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Jornal do Fla

·13 de agosto de 2026

O detalhe tático que mudou o Flamengo após o gol do Cruzeiro

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Em jogo equilibrado contra o Cruzeiro pelas oitavas de final da Libertadores, o Flamengo busca o empate com gol de Paquetá, e a decisão fica para o Maracanã, na próxima quarta-feira (19).

No duelo com seu compatriota Artur Jorge à beira do campo, Leonardo Jardim modificou a equipe, encontrou soluções durante a partida e conseguiu levar um resultado importante para decidir a classificação no Maracanã.


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Como o Flamengo pensou o jogo?

Ao optar pelas entradas de Bruno Henrique e Plata como titulares, nos lugares de Pedro e Carrascal, Leonardo Jardim estabeleceu algumas diretrizes claras para a partida: quando possível, pressionar a saída de bola do Cruzeiro, encurtando o espaço do portador e fechando linhas de passe para impedir progressões limpas do adversário.

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Foto: Reprodução

A outra ideia passava por explorar os momentos em que o Cruzeiro avançasse suas linhas. Com a equipe mineira atuando em bloco alto, o Flamengo buscaria atacar o espaço às costas da última linha, utilizando a velocidade dos seus atacantes para acelerar as transições ofensivas.

A estratégia desenhada por Jardim funcionou em determinados momentos. Mesmo diante da intensidade do Cruzeiro, o Flamengo conseguiu controlar o ímpeto inicial do adversário por meio de posses mais longas e de uma circulação capaz de gerar dúvidas sobre o comportamento da pressão: saltar para pressionar ou recuar as linhas.

A presença de Samuel Lino e Plata pelos corredores, somada à mobilidade de Bruno Henrique por dentro, oferecia ao Flamengo diferentes ameaças para atacar os espaços gerados. Essa dinâmica também reduziu os momentos de pressão territorial do Cruzeiro, comuns no Mineirão, e impediu que a equipe de Artur Jorge tivesse conforto para sustentar ataques posicionais.

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Foto: Reprodução

O Flamengo, portanto, não apenas dificultou a saída adversária, como também tentou retirar do Cruzeiro suas principais valências: intensidade na pressão, ocupação do campo ofensivo e capacidade de empurrar o adversário para perto da própria área.

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No futebol, porém, toda escolha estratégica envolve concessões. Quando não conseguia progredir através da posse e encontrava dificuldades diante dos encaixes do Cruzeiro, o Flamengo sentia a ausência do jogo aéreo e da capacidade de retenção de Pedro.

O centroavante oferece uma referência para sustentar a bola, ganhar metros e permitir que a equipe respire diante de uma pressão individualizada. Foi um risco calculado. E, no primeiro tempo, a estrutura funcionou.

Segundo tempo: desvantagem no placar exige mudança de cenário

Na volta do intervalo, Artur Jorge ajustou o Cruzeiro e passou a dificultar aquilo que o Flamengo havia conseguido controlar na primeira etapa. Os espaços encontrados anteriormente pelos atacantes rubro-negros diminuíram, enquanto a equipe mineira passou a ter mais sucesso nos encaixes defensivos e nas disputas por segunda bola.

O cenário se agravou quando o Flamengo ficou em desvantagem no placar. Foi o momento de maior dificuldade da equipe na partida, o que exigiu de Jardim uma resposta imediata do banco de reservas.

As entradas de Paquetá e Pedro devolveram ao Flamengo características que haviam sido reduzidas durante o jogo: maior capacidade de associação por dentro, retenção da bola no último terço e presença na área. E a resposta veio rapidamente.

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Foto: Pedro Vilela/Getty Images

Na primeira participação decisiva da dupla, o Flamengo chegou ao empate. Mais do que o gol, a jogada sinalizou uma mudança no comportamento da equipe: um Flamengo mais dinâmico, capaz de controlar melhor as zonas centrais e de assumir novamente as rédeas da partida.

A partir daí, entretanto, as duas equipes passaram a interpretar o confronto dentro de uma lógica maior: a eliminatória seria decidida em 180 minutos. Nesse contexto, o Flamengo passou a calcular melhor os riscos. As substituições seguintes de Jardim ajudam a explicar essa leitura.

A utilização de uma dobra pelo lado direito, com Royal e Varela, por exemplo, aumentou a segurança defensiva e ofereceu mais controle territorial, sem necessariamente expor a equipe em busca de uma vitória a qualquer custo.

A leitura do treinador parece ter sido clara: depois de sofrer o gol e reagir, o Flamengo preferiu preservar o equilíbrio da eliminatória e levar a decisão para o Maracanã em condições de igualdade, confiando na força da equipe diante da Nação.

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Tudo em aberto

Apesar de a sensação ao fim da partida ser de que o Flamengo poderia ter conseguido mais, é necessário considerar o contexto da eliminatória.

O Rubro-Negro possui um dos elencos mais fortes do continente, mas enfrentou um Cruzeiro capaz de competir em alto nível e de explorar qualquer desorganização adversária. Não se trata de um confronto em que o Flamengo teria necessariamente o controle absoluto dos 180 minutos.

A vantagem, agora, é voltar para casa com a eliminatória aberta e decidir diante da Nação. No Maracanã, o Flamengo terá condições de aumentar a pressão, controlar mais território e impor um ritmo diferente ao confronto.


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