulos.

Isso diz alguma coisa.

Diz que o Cruzeiro não está apenas vivendo o presente. Está construindo o futuro enquanto escreve uma nova história.

Arthur Jorge também merece crédito. Sem Romero, precisou encontrar uma solução. Mexeu na equipe, lançou garotos e terminou o jogo sem permitir que o Flamengo transformasse o Mineirão em território rubro-negro. O Cruzeiro foi competitivo, criou oportunidades e, principalmente, não se intimidou diante do atual campeão.

A arbitragem, por sua vez, resolveu participar da festa. Alguns lances deixaram dúvidas, principalmente a falta marcada na jogada que originou o gol do Flamengo. Fabrício Bruno recebeu o amarelo, a bola foi levantada na área, veio a cabeçada na trave e, no rebote, Paquetá empatou. O Cruzeiro já tinha adversário suficiente pela frente. Não precisava ganhar de brinde uma segunda partida contra decisões questionáveis.

Mas há algo que nenhuma arbitragem, nenhum VAR e nenhum Paquetá conseguiu tirar do Cruzeiro: a torcida.

Mais de 60 mil pessoas fizeram o Mineirão tremer. Cantaram, empurraram, participaram e mostraram que a Libertadores voltou a ter cara de Cruzeiro em Belo Horizonte. E agora a promessa é atravessar a ponte aérea. O espaço destinado à torcida celeste no Maracanã deve ser pequeno para tanta gente querendo fazer barulho.

Antes disso, tem Corinthians no domingo, na Neo Química Arena. Um compromisso importante pelo Campeonato Brasileiro, mas impossível não enxergar a quarta-feira logo ali no horizonte.

Porque o jogo mais importante da semana já está marcado.

O Flamengo vai decidir em casa. Tem o melhor elenco da América, é o atual campeão da Libertadores e terá o apoio da sua torcida. Tudo isso é verdade.

Mas também é verdade que, depois do que aconteceu no Mineirão, o Flamengo sabe que terá pela frente um Cruzeiro que pode eliminá-lo.

O Cruzeiro não levou vantagem.

Levou confiança!

Angel Drumond

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