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·23 de abril de 2026

O desafio do Bilhão: Diretor explica por que a dívida do Atlético é “organicamente impagável”

Imagem do artigo:O desafio do Bilhão: Diretor explica por que a dívida do Atlético é “organicamente impagável”

Foto: Pedro Souza / Agência Atlético Por: Angel Baldo

O cenário financeiro do Clube Atlético Mineiro permanece como um dos temas mais debatidos e complexos do futebol brasileiro. Recentemente, em uma entrevista detalhada ao canal Sports Market Makers, o diretor financeiro e administrativo do Galo, Thiago Maia, abriu as contas da instituição e trouxe uma análise realista sobre o passivo que assombra o clube. Com um endividamento total que atinge a impressionante marca de R$ 1,7 bilhão, a gestão da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) enfrenta o desafio de equilibrar a competitividade em campo com a sufocante pressão dos juros.


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O PESO DE R$ 250 MILHÕES EM JUROS ANUAIS

O grande vilão da saúde financeira atleticana não é apenas o montante principal, mas a velocidade com que a dívida se retroalimenta. Maia destacou que o custo do capital, impulsionado pelas altas taxas de juros no Brasil, cria um cenário onde o lucro operacional se torna insuficiente. Segundo o executivo:

“As dívidas bancárias, entre as dívidas da arena e da SAF, estamos falando de algo na casa de R$ 1 bilhão. Então, estamos falando de juros de R$ 250 milhões ao ano, pelo menos, então machuca demais. Se o Galo fica no zero a zero no operacional, brigando pelo ponto de equilíbrio, não é suficiente para pagar os juros. A dívida acaba aumentando todo ano.”

A ANATOMIA DO ENDIVIDAMENTO ALVINEGRO:

Para entender como o Atlético chegou a esse patamar, é preciso olhar para a composição do passivo. A dívida não é composta por um único credor, mas por uma colcha de retalhos que envolve desde tributos de longo prazo até financiamentos de curto prazo com instituições bancárias, além do custo de construção da Arena MRV. Maia esmiuçou esses valores:

“O Galo tem um endividamento líquido na casa de R$ 1,7 bilhão, um endividamento extremamente expressivo. Desses R$ 1,7 bilhão, aproximadamente R$ 1 bilhão são dívidas bancárias; na casa de R$ 600 milhões são dívidas bancárias da SAF, todas são avalizadas. Por mais baratas que sejam, por serem avalizadas, elas machucam muito por causa da taxa Selic. A outra, de R$ 400 milhões, é a dívida do estádio; tem o CRI da arena, que está na casa dos R$ 300 milhões. Esse é o principal problema do Galo. Tem aí mais R$ 400 e poucos milhões de dívida tributária, que machuca menos, parcelada de longo prazo, mas com o CDI neste patamar tudo machuca, e o restante é a diferença de contas a pagar e contas a receber, que fica na casa dos R$ 300 milhões. Quando você soma isso tudo, dá R$ 1,7 bilhão. Por mais que operacionalmente o Galo seja uma empresa que pare de pé, daria para caminhar com as próprias pernas, não gera recurso suficiente para pagar o seu endividamento organicamente. Daí a gente vai chegar a uma próxima rodada de aportes.”

A ESTRATÉGIA DOS APORTES E A RELAÇÃO COM A FAMÍLIA MENIN:

A solução encontrada pela gestão para evitar o colapso financeiro passa diretamente pelos acionistas da SAF. Thiago Maia reforçou que novos aportes, liderados pela família Menin, serão injetados com um objetivo cirúrgico: atacar a dívida bancária. O plano é reduzir drasticamente o pagamento de juros para que o clube recupere sua capacidade de investimento.

“O aporte de R$ 500 milhões, que vai ser todo para a dívida, é para reduzir essa dívida bancária que está em torno de R$ 600 milhões para ficar na casa dos R$ 100 milhões. Ainda vai ficar a dívida do CRI da Arena MRV; o cenário é ainda bem desafiador, mas as perspectivas futuras são positivas. Acho que sempre vai ter dívida, faz parte uma empresa ter dívida, mas não pode ter no patamar que o Galo possui. Mas se você pega o endividamento em relação à receita, o Galo vem melhorando ano após ano.”

O MERCADO INFLACIONADO E A SUSTENTABILIDADE:

Por fim, o diretor refletiu sobre como o ecossistema do futebol mudou nos últimos três anos. A entrada de novas fontes de receita, como as casas de apostas e a profissionalização via SAFs, trouxe mais capital para o mercado, mas também elevou drasticamente os custos operacionais, especialmente os salários.

Para Maia, o Atlético hoje é um clube que “se paga” no dia a dia, mas que ainda sofre com as escolhas financeiras do passado.

“A conta é muito difícil de fechar. O futebol mudou muito de 2021 para cá, seja com entrada das bets, seja com entrada da SAF, seja com novos contratos de televisão. Tem muito dinheiro no mercado, por isso inflacionou demais os salários de jogadores. Então, o Galo está nesta busca do resultado operacional positivo. Esse breakeven que o Galo vem tentando equalizar suas receitas e despesas está muito próximo. O Galo é uma empresa que operacionalmente para de pé. O problema é que ela é uma empresa extremamente alavancada, tem uma dívida que organicamente é quase impagável.”

Embora o termo “impagável” assuste o torcedor, a leitura da diretoria é de que, com a redução da alavancagem bancária e o crescimento das receitas comerciais, o Atlético poderá finalmente sair da “zona de sobrevivência” para uma gestão de sustentabilidade a longo prazo.

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